O desenvolvimento econômico depende do crescimento e fortalecimento de empresas emergentes, de alto crescimento, também conhecidas como scale-ups. E isto passa pelo acesso ao mercado de capitais, para financiar este crescimento. Apesar do cenário econômico desafiador esperado para o ano, 2022 pode representar um salto neste acesso por diferentes razões.
Estudos da Endeavor, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que as scale-ups conseguem gerar mais empregos e com melhores salários que a média das empresas. Um estudo da OCDE em 18 países indicou que as pequenas empresas jovens contribuem com mais de 40% dos empregos criados, mais do que empresas mais antigas ou maiores.
O mesmo estudo da OCDE aponta que um dos problemas enfrentados pelas empresas emergentes para acelerar o seu crescimento é o acesso a capitais. A instituição reconhece a existência de gaps de capital para negócios inovadores, com ativos intangíveis, ou diante de transições importantes de negócios, como a internacionalização.
No Brasil, isto fica evidente quando pensamos que para muitas dessas empresas o único capital disponível é o crédito. De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa de juros anual média cobrada das pessoas jurídicas ficou 42,31 pontos percentuais acima da Selic no ano de 2021, o que representa um custo de capital elevado para os empreendedores.
Isto torna ainda mais importante os movimentos do mercado de capitais neste ano para dar acesso ao mercado de capitais para essas empresas de alto crescimento. Iniciativas como a nova regulação do equity crowdfunding (estratégia de captação de recursos que conecta investidores a startups e pequenas empresas com alto potencial de expansão), prevista na agenda regulatória de 2022, podem oferecer novos canais de financiamento para as empresas emergentes.
No primeiro semestre deste ano terá início a operação das empresas aprovadas no sandbox regulatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o que aquecerá ainda mais esse setor. Para investidores, em um momento de maior volatilidade do mercado, essas medidas oferecerão novas oportunidades de diversificação de carteira de investimentos, com o acesso a ativos regulados emitidos por empresas que crescem de forma acelerada mesmo em um contexto desafiador para a economia.
Por esses motivos, estamos confiantes com as perspectivas para 2022. Mesmo diante de turbulências, o mercado de capitais e as empresas emergentes estão conseguindo encontrar caminhos para crescer e se desenvolver no Brasil, de forma consistente e sustentável.
Patrícia Stille, CEO da beegin e da BEE4
