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    Negócios

    CÉLIA CIMBALYSTA NA GALERIA TEO 26 DE MARÇO A 30 DE JUNHO

    Meio & NegócioBy Meio & Negócio25 de março de 2026Nenhum comentário9 Mins Read
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    A Galeria Teo apresenta Encontros Insólitos, exposição que coloca em diálogo o mobiliário moderno brasileiro e a arte escultórica em cerâmica e ferro de Célia Cymbalista.

    A mostra se estrutura em dois momentos complementares e independentes, com uma apresentação ampliada na sede da Galeria Teo, entre 26 de março e 30 de junho de 2026, e desdobramento na SP-Arte 2026, de 08 a 12 de abril, no Setor Design.

    Dedicada ao design moderno brasileiro, a Galeria Teo constrói, ao longo de quase duas décadas, uma atuação pautada por pesquisa, curadoria e restauro especializado. Em Encontros Insólitos, esse repertório histórico é ativado por uma articulação curatorial que amplia sua leitura e desloca seus limites.

    O encontro entre linguagens antecede o próprio desenho da exposição. Da fricção entre a cultura material modernista e a pesquisa escultórica de Cymbalista emerge uma investigação sobre fronteiras entre obra e uso,
    singularidade e repetição, rigor e gesto.

    No modernismo, forma e função constroem um pacto de equilíbrio. Na produção de Cymbalista, equilíbrio é sempre um estado instável. Ao aproximá-los, a exposição desloca o olhar. O mobiliário deixa de ser apenas
    objeto de uso e se afirma como gesto cultural, enquanto a escultura deixa de ser apenas presença simbólica e se revela como construção material. Cada linguagem ilumina a outra.

    A curadoria e a expografia são assinadas por Teo Vilela Gomes e Claudio Novaes. No núcleo artístico dedicado à artista, a historiadora da arte e gestora cultural Lorette Coen atua como co-curadora, conferindo densidade crítica e articulação conceitual à leitura das obras.

    As duas apresentações partilham o mesmo eixo conceitual e assumem configurações próprias. Na galeria, o diálogo se desenvolve em percurso mais amplo e imersivo, enquanto na SP-Arte se apresenta de forma mais
    concentrada e precisa.

     

    ENSAIO CURATORIAL | LORETTE COEN
    Encontros insólitos
    Célia Cymbalista na Galeria Teo

    O encontro entre Célia Cymbalista e Teo Vilela foi fortuito. Uma surpresa para ambos. Ela, figura da cerâmica como arte; ele, alma da Galeria Teo dedicada ao melhor do design moderno brasileiro. Se conheceram e de imediato estabeleceu-se um diálogo. O desejo de mostrar o trabalho de Célia no espaço da galeria e na SP-Arte se revelou e amadureceu com o apoio e a cumplicidade de toda a equipe que, de maneira proficiente, faz as exposições surgirem no mundo.

    Assim criou-se outro fértil encontro: aquele do belo mobiliário nacional das décadas de 1930 a 1970 com as obras pujantes de Célia. Percebendo a riqueza contida na proposta, a Galeria Teo suscita um diálogo — ou talvez um confronto. Ou ambos, no intuito de estimular perguntas e reflexões e, mais diretamente, de refrescar o olhar.

    Escolhendo a cerâmica como modo de expressão, Célia Cymbalista sempre situou seu trabalho na estreita divisa entre obra de arte e peça utilitária, transpondo sistematicamente essa fronteira convencional. Não busca a perfeição. Às vezes, suas peças apresentam textura rugosa, granulada. Captam sombras e luzes, ressoam ecos e reminiscências, aludem discretamente a culturas outras, alcançam equilíbrios além do formal. E não param por aí:
    expressam, afirmam, sorriem, interrogam, lembram. Demonstram total indiferença ao espírito decorativo.

