Não é apenas um termo em alta, a medicina integrativa é uma abordagem de cuidados de saúde que combina tratamentos convencionais com práticas e terapias complementares, que diferente da medicina tradicional não se concentra exclusivamente na doença e seus sintomas, mas sim na causa. É uma visão global e integral do paciente. Segundo a ginecologista Juliana Risso, médica com ampla experiência em medicina integrativa, é um tratamento personalizado, reconhecendo que cada pessoa é única e pode responder de maneira diferente a diferentes abordagens terapêuticas. “O objetivo final é melhorar a qualidade de vida dos pacientes, prevenir doenças e abordar as causas subjacentes dos problemas de saúde, em vez de simplesmente tratar os sintomas de forma isolada”, diz.
Ela explica que a medicina integrativa pode colaborar com a medicina tradicional ao incorporar abordagens complementares para melhorar a saúde e o bem-estar do paciente. A medicina integrativa considera a pessoa como um todo, incluindo não apenas os sintomas físicos, e, sim, os aspectos emocionais, sociais e espirituais. Essa abordagem complementa a visão mais focalizada da medicina tradicional que, muitas vezes, concentra-se apenas nos sintomas específicos.
Integrar abordagens personalizadas, incluindo terapias complementares, pode levar a melhor compreensão das necessidades individuais do paciente. Na prevenção, a medicina integrativa procura identificar e abordar as causas subjacentes de possíveis problemas de saúde que podem surgir. A medicina integrativa pode adicionar estratégias preventivas como mudanças na dieta, exercícios específicos e terapias mente-corpo que podemos chamar de construção de uma ”reserva de saúde”.
O alívio de sintomas e efeitos colaterais de certas terapias integrativas, como acupuntura e técnicas de relaxamento, como meditação e medicina ortomolecular, podem ser utilizadas para ajudar no alívio de sintomas e efeitos colaterais associados aos tratamentos médicos convencionais, como quimioterapia e radioterapia. A colaboração entre profissionais de saúde de diferentes áreas é incentivada pela medicina integrativa. Isso significa que médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e profissionais de terapias complementares podem trabalhar juntos para fornecer uma abordagem mais abrangente ao cuidado do paciente.
As evidências científicas nas práticas integrativas buscam incorporar abordagens que tenham apoio científico sólido, ajudando a garantir que os tratamentos sejam seguros e eficazes. “Ao integrar esses elementos, a medicina integrativa pode fortalecer a abordagem tradicional, proporcionando opções adicionais e promovendo uma visão mais ampla da saúde e do tratamento médico. Essa colaboração pode resultar em melhores resultados para os pacientes, especialmente em casos de condições crônicas ou complexas”, completa a médica.

De acordo com Juliana, os pacientes procuram a medicina integrativa por várias razões, entre elas a abordagem de um tratamento personalizado, prevenção, insatisfação com tratamentos convencionais, integração de terapias complementares, ênfase na qualidade de vida e na busca por alternativas menos invasivas. Risso observa que a medicina integrativa não é uma substituição da medicina tradicional, mas, sim, uma abordagem complementar que busca integrar o melhor dos dois mundos para fornecer cuidados mais abrangentes e personalizados. “Cada paciente é único, suas razões para buscar a medicina integrativa podem variar com base em suas experiências, crenças e necessidades individuais”, destaca.
Segundo o Ministério da Saúde, desde 2006, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde (PNPIC) e, atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, de forma integral e gratuita, 29 procedimentos de Práticas Integrativas e Complementares (PICS) à população. Mas será que os brasileiros têm conhecimento disso ou falta uma difusão maior de informações para o público? Para a médica Juliana Risso, para aumentar a conscientização e a aceitação da medicina integrativa no Brasil, seria importante investir em campanhas educacionais, treinamento de profissionais de saúde e integração dessas práticas nos sistemas de saúde. “À medida que a pesquisa continua a validar certas abordagens da medicina integrativa, é possível que mais brasileiros se tornem conscientes e interessados nessa abordagem para a saúde”, comenta.
Similaridades entre o médico da família e a medicina integrativa
Na opinião de Juliana Risso, o médico da família compartilha algumas semelhanças com a abordagem da medicina integrativa, mas ao mesmo tempo, existem diferenças significativas entre esses conceitos. Ela aponta que ambos os conceitos enfatizam a importância da prevenção de doenças e a promoção da saúde, pois os médicos de família frequentemente trabalham para fornecer cuidados preventivos e educar os pacientes sobre práticas saudáveis. A medicina integrativa também destaca a prevenção como parte integrante do cuidado. “A abordagem terapêutica normalmente é diferente. O médico da família também busca a saúde global, mas suas abordagens terapêuticas podem ser mais convencionais. A medicina integrativa muitas vezes tem uma visão mais ampla da cura, incluindo não apenas a ausência de doença, mas também a promoção do bem-estar e da qualidade de vida”, elucida.
A medicina integrativa pode ser aliada nos tratamentos contra o câncer e a obesidade
A médica conta que a eficácia da medicina integrativa no tratamento do câncer e da obesidade é uma área complexa e está em constante pesquisa. “A medicina integrativa não deve ser vista como uma substituição da medicina convencional, especialmente em casos graves como câncer”, ressalta. Em casos de quadros oncológicos, a médica chama a atenção ao tratamento integrativo, que deve ser visto como complementar ao tradicional para alívio de sintomas, efeitos colaterais e melhora de qualidade de vida do paciente.
Em relação à obesidade, Juliana argumenta que a visão integrativa prega a mudança de estilo de vida como pilar principal junto com a abordagem holística. Os fatores emocionais e psicológicos devem ser considerados e podem contribuir para a doença, proporcionando uma visão mais global, que visa tratar a pessoa como um todo, preconizando a abordagem personalizada, reconhecendo que cada pessoa responde de maneira diferente aos tratamentos. A médica ainda destaca a importância de ao incorporar abordagens integrativas, seja adotado um protocolo fundamental em que os pacientes e o médico integrativo consultem seus médicos assistentes, garantindo que todos os tratamentos sejam coordenados e seguros”, alerta. O acompanhamento rigoroso e a comunicação aberta entre pacientes, médicos e a equipe multidisciplinar são essenciais para garantir a segurança e a eficácia do tratamento.
