A FlowCredi acaba de lançar a 1ª edição do Panorama do Crédito com Garantia de
Imóvel no Brasil, estudo proprietário que passa a acompanhar semestralmente o perfil dos
tomadores, finalidade das operações e distribuição regional da modalidade. Com base nos
contratos firmados no primeiro semestre de 2026, a quitação de dívidas foi a principal
finalidade das operações de crédito com garantia de imóvel (CGI), concentrando 43,7% da
demanda.
Segundo Bruno Gama, CEO da FlowCredi, os dados indicam que hoje a modalidade é
utilizada principalmente como uma ferramenta de reestruturação financeira para pessoas
físicas. “Na maior parte dos casos, o objetivo do contratante é substituir dívidas muito caras,
como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais. Em geral, ele quer
reduzir o custo da dívida e recuperar a sua capacidade financeira”, afirma.
O comportamento ajuda a explicar o avanço da modalidade justamente em um momento de
forte pressão sobre o orçamento das famílias. Dados de maio da Confederação Nacional do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que 81,6% dos lares brasileiros
possuem algum tipo de dívida, o maior patamar da série histórica.
Além do pagamento de dívidas, o Panorama identificou que a realização de investimentos
(33,7%), reforma de imóveis (6,8%) e aquisição de novos bens (2,1%) são outras
motivações que levaram os consumidores a tomar o crédito.
Para Gama, o cenário mostra que o CGI vem deixando de ser um produto de nicho para
assumir diferentes funções dentro do planejamento financeiro.
“Os dados sugerem que os consumidores estão começando a enxergar o patrimônio
imobiliário como um verdadeiro ativo capaz de melhorar a gestão financeira. Em vez de
recorrer automaticamente às linhas mais caras do mercado, eles têm passado a avaliar o
CGI como uma alternativa tanto para reorganizar as finanças quanto para viabilizar projetos
de longo prazo”, argumenta.
Perfil do contratante
O Panorama levantou que a renda média dos contratantes é de R$ 12 mil mensais. Além
disso, o produto é predominantemente contratado por consumidores entre 36 e 55 anos. O
grupo concentra 63,7% das operações, sendo 33,2% na faixa de 36 a 45 anos e 30,5%
entre 46 e 55 anos.
Por outro lado, a participação é significativamente menor nos demais grupos etários.
Consumidores de 56 a 65 anos são responsáveis por 15,8% das operações, enquanto
clientes de 26 a 35 anos respondem por 11,6%. Já os jovens de 18 a 25 anos são
representados apenas por 2,1% da carteira.
Para Gama, o perfil acompanha a lógica da modalidade, uma vez que ele depende da
existência de patrimônio imobiliário, algo que normalmente é constituído ao longo da vida.
“Por isso, é natural que a maior concentração esteja entre tomadores que já passaram pela
fase de formação patrimonial e agora utilizam esse ativo de forma mais estratégica na
gestão das finanças”, avalia.
Além disso, o relatório aponta que quase um terço (32,1%) dos contratos são firmados por
empresários. Segundo o CEO da FlowCredi, a expressiva participação do grupo evidencia
que o produto também vem sendo utilizado como instrumento de financiamento para
empresas.
“Como muitos empreendedores já possuem patrimônio imobiliário constituído,
eles enxergam na modalidade uma alternativa estratégica para investir em projetos de
expansão, aquisição de equipamentos, abertura de novas unidades ou reforço de capital de
giro”, analisa. “Isso é uma boa notícia, porque esse empresário deixa de recorrer às linhas
tradicionais de crédito, geralmente com taxas mais elevadas”, reforça.
Sul e Sudeste respondem por 81,6% das operações
O estudo mostra ainda que o mercado apresenta forte concentração regional. Os estados
do Sul e Sudeste respondem por 81,6% das operações realizadas no primeiro semestre de
2026.
São Paulo lidera com folga, concentrando 48,2% das operações. Na sequência aparecem
Minas Gerais (8,1%), Rio de Janeiro (6,4%), Paraná (6,4%), Santa Catarina (6,4%) e Rio
Grande do Sul (5,8%). Fora desse eixo, Mato Grosso do Sul lidera a participação com 3%
das operações, seguido por Goiás (2,8%), Bahia (2,8%) e Distrito Federal (1,8%).
Para Gama, a concentração regional está ligada a fatores estruturais do mercado, já que o
CGI depende do patrimônio imobiliário e também da liquidez. “Regiões com imóveis mais
valorizados, maior renda e maior apetite das instituições financeiras tendem a concentrar
mais operações. Em áreas mais afastadas, a menor liquidez dos imóveis ainda limita a
expansão da modalidade”, conclui.