    Que fazem suas peças únicas na companhia do mobiliário da galeria?
    Divertem-se. Rompem a ordem do design polido, elegante, refinado e por vezes austero. Contestam seu rigoroso acabamento, que faz sua força e também seu limite. Ao estilo opõem o acidental. Iluminam o lado sombrio da madeira, acentuam o encanto do design brasileiro. Ao caráter potencialmente replicável, opõem a obra única e sem limite. As peças explicam-se mutuamente. Um sopro vital anima o espaço. Exaltando com sutileza a relação entre terra e madeira, a Galeria Teo revela a fertilidade do encontro. A beleza instala-se como necessidade.

     

    CÉLIA CYMBALISTA | MATÉRIA COMO LIGUAGEM
    O trabalho de Célia Cymbalista desenvolve-se a partir de recorrências formais que emergem de maneira intuitiva, por vezes com longos intervalos entre uma aparição e outra. Há em sua produção uma espécie de memória interna da forma, um repertório silencioso que reaparece ao longo dos anos. Posteriormente, a artista reconhece nessas imagens afinidades estruturais com artefatos ancestrais, não como citações literais, mas como ressonâncias entre matéria, gesto e tempo.

    A matéria ocupa posição central em sua pesquisa. Mais do que suporte, ela é linguagem. Tensões, marcas, acidentes e irregularidades não são corrigidos, mas incorporados à estrutura da obra. Seu trabalho nasce desse estado de escuta do comportamento do material, em que o processo se torna parte constitutiva da forma.

    A investigação orienta-se frequentemente pelos limites físicos e estruturais da cerâmica e do ferro. Peças de grande escala, extremamente finas, implicam risco elevado durante a execução e a queima. Muitas delas existem no limiar do equilíbrio, apoiando-se em poucos pontos de contato. Um deslocamento mínimo pode levá-las à queda. Essa tensão permanente constitui elemento essencial de sua poética. Há, nessas esculturas, um paradoxo recorrente, objetos de presença densa e materialidade intensa que ocupam o espaço de forma leve, quase suspensa.
    A física do equilíbrio e a química da transformação do barro em cerâmica atravessam sua produção. Diferentemente de quem esculpe pedra e termina com pedra, Cymbalista inicia com barro e finaliza com cerâmica, materiais radicalmente distintos.
    Sob a curadoria de Lorette Coen, as obras em cerâmica instauram no espaço uma dimensão sensível e experimental, tensionam materiais e funções e ampliam a leitura do acervo histórico da Galeria Teo. Nesse encontro, o design se afirma como campo vivo, aberto a novas interpretações e ressonâncias
    contemporâneas.
    Sem títulos, suas obras preservam a abertura de sentidos e privilegiam a relação direta entre objeto, espaço e espectador. Indiferentes ao espírito decorativo, não existem para completar o espaço, mas para ativá-lo.

     

    SOBRE A ARTISTA | CÉLIA CYMBALISTA
    Reconhecida por seu desempenho artístico, Célia Cymbalista atuou com vigor para uma melhor apreensão da cerâmica como expressão no cenário brasileiro, indiferentemente das categorias. Trabalhou também como formadora. Ulteriormente, estendeu seu engajamento à ação socioambiental. Nascida em São Paulo em 1943, passou por várias fases de aprendizagem e pesquisas, com residências em centros artísticos como Alfred University nos Estados Unidos e o Centro international de artistas em residence e centro de pesquisa para a ceramica (EKWC) em ‘s Hertogenbosch (NL), desenvolvendo seu domínio das matérias e das técnicas, afirmando-se tanto no campo do utilitário como no da obra plástica, sem solução de continuidade.

    Seu período de produção mais intenso se estendeu dos meados dos anos oitentas até o início do seculo XXI, com exposições em museus e centros de arte prestigiosos, entre outros: o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museu de arte moderna de São Paulo (MAM), a Pinacoteca de São Paulo, o Instituto Moreira Salles Paulista e Stedelijk Museum Schiedam, na Holanda. Obras de Célia estão conservadas em acervos institucionais importantes.

