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    Mulheres que comunicam: quando falar também é um ato político

    Meio & NegócioBy Meio & Negócio17 de outubro de 2025Nenhum comentário4 Mins Read
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    Karoline Kantovick é jornalista há 15 anos, natural de Santa Catarina e residente em São Paulo. Possui duas pós-graduações em Marketing e um mestrado em Comunicação. Especialista em Branding e Assessoria de Imprensa
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    Durante muito tempo, o espaço da fala foi negado às mulheres. Quando falavam demais, eram vistas como inconvenientes. Quando falavam pouco, como frágeis. Quando falavam com firmeza, como arrogantes. A comunicação feminina sempre foi atravessada por um paradoxo: é preciso ser ouvida sem parecer “intensa demais”.

    Eu cresci observando esse silêncio aprendido. Vinda de uma família simples, aprendi que “ser educada” era muitas vezes o mesmo que “falar baixo”. Mas foi justamente quando descobri o poder da palavra e o poder de contar histórias  que entendi o quanto a comunicação podia ser uma ferramenta de libertação. Falar é existir. Ser ouvida é resistir.

     

    A comunicação como território de disputa

    A comunicação não é neutra. Como nos lembra a teórica bell hooks, a linguagem é também um espaço de poder — ela pode oprimir, mas também pode libertar. Quando as mulheres ocupam o microfone, o texto, o post, a câmera, elas não apenas se expressam: elas reescrevem o mundo a partir de outro ponto de vista.

    Na assessoria de imprensa, esse poder ganha ainda mais sentido. Não se trata apenas de “emplacar matérias”, mas de reposicionar discursos. Quando uma mulher comunica com consciência de gênero, ela transforma o modo como as narrativas circulam. Ela pergunta: quem está sendo ouvido? Quem está sendo silenciado? Que vozes merecem ganhar luz?

     

    Empreender comunicando e comunicar empreendendo

    Hoje, lidero uma assessoria de imprensa que nasceu do desejo de mudar essa lógica. Acredito que cada cliente, cada história e cada conquista é também um pedaço de representatividade. Quando uma mulher empreendedora vê seu nome em uma matéria, não é apenas visibilidade — é validação simbólica de que ela pertence àquele espaço de poder.

    Mas ainda é preciso insistir: o mercado segue testando o tempo e o fôlego das mulheres. Quando um homem diz que está sem tempo, o mundo entende que ele é importante. Quando uma mulher diz o mesmo, o mundo questiona sua dedicação. Essa diferença invisível é uma das maiores barreiras no ambiente da comunicação e dos negócios.

    Autoconfiança não é arrogância

    Há uma ideia perigosa de que mulheres seguras de si são “difíceis”. Por isso, muitas de nós aprendemos a falar com diminutivos, a usar “desculpa” antes de opinar, a suavizar conquistas com frases como “dei sorte” ou “foi por acaso”. Mas autoestima e comunicação são inseparáveis.

    Falar de si com clareza não é egocentrismo — é presença. Quando uma mulher reconhece seu valor e comunica isso com verdade, ela não apenas se posiciona; ela inspira outras mulheres a fazerem o mesmo.

     

    Comunicar é também educar

    Toda fala pública é uma chance de educar o olhar coletivo. E comunicar com perspectiva de gênero significa entender que por trás de cada discurso há uma estrutura social sendo reproduzida ou questionada. É por isso que eu acredito que a comunicação feminina é também um gesto político: ela desafia os modelos de autoridade, questiona as hierarquias e propõe novas formas de estar no mundo.

     

    Um novo capítulo da comunicação brasileira

    Hoje, vejo uma nova geração de mulheres ocupando espaços que antes eram impossíveis. Elas dirigem agências, produzem conteúdos potentes, orientam marcas e constroem narrativas de impacto. São mulheres técnicas, sensíveis, racionais e emocionais ao mesmo tempo — e que transformam vulnerabilidade em linguagem.

    A comunicação feita por mulheres é menos sobre dominar e mais sobre conectar. É sobre escutar com empatia, traduzir com sensibilidade e entregar com propósito. E quando isso acontece, o discurso deixa de ser apenas ferramenta e se torna ponte.

    Afinal, comunicar é e sempre será um ato de amor.

    E, para muitas de nós, também um ato de resistência.

     

    Por Karoline Kantovick

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