Antes de “omnichannel” virar pauta de reunião de diretoria no Brasil, Andrea Rios já estudava o assunto. Em 2014, no mestrado em Administração de Empresas na FGV, ela pesquisava como as empresas faziam (ou deixavam de fazer) a transição de canais isolados para uma operação de fato integrada. Dessa pesquisa, criou uma metodologia própria de avaliação de maturidade, o Índice Omnichannel Orcas, que, alguns anos depois, deu origem à consultoria de mesmo nome.
O trabalho ganhou reconhecimento acadêmico e de mercado. Em parceria com o Magazine Luiza, o estudo rendeu uma publicação na RAE-Executivo, revista da Fundação Getúlio Vargas, em 2019. A partir daí, o Índice Orcas já foi aplicado em mais de 60 empresas.
Agora, essa tese ganha um novo capítulo com o ORCAS Intelligence, plataforma de inteligência que leva relatórios e índices ao mercado e amplia o método original para a nova perspectiva do varejo. Agora, a pergunta central não é mais se “a companhia integrou seus canais?”, mas sim “o que ela está fazendo com a estrutura que construiu?”.
“Quando começamos a falar disso, o desafio era fazer os canais deixarem de operar de forma isolada. Hoje, essa integração já é realidade em muitas empresas. O que mudou foi a visão sobre o que a organização está fazendo com toda a informação e a estrutura que montou”, diz Andrea Rios, fundadora e CEO da ORCAS.
A base virou infraestrutura e a inteligência virou diferencial
Para a ORCAS, integrar canais físicos e digitais deixou de ser vantagem competitiva e passou a ser requisito básico. O que distingue as empresas agora é a capacidade de ler os dados que essa estrutura gera, antecipar comportamento e transformar informação em decisão.
É justamente essa leitura que a plataforma de inteligência traduz em números. Seu primeiro estudo, o ORCAS Intelligence Report 2026, que comparou 20 varejistas do Brasil e da Europa, chegou a um diagnóstico direto: na maioria dos casos, a base omnichannel já está pronta, mas a IA segue como uma alavanca ainda pouco usada. A medição cruza duas dimensões, a maturidade omnichannel e a aplicação de inteligência artificial sobre ela, associando à curadoria de especialistas e atribuindo um nível de confiança a cada item avaliado.
“A inteligência artificial não substitui a estratégia omnichannel, mas amplia o alcance dela. Quanto mais conectada a operação, mais dados a empresa tem para usar, e melhores as decisões que consegue tomar”, afirma Andrea.
De executiva global a estudiosa do próprio mercado
A forma multidisciplinar como a ORCAS trabalha reflete a trajetória de sua fundadora. Andrea passou dez anos na Unilever, em Marketing e Trade Marketing, e outros sete em telecomunicações, com passagens por Samsung e Motorola. Foi observando a transformação das empresas por dentro, de ângulos diferentes, que ela decidiu estudar a fundo o que via acontecer.
“Minha carreira me deu a chance de enxergar a transformação das empresas por vários ângulos. Quando comecei a estudar essa integração, percebi que a questão era estrutural. Não dizia respeito só ao varejo ou à tecnologia, mas à própria forma de fazer negócio”, conta.
Em 2020, fundou a ORCAS para levar esse conhecimento a empresas que precisavam estruturar ou acelerar a própria transformação. Desde então, a consultoria atende organizações B2C e B2B de setores e portes variados, além de seguir na área acadêmica como professora convidada do MBA da FGV.
“A tecnologia está mudando processos, comportamentos e modelos de negócio numa velocidade que as empresas e profissionais precisam revisar estratégias o tempo todo. Estudar deixou de ser opcional”, diz a CEO.
Da integração à inteligência aplicada
A evolução da ORCAS acompanha a do próprio mercado. Se o primeiro desafio era ajudar as empresas a entender e estruturar a integração entre canais, o foco agora é como usar essa infraestrutura para gerar inteligência e crescimento. Para Andrea, isso exige parar de tratar tecnologia, marketing, vendas e experiência do cliente como frentes separadas.
“O futuro não está em ter mais canais ou mais tecnologia. Está em conectar estratégia, dados, pessoas e tecnologia para decidir melhor. É essa convergência que transforma uma operação integrada em crescimento”, conclui.