     

    SOBRE A CURADORA ARTÍSTICA | LORETTE COEN
    Lorette Coen, 1943, nasceu em Alexandria, Egito, vive entre Lausanne, na Suíça, e São Paulo. Se formou em filosofia, história, história da arte e literatura nas Universidades de Lausanne e Paris VIII. Trabalhou como jornalista, ensaísta, curadora de exposições na Suíça, na França e na Espanha. Publicou vários estudos e livros sobre arte, design, arquitetura, urbanismo e paisagem. Presidiu a Comissão Suíça de Design, participou de diversos júris europeus, lançou e dirigiu projetos socioculturais de grande porte. Em 2020, recebeu o Prix de l’Éveil da Fondation vaudoise pour la culture. Exerce uma atividade de conselheira artística e escreve.

     

    SOBRE A GALERIA TEO
    A Galeria Teo é dedicada ao design moderno brasileiro, com foco na produção das décadas de 1930 a 1970. Seu acervo reúne mobiliário histórico e peças autorais que revelam a força construtiva, material e cultural do modernismo no Brasil.
    Fundada pelos irmãos Lis e Teo Vilela Gomes, a galeria atua com pesquisa, curadoria e restauro especializado, valorizando tanto a autoria quanto o trabalho artesanal que sustenta essa tradição. Nesse contexto, o design é
    compreendido como expressão de matéria, gesto e tempo.
    Com sede em São Paulo, a Galeria Teo promove exposições e encontros que ampliam o diálogo entre design, arte e memória. Em breve, expande suas atividades para a Alameda Cleveland, reunindo acervo e oficinas de restauro
    em espaço aberto ao público.

     

    https://casateo.com.br/ | Instagram @galeriateo

     

    PRESS KIT
    Imagens: André Klotz (editorial) e Ramanaik Bueno (still)
    https://drive.google.com/drive/u/1/folders/1MkOUJN_jEN5vxmIsDTdhX8MF
    tbKQZDFK?hl=en

     

    GALERIA TEO NA SP-ARTE 2026
    Como desdobramento da exposição Encontros Insólitos, o projeto também se apresenta na SP-Arte 2026, no Setor Design, entre 08 e 12 de abril. A participação na feira se insere na trajetória da Galeria Teo de valorização do mobiliário moderno. Ao longo dos anos, a galeria consolidou seu papel ao apresentar, em diferentes edições, seleções de seu acervo concebidas com rigor curatorial, capazes de evidenciar distintas narrativas do design das
    décadas de 1930 a 1970, no Brasil e no exterior.
    Na SP-Arte 2026, o estande articula o mobiliário modernista do acervo da galeria e a arte escultórica de Célia Cymbalista, em diferentes escalas e suportes. A seleção reúne peças representativas do design moderno nacional e internacional, atravessando diferentes momentos, linguagens e materiais do século XX.
    Entre os destaques estão o bar Gávea, em jacarandá, de Jorge Zalszupin, e a mesa extensível de Jean Gillon, também em jacarandá. O conjunto inclui ainda a poltrona Amanta, de Mario Bellini; a luminária Mongolfiera 2491, de Gianni Celada para a Fontana Arte; além de peças de autoria não identificada que ampliam a diversidade do design moderno apresentado.
    Em diálogo com o conjunto, a produção escultórica de Cymbalista percorre trabalhos em que as marcas do processo, tensões e acidentes permanecem visíveis, incorporando limites estruturais e equilíbrio à própria constituição da forma. Em cerâmica e ferro, suas obras introduzem ao espaço uma dimensão sensível e experimental, ativando contrastes e afinidades entre materiais e funções.
    Em aproximação com o acervo histórico da Galeria Teo, essas obras reafirmam o design como campo vivo, aberto a novas leituras e ressonâncias contemporâneas.

     

    SERVIÇO
    ENCONTROS INSÓLITOS | GALERIA TEO
    26 de março a 30 de junho de 2026
    Abertura
    26 de março de 2026 | 19h
    Galeria Teo
    Rua João Moura, 1298
    São Paulo, SP — 05412-003 — Brasil
    +55 11 3063-1939
    Horário de funcionamento
    Segunda a sexta, das 9h às 18h
    Sábado, das 10h às 14h

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