O consórcio imobiliário chegou a 979,67 mil cotas vendidas entre janeiro e julho de 2026, alta de 40,8% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). O dado não identifica quantos compradores são empresários, mas ajuda a contextualizar uma decisão desse público: como adquirir um imóvel sem comprometer recursos que poderiam financiar estoque, contratações, tecnologia ou expansão?
Juciel Oliveira, fundador e CEO da Monteo, ecossistema que atua no mercado de consórcios e na construção patrimonial de clientes, afirma que começou a desenvolver em 2009 uma estratégia para adquirir ativos sem desembolsar todo o valor de uma vez. A proposta é preservar o capital necessário à empresa e planejar a formação do patrimônio pessoal em separado.
“Eu comecei esse conceito em 2009. A ideia é usar o consórcio para adquirir ativos sem descapitalizar a empresa e perder oportunidades de investimento”, afirma Oliveira. Na estratégia descrita pelo empresário, o consorciado paga as parcelas até a contemplação, utiliza a carta de crédito para comprar um imóvel e, depois, pode direcionar a renda de locação ao pagamento das prestações restantes.
A lógica por trás da estratégia está na diferença entre ter dinheiro disponível e ter dinheiro livre para investir. Para uma empresa, manter recursos em caixa pode ser importante para sustentar a operação e aproveitar oportunidades de crescimento.
O caixa da empresa tem custo de oportunidade
Uma empresa pode ter saldo positivo e ainda precisar daquele dinheiro para cumprir compromissos próximos. Fornecedores podem vencer antes do recebimento das vendas; uma expansão pode exigir estoque, contratações ou tecnologia antes de trazer retorno. O Sebrae alerta que investir recursos próprios e depois ficar sem capital de giro é um erro na gestão financeira de pequenos negócios.
“Quando o empresário usa o caixa da empresa para formar um patrimônio pessoal, ele precisa avaliar o que deixa de fazer no negócio com aquele dinheiro”, diz o CEO da Monteo. A análise envolve projetar receitas e despesas da companhia, manter uma reserva para a operação e definir quanto o empresário pode comprometer com objetivos pessoais sem depender de retiradas imprevistas.
O consórcio distribui os pagamentos ao longo do contrato, mas não elimina a necessidade de planejamento nem garante acesso imediato ao imóvel. A contemplação ocorre por sorteio ou lance e depende dos recursos disponíveis no grupo. Até que ela aconteça, o consorciado paga as parcelas sem contar com a renda do bem que pretende adquirir.
Do crédito à renda de aluguel
Após a contemplação, o empresário pode usar a carta de crédito para comprar um imóvel destinado à locação. A renda obtida pode ajudar a pagar as prestações restantes, fazendo com que o ativo contribua para a própria aquisição. Essa receita, porém, só começa depois da compra e da entrada de um inquilino.
O plano precisa considerar períodos de vacância, manutenção, tributos e outros custos do imóvel. As parcelas também podem ser reajustadas após a contemplação, segundo a ABAC. Por isso, a conta deve continuar viável mesmo se o imóvel ficar desocupado ou se o aluguel recebido for menor do que o esperado. blog.abac.org.br
Para avaliar a estratégia, Oliveira recomenda que o empresário examine três pontos:
Capital de giro: quanto a companhia precisa manter para fornecedores, folha, impostos, estoque e investimentos previstos.
Capacidade pessoal de pagamento: se a renda do empresário cobre as parcelas durante o período de espera pela contemplação e em meses sem aluguel.
Custo total: taxa de administração, reajustes contratuais e despesas de aquisição e manutenção do imóvel.
“Depois da contemplação, o imóvel pode gerar uma receita que contribua para pagar as parcelas. O empresário precisa planejar o período até a locação e não depender do aluguel para manter a empresa”, afirma Oliveira.
