Quem fechou o Day1 Endeavor nesta segunda-feira (26), na Sala São Paulo, foi Mariano Gomide, cofundador da VTEX. Ele contou que, em mais de duas décadas empreendendo, consegue identificar cerca de poucos e únicos momentos que definiram sua trajetória.
“A vida de um empreendedor é passar anos se preparando para alguns poucos dias que fazem toda a diferença”, afirmou.
A maior empresa do mundo aposta na menor
Em 2008, a VTEX, com apenas 14 funcionários, sem caixa e com os fundadores passando meses sem salário, disputava um contrato com o Walmart. A empresa havia vencido as etapas técnica e comercial, mas era pequena demais para atender às exigências de contratação de uma das maiores varejistas do mundo.
Mesmo assim, executivos do Walmart decidiram apostar na tecnologia brasileira. Deram 30 dias para que a VTEX apresentasse uma equipe capaz de executar o projeto. Sem recursos, Mariano e Geraldo compraram uma empresa, contrataram profissionais e reuniram um time para atender ao cliente.
“Dizíamos que a maior empresa do mundo está contratando a menor empresa do mundo”, contou Mariano.
A VTEX colocou a operação brasileira do Walmart no ar em dez meses, e o contrato abriu caminho para uma nova fase. A empresa saiu de quatro clientes, em 2008, para 1.100 em 2016, expandindo sua atuação para a América Latina, Europa e Estados Unidos.
O dia em que quase desistiram do IPO
Em 2021, chegou outro teste. A VTEX se preparava para abrir capital na Bolsa de Nova York, com uma demanda de investidores equivalente a 26 vezes a oferta de ações. Mas, perto da definição do preço, o mercado pressionou os fundadores a reduzir o valor de US$ 19 para US$ 18 por ação, sob o risco de cancelar a abertura de capital.
Mariano reuniu entre 30 e 40 pessoas da empresa, incluindo executivos, assessores e investidores, para discutir o risco. Todos se posicionaram a favor dos US$ 19.
O IPO aconteceu pelo preço defendido pelos fundadores, e a VTEX encerrou seu primeiro dia na bolsa avaliada em US$ 3,6 bilhões. Para Mariano, mais importante do que o valor de mercado foi o que aconteceu naquela sala: dezenas de pessoas dispostas a assumir juntas o risco de uma decisão.
O dia do seu chamado
Ao negociar um contrato em um país distante escutou barbaridades sobre o nosso país e o preconceito sobre nossa marca Brasil. Isso foi o chamado para o lançamento do movimento #Brazilianengineering que mostra ao mundo o quanto a engenharia brasileira é diferenciada.
Mariano chamou o público a assinar suas empresas produtos e serviços com #Brazilianengineering, marca pública que tenta fazer o mesmo que o #madeinchina fez pela China.
O dia que deu sentido aos outros
Entre tantos contratos, decisões e conquistas, Mariano reservou o momento mais pessoal para o final. Em 2009, perdeu a mãe, depois de quatro anos de luta contra o câncer. Antes de morrer, ela lhe deixou uma frase: “Faça a diferença.”
Ao revisitar os dias que mudaram a empresa, Mariano fez questão de reconhecer as pessoas que apostaram no negócio quando ainda não havia garantias: clientes, investidores, funcionários e, sobretudo, Geraldo, seu sócio de toda a jornada. “Ninguém constrói algo extraordinário sozinho”, afirmou.
Mariano encerrou devolvendo à plateia a mensagem que recebeu da mãe e que carrega até hoje: “Façam a diferença.”
