- Solução de gestão em nuvem, desenvolvida especificamente para negócios de reciclagem, já está disponível para empresas paranaenses;
- Apesar do impacto socioeconômico e ambiental, atividade ainda é marcada pela informalidade no país;
- Com sistema de gestão, a curitibana GPS Resíduos apresenta melhorias no processo produtivo.
O Grupo Sygecom, que integra soluções tecnológicas para o setor da reciclagem, anunciou a disponibilidade de sua plataforma de gestão em nuvem para empresas de reciclagem do Paraná. A solução chega para acelerar a profissionalização e a digitalização de um mercado que movimenta R$ 15 bilhões por ano no Brasil, de acordo com levantamento da Mastersenso Consultoria, mas ainda é marcado pela informalidade e pela gestão manual dos processos. Com mais de 2,5 mil clientes em todos os estados brasileiros, o grupo oferece um portfólio que integra softwares de gestão, rastreabilidade logística e bancarização para catadores. Em Curitiba, empresas como a GPS Resíduos já realizaram essa transição, passando dos registros em caderninhos para a tecnologia em nuvem.
Atuando em um segmento com alta complexidade operacional, o Grupo Sygecom desenvolve sistemas de gestão que atendem a negócios de reciclagem dos mais diversos portes — do catador ao pequeno reciclador, até chegar aos grandes processadores da indústria. Inserida em um ecossistema que reúne milhares de empresas, cooperativas e profissionais, a companhia aposta na eficiência da tecnologia para garantir a continuidade das operações de seus clientes. A migração para a nuvem pode trazer mais segurança, escalabilidade e eficiência às atividades.
Com o modelo “cloud”, os dados e sistemas são processados e armazenados em servidores remotos, com acesso via internet, em vez de depender de infraestrutura física local, o que faz diferença no contexto da reciclagem, em que uma instabilidade de poucos minutos pode impactar na produção do dia.
Dinho Machado, CEO do Grupo Sygecom, explica que é um segmento com um déficit histórico de infraestrutura tecnológica:
— Nosso maior concorrente é a planilha do Excel. Muitos negócios ainda operam com sistemas locais ultrapassados ou nenhum registro digital. Os sistemas de gestão em conjunto com migração para a nuvem muda essa realidade de forma concreta: garante que os dados estejam disponíveis em tempo real, de qualquer lugar, com segurança e sem o risco de perder informações por uma falha de equipamento. Mais do que modernizar, é dar ao reciclador a mesma robustez operacional que qualquer indústria de ponta já tem. Tecnologia não é um custo a mais na reciclagem, é o que separa um negócio que sobrevive de um que escala.
A novidade chega em um momento estratégico para o Paraná. Curitiba recicla 23,8% dos resíduos sólidos que produz, mais de cinco vezes a média nacional de 4,5%, segundo dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). A capital mantém coleta seletiva desde 1989, com programas como o Lixo que Não é Lixo e o Câmbio Verde. Por trás desses números, no entanto, existe uma cadeia produtiva que ainda opera, em grande parte, à margem da tecnologia: mais de 75% dos materiais recicláveis coletados na cidade vêm de catadores autônomos, conforme a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, e muitos negócios do setor ainda gerenciam operações com planilhas manuais ou cadernos de papel.
“Foi como sair de um Fusca para uma Ferrari”, diz reciclador do Paraná
A transição que o Grupo Sygecom propõe para o Paraná já acontece na prática. A GPS Resíduos, empresa especializada em sucata ferrosa e não ferrosa, começou com quatro pessoas da família, um caminhão antigo e muita disposição para rodar oficinas e pontos da cidade fazendo coleta manual. Hoje, com 15 funcionários, a empresa utiliza o SGR Plus, software do Grupo Sygecom, e migrou para a nuvem com a chegada do recurso no Paraná.
Sem um sistema integrado, problemas se repetiam: o peso não era anotado no momento certo, por pressa durante a descarga, e depois apareciam diferenças entre o estoque físico e os valores pagos e recebidos. Para Luiz Renato Costa, gerente comercial da GPS Resíduos, a mudança representou uma transformação completa na forma de operar:
— Quando saímos do caderninho para o Excel, já foi uma mudança grande, começamos a enxergar alguns furos. Depois que migramos para o sistema da Sygecom, foi como sair de um Fusca para uma Ferrari. Agora dou um enter e tenho toda a informação na mão na hora. O sistema acompanha toda a operação, da saída do caminhão à emissão de nota fiscal, passando pela conciliação bancária automática. Se algum valor está muito discrepante, o sistema já sinaliza que pode ter algo errado. É impensável voltar atrás — relata.
