Embora as viagens sejam planejadas para momentos de lazer ou trabalho, os imprevistos de saúde continuam sendo uma realidade para muitos brasileiros. Um levantamento do Olá Doutor, plataforma de consultas médicas que conecta pacientes à médicos, revela que 6 em cada 10 pessoas já precisaram de atendimento médico enquanto estavam viajando, prova de que os cuidados com a saúde não ficam em casa.
Entre as ocorrências mais apontadas pelos entrevistados, os problemas gastrointestinais (47%) se destacam. Não por acaso, de acordo com o Núcleo Especializado em Doenças Intestinais Complexas (NEDIC), a diarreia figura entre as principais queixas em passeios ou viagens e costuma se manifestar por volta do décimo dia, com incidência de 30% a 70%.
Na sequência, aparecem os casos de febre, gripe ou infecção respiratória (44,2%), bem como as reações alérgicas (32,2%). Esses quadros costumam estar associados a mudanças de ambiente e de temperatura, ao contato com novas ameaças e à maior circulação de pessoas — fatores que aumentam a exposição a vírus, bactérias e outras condições que podem comprometer a saúde.
Saúde: como os brasileiros se preparam antes de viajar?
Antes de embarcarem rumo a novos lugares, grande parcela dos viajantes incluem cuidados preventivos no planejamento: manter a vacinação em dia (56,8%) é a principal medida tomada, seguida pela montagem de um kit de primeiros socorros (55,4%) e pela consulta médica (38,4%), cuidados com a saúde que começam ainda na fase de preparação da viagem.
Tal cautela, aliás, também se reflete na bagagem. Ao organizar a mala, os brasileiros tendem a priorizar itens que ajudam a lidar com imprevistos durante os dias fora. Medicamentos para dor e febre (79,8%) lideram o que os viajantes afirmam não esquecer, seguidos pelo protetor solar (66,2%) e por antialérgicos e repelentes (65,2%). A escolha desses itens funciona como um primeiro recurso para resolver apertos mais simples sem depender de uma farmácia ou de um serviço de saúde por perto.
Para Anderson Zilli, CEO do Olá Doutor, esse comportamento reflete uma preocupação comum na forma como as pessoas encaram as viagens. “O brasileiro tem entendido que cuidar da saúde é tão essencial quanto reservar a hospedagem ou comprar passagem”, afirma. “Manter os exames em dia e levar um kit básico com medicamentos ajuda a evitar que um problema pequeno se transforme em um grande transtorno, especialmente quando o acesso a um serviço de saúde é mais difícil.”
Por que se consultar durante uma viagem é tão complicado?
Em um destino distante ou desconhecido, nem sempre é fácil saber onde procurar ajuda. Os serviços de saúde podem ser diferentes e, em viagens internacionais, a barreira do idioma torna o atendimento ainda mais desafiador.
Nesse contexto, a principal dificuldade relatada pelos brasileiros é justamente não saber onde buscar atendimento (28%), seguida do tempo de espera (25%) e dos custos envolvidos (20%). Longe de casa, a desorientação, demora e incerteza sobre os valores podem adiar a procura por atendimento justamente quando uma orientação médica faz diferença.


