O artista e designer gaúcho Tiago Braga, fundador e diretor criativo da Oiamo,apresenta Terra Entre: Camadas de uma paisagem de fronteira, sua primeira exposição individual em Paris.
A mostra inaugura o novo espaço da Brazil Modernist em Paris, um apartamento-galeria preservado desde os anos 1950 e marcado por uma história familiar ligada aos círculos artísticos e intelectuais da Paris do pós-guerra, incluindo a filósofa e escritora Simone de Beauvoir.
Apresentada em Paris durante a Paris Design Week 2026, a exposição terá vernissage em 12 de setembro, e a visitação seguirá de 14 de setembro a 15 de outubro.
O ponto de partida conceitual nasce de uma investigação sobre imaginários e visões do extremo sul do Brasil. O Pampa, bioma de clima temperado que atravessa o sul do Brasil, o Uruguai e a Argentina, constitui um território de fronteira, distante do imaginário tropical frequentemente associado ao Brasil. No trabalho de Braga, essa região é compreendida a partir de suas múltiplas camadas, como clima, deslocamentos, mestiçagens, práticas e conhecimentos compartilhados.
Em Terra Entre, essa investigação assume a forma de obras escultóricas que articulam luz e sombra, volume e textura.
Sem recorrer à representação figurativa, as formas surgem como organismos que habitam um território imaginado. Corpos, vultos e formações orgânicas emergem da lã, atravessando diferentes planos, escalas e suportes.
Os processos criativo e produtivo evoluem simultaneamente em um exercício contínuo de experimentação, na qual a matéria assume distintas densidades até tornar-se a própria estrutura das obras.
O artista utiliza lãs das raças ovinas Corriedale e Moura, provenientes de rebanhos originais do Pampa, obtida durante a tosquia anual, prática essencial ao bem-estar dos animais. A escolha dessa matéria-prima confere à lã uma dimensão simbólica, ao incorporar clima, território, modos de vida e memória.
Sem tingimentos, preserva suas tonalidades naturais e conserva vestígios de sua origem, entre eles a umidade, os ventos, o frio e os ciclos da criação. A elaboração materializa o legado regional. Cada folha de feltro é moldada à mão. A sobreposição dessas camadas cria uma linguagem marcada pelo gesto e pelo processo de transformação da lã.
Concebida como um ecossistema vivo, a instalação abriga essas obras como afloramentos de uma mesma paisagem. Ao habitarem o espaço, estabelecem relações entre si e formam um campo tridimensional.
A trajetória internacional de Tiago Braga inclui participações em galerias, feiras, exposições e plataformas de referência na Europa. Terra Entre amplia esse percurso e marca um novo momento em sua inserção no circuito internacional do design colecionável e da arte contemporânea.
MOSTRA | TERRA ENTRE
Entre as obras apresentadas em Paris, destaca-se Vigília, série inédita de esculturas luminosas de piso produzida em edição limitada de 18 exemplares. Como presenças silenciosas, as peças pontuam o espaço e orientam a experiência da exposição.
Derivas apresenta volumes luminosos de parede e teto que incorporam a superfície arquitetônica à composição, expandindo os limites entre escultura e espaço.
Em Vulto, a lã invade o mobiliário até tornar-se indissociável de sua forma, aproximando arte e design em uma mesma linguagem.
Além dos novos trabalhos, a exposição reúne obras de diferentes momentos da trajetória de Tiago Braga, selecionadas por sua afinidade conceitual com Terra Entre. O conjunto inclui Coxilhas, série limitada de relevos murais em feltro, e os candeeiros Hornero, nos quais a luz amplia essa pesquisa em torno da matéria e da atmosfera.


