*Por Gustavo Catenacci
O ano de 2020 terminou, mas as lições que nos deixou foram muitas, entre elas a
importância da saúde financeira das empresas e de investimentos inteligentes. A
renda fixa foi extremamente prejudicada em razão do corte constante da Selic – a taxa
que representa os juros básicos da economia – atualmente em 2% ao ano e que
sofreu nove reduções consecutivas. Em um breve comparativo, em 2016, a taxa
estava em 14,25% a.a. O desempenho ruim e a expectativa da Selic abaixo dos dois
dígitos nos próximos anos fizeram a renda fixa sofrer o maior enfraquecimento entre
os fundos, R$ 95,2 bilhões no primeiro semestre de 2020. A Selic afundou, também, o
rendimento da poupança, equivalente a 70% da taxa, ou seja, 1,4% a.a, ou 0,12% ao
mês.
No Brasil, segundo estudo do Sebrae, as Pequenas e Médias Empresas (PMEs)
somam mais de 20 milhões de negócios e geram mais de 50% da mão de obra
brasileira. Pesquisa da Delloite mostra que, diante da crise instaurada em 2020, em
decorrência da pandemia de coronavírus, para que a recuperação dos negócios
comece a prosperar, ainda em 2021, a ampliação da oferta de crédito (69%) e o apoio
às PMEs (68%) são consideradas prioridades pelo empresariado. Entretanto, é preciso
avaliar e identificar cenários de risco e qual a melhor alternativa de investimento.
Para 2021, a dica é: acompanhar a inflação. O mercado segue a evolução do controle
da pandemia. O equilíbrio de riscos da inflação vinha apresentando melhoras e vai
seguir otimizado caso não haja uma brusca depreciação cambial. É o que sugerem
instituições financeiras. Além disso, em um cenário otimista, a política fiscal não pode
sair dos eixos e trazer consequências no valor do dólar, na inflação e nem aumentar a
taxa de juros. O Brasil segue a política de reformas mínimas e o Banco Central deve,
claro, seguir com estratégias de retomada da economia. Ferramentas de análise de
riscos podem auxiliar na gestão dos negócios, controle de lançamentos, apuração de
tributos e, consequentemente, redução dos riscos ficais. Países como a Austrália, por
exemplo, tornaram a adoção destas ferramentas obrigatória. Uma empresa que preza
pela saudabilidade financeira, transparência e investe em ferramentas de análise de
riscos, facilmente conseguirá uma avaliação positiva de crédito devido a estimativas
positivas de pagamentos.
As alternativas à renda fixa são variadas. Com a Selic em índices mínimos, um novo
mercado se abre. Não apenas os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos
Creditórios), quando uma empresa oferece a um terceiro o direito de receber um valor
a ser pago futuramente, mas também o crédito consignado pode ser uma boa
oportunidade para o pequeno ou médio empreendedor. Neste caso, os empréstimos
pessoais têm suas parcelas debitadas diretamente na folha de pagamento ou
benefício de pessoa física. Ele pode ser fornecido a profissionais do setor público e
também para empresas e trabalhadores com carteira assinada do setor privado. As
taxas de juros, mensais e anuais, estão disponíveis para consulta no site do Banco
Central.
Apostou no crédito privado e quer gerar novas oportunidades de investimento?
Distribuir entre as modalidades disponíveis no mercado é interessante. Mas é
necessário analisar o perfil de investimento, estudá-lo e determinar qual o objetivo
deseja-se alcançar. Buscar a orientação de especialistas e gestores financeiros
experientes, capacitados em realizar o benchmark e pulverização do investimento é
essencial. Profissionais capacitados do mercado podem auxiliar na garantia de
retorno, planejamento e a evitar efeitos colaterais de uma aposta falha.
Em relação aos Fundos Imobiliários, um estudo da PwC, realizado antes da pandemia
de Covid-19, mostrou que a modalidade era prioritária entre investidores. A
participação deste produto dobrou e passou de 5%, em 2015, para 10%, em 2020.
Com a desaceleração da pandemia, é possível prever a retomada de investimentos.
No ano passado, apesar da descrença no setor, o volume liberado pelos bancos
alcançou alta de 29% ou R$ 43,4 bilhões no primeiro semestre, quando comparado a
2019, segundo a Abecip, associação das instituições financeiras que trabalham com
crédito imobiliário. A recuperação do segmento é alavancada por pessoas físicas.
Outra vertente pouco conhecida é o Home Equity, empréstimo com móvel de garantia.
Comum nos Estados Unidos e na Europa, permite a cobrança de juros baixos e a
possibilidade de pagamento em um prazo maior. A vantagem é a cobrança de juros
menores, o pagamento de taxas mais baixas em prazos longínquos.
Para além dos investimentos de créditos existem outras alternativas. É o caso da
Securitização, que faz a conversão de dívidas de credores em dívidas com
investidores por meio da venda de títulos. É uma maneira de antecipar valores para a
viabilização de ações e empreendimentos.
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Cabe ressaltar que os pequenos e médios empreendedores podem contar com o
apoio de consultores de crédito para buscar o melhor caminho para seus
investimentos e objetivos. Consultorias de créditos são aliadas das PMEs neste
sentido. No mundo pós-pandemia e de retomada econômica, saber qual modalidade
investir e obter orientação em benefício da saúde financeira é fundamental para
contribuir com um cenário de desenvolvimento e consolidação dos negócios.
*Gustavo Catenacci é CEO da Credit Brasil, empresa com mais de 24 anos de experiência em
gestão de fundos e antecipação de recebíveis. Gustavo é formado em administração de empresas
pelo Insper, com passagem pela Harvard Business School.
Sobre o grupo Credit Brasil
O Grupo Credit Brasil tem mais de 24 anos no mercado de direitos creditórios. Depois de um
processo de digitalização, lançou em 2021 as subsidiárias CB Partners e CB Consult, com a
oferta de inteligência de crédito e de novos produtos financeiros. Seu volume anual de
operações é de R$ 2 bilhões ao ano.
