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    Home»Notícias»Zumbido no ouvido também afeta crianças e adolescentes
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    Zumbido no ouvido também afeta crianças e adolescentes

    Meio & NegócioBy Meio & Negócio9 de fevereiro de 2024Nenhum comentário5 Mins Read
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    Especialista explica fatores que podem desencadear o problema

    O Ministério da Saúde define zumbido como sensação sonora não relacionada com uma fonte externa de estimulação. Pode lembrar um chiado, apito, cigarra, cachoeira, panela de pressão ou, mais raramente, o barulho do coração batendo no ouvido ou alguns cliques e estalos. Alguns ouvem o zumbido somente no silêncio ou quando prestam atenção em seus ouvidos; outros ouvem o dia todo. Ainda segundo a pasta, cerca de 25 a 28 milhões de pessoas no Brasil sofrem com o zumbido nos ouvidos, sendo mais comum a partir dos 40 anos. E quando ocorre em crianças e adolescentes? Para Tanit Sanchez, otorrinolaringologista, Livre-Docente da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisadora do ouvido há 30 anos, foi uma surpresa o resultado de suas pesquisas com jovens, pois pensava-se que este sintoma era típico de pessoas mais velhas.

    “Foram necessárias duas pesquisas com crianças e adolescentes para vermos que isso não era verdade, pois os jovens frequentemente têm zumbido como os adultos; a diferença  é que eles se adaptam mais naturalmente e dificilmente sofrem com isso”. Os fatores encontrados nesses jovens foram a exposição aos ruídos das músicas altas nas festas, danceterias, baladas e pelos fones de ouvido. O hábito de alimentação não saudável também foi muito comum, como abuso de doces, frituras, gorduras e carboidratos, além do estresse, pois “crianças e adolescentes também têm agenda cheia”, relata.

    Dra. Tanit Ganz Sanchez – Foto divulgação

    A médica diz que o zumbido costuma ser consequência de uma perda auditiva mesmo que a pessoa não perceba, pois ela costuma ser mostrada no exame de audiometria — exame que consegue mensurar a audição. Segundo a Dra. Tanit, sua pesquisa comprovou que muitas crianças e adolescentes com zumbido ainda não tinham perda auditiva. “Isso nos fez pensar que aqueles ouvidos são mais sensíveis aos sons que os ouvidos de adolescentes que não têm zumbido e, portanto, lançam um sinal mais precoce dessa vulnerabilidade. Depois, ao longo dos anos, com mais exposição ao ruído, esses podem ser os adolescentes que, de fato, vão evoluir com perda auditiva”, explica.

    Zumbido: sintoma ou doença?

    Tanit Sanchez comenta que o zumbido sempre é um sintoma e o compara à dor de cabeça. “Não dá para dizer que dor de cabeça e zumbido são doenças. Ambos são sintomas de inúmeras doenças. É claro que o zumbido pode ser sintoma de uma doença que acomete o ouvido, mas também pode ser sintoma de uma doença que acomete o sistema digestivo, neurológico, osteomuscular e até pode ser reflexo de sobrecarga emocional. A gravidade vai depender do diagnóstico, ou seja, a qual doença este zumbido pertence, e do número de repercussões que ele provoca na qualidade de vida da pessoa, principalmente depois de passar da infância e da adolescência, pois os jovens naturalizam o zumbido. Em geral, adultos e idosos se preocupam mais e podem ter uma dificuldade de dormir, de se concentrar, de manter vida social porque o zumbido piora com ruído, e também de sustentar um equilíbrio emocional, pois vários pacientes acabam evoluindo para ansiedade ou depressão”, detalha.

    Pais atentos

    A médica acredita que os pais precisam ter mais consciência sobre o assunto. Sempre vale uma conversa aberta sobre os perigos da música alta pelo fone ou nas festas, além de monitorar o volume dos sons quando os filhos estão com fones de ouvido e prestar atenção, especificamente, se o som escapa do fone para o ambiente.

    “Quando nossos filhos, sejam crianças ou adolescentes vão às baladas, o ideal é entenderem que usar protetor de ouvido é uma atitude de quem tem consciência”, orienta a médica.

    Tratamentos

    De acordo com a otorrinolaringologista, medicamentos e/ou suplementos podem ser usados de acordo com os resultados dos exames de sangue que pontuam as alterações no organismo de cada paciente. Ela destaca a melhora de hábitos alimentares para quem consome muita cafeína, carboidratos, farináceos e laticínios que alteram os vasos sanguíneos e dificultam a circulação no ouvido. Adicionalmente, a terapia sonora e os aparelhos auditivos também podem ajudar no tratamento. “Mas essa especificação do tratamento é individual e depende se o paciente é criança, adolescente, adulto ou idoso, assim como da existência de uma perda auditiva junto com esse zumbido e do grau de sofrimento que o paciente tem na qualidade de vida”.

    Proteger a audição

    Tanit fala que o ruído está em todas as partes, inclusive no trânsito, no trabalho e nas atividades de lazer. É fundamental tomar cuidado com a exposição aos sons e os fones de ouvido e “tentar não usar mais que duas horas seguidas e não ultrapassar metade do volume que o aparelho fornece. Para os sons dos ambientes como festas, shows, vale a pena usar protetor de ouvido e fazer 10 minutos de intervalo a cada hora de exposição. Fazendo esses descansos, a pessoa tem mais chance de sair do local do mesmo jeito que entrou, ou seja, sem perda de audição nem zumbido”, alerta.

    Outro ponto é a alimentação saudável. A médica lembra que o ouvido tem um único vaso sanguíneo que é responsável por toda a nutrição dele 24 horas por dia, inclusive enquanto nós dormimos e, portanto, ele é dependente de receber energia suficiente para esse trabalho contínuo. “Precisamos caprichar no aporte de nutrientes para que não cheguem coisas tóxicas pelos vasos sanguíneos aos ouvidos. Uma alimentação com menos carboidratos, bastante hidratação e sem abuso de cafeína e álcool pode ajudar bastante a prevenir zumbido e perda de audição”, salienta.

    O ouvido também é vulnerável às mudanças da química cerebral. A otorrinolaringologista afirma que pessoas mais estressadas, com liberação maior de adrenalina e noradrenalina, podem ter comprometimento da função do ouvido, seja com zumbido, com perda de audição ou com problemas de equilíbrio. “Ter coisas que nos relaxam, nos deixam felizes e em paz, mesmo que temporariamente, pode ajudar a equilibrar nossa química cerebral”, finaliza.

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