Acompanhamento psicológico é importante para que o tratamento oncológico possa fluir melhor
A campanha do Janeiro Branco chama atenção com os cuidados da saúde mental e emocional da população a partir da prevenção de doenças decorrentes do estresse, como ansiedade, depressão e pânico. Mas como trazer o tema aos pacientes oncológicos? Segundo o oncologista Juliano Cé Coelho, a relação da saúde mental com a oncologia é muito próxima. Ele ressalta que é necessário estar atento aos possíveis sintomas de depressão, ansiedade (o mais frequente), que podem vir com a péssima qualidade do sono, a dificuldade de concentração, de fazer planos e sentir prazer nas coisas. Conforme o médico, muitas vezes, o paciente não vai conseguir realizar pequenas tarefas cotidianas. Por exemplo, vai faltar energia para o exercício físico; o indivíduo não vai ter vontade de levantar e fazer caminhada; não vai ter vontade de organizar uma alimentação adequada.

Juliano explica que existem muitos protocolos trabalhosos, com visitas frequentes ao médico, necessidade de exames de sangue, exames de imagem, e isso demanda muito do paciente. Ele destaca que é papel fundamental do oncologista reconhecer quando o paciente está em tempos de maior dificuldade e auxiliá-lo a voltar para o seu basal, não deixando que essas fases ruins se prolonguem, mantendo um diálogo franco, além de colocá-lo a par sobre a situação. O oncologista diz que sempre que o paciente tem condições, é recomendado a busca pelo acompanhamento psiquiátrico ou psicológico, porque receber o diagnóstico de câncer é dificílimo. “Preciso, como oncologista, explicar para o meu paciente, mostrar que existe muita vida além do câncer. Mostrar para ele a importância de fazer planos, de buscar seus hobbies, de entender que a vida não parou, que a gente está num momento que demanda algumas coisas diferentes, mas que a vida não parou. E colocar isso tudo em dia é papel tanto do oncologista, como do familiar, como da rede de apoio”, finaliza.
