A saúde e o bem-estar da mulher são cada vez mais reconhecidos como fundamentais. Segundo o ginecologista André Vinícius de Assis Florentino, ainda há desafios, como a necessidade de ampliar o acesso a serviços de saúde preventiva, educar sobre autocuidado e promover políticas que abordem, especificamente, as questões femininas. Ele acredita que investir em programas de conscientização e garantir acesso equitativo aos serviços de saúde são passos importantes para aprimorar a saúde e o bem-estar da mulher no país.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que a saúde é o bem-estar físico, mental e social, e não só a ausência de doenças. Conforme o médico, para a mulher de hoje, isso significa considerar não apenas a ausência de doenças, mas também abordar desafios específicos, como a gestão do estresse, a saúde mental e o equilíbrio entre as responsabilidades profissionais e pessoais. “A mulher deste século contribuiu, significativamente, para a renda da casa. Muitas são chefes de família, e essa avaliação global biopsicossocial precisa ser levada em consideração”, comenta.
O ginecologista chama atenção para a saúde emocional. Ele diz que é uma parte intrínseca do bem-estar global, especialmente, para as mulheres. Fatores como estigma, pressões sociais, desafios específicos relacionados à maternidade e às relações interpessoais podem impactar. “Portanto, é crucial reconhecer e tratar questões emocionais para promover um estado de saúde global. No período pós-pandemia, aumentou muito a incidência de depressão e ansiedade entre as mulheres. Isso é um alerta para que a saúde mental ocupe o lugar de destaque que merece nos dias atuais”, aponta.
De acordo com o relatório Esgotadas, da Think Olga, consultoria em equidade de gênero, 7 em cada 10 pessoas diagnosticadas com depressão ou ansiedade, no Brasil, são mulheres. O médico reforça ser preocupante essa disparidade de gênero nas taxas de depressão e ansiedade no país, pois sublinha a necessidade de abordar fatores socioeconômicos, culturais e de gênero que contribuem para a saúde mental das mulheres. André Vinícius reconhece que ações educativas, programas de apoio e a desestigmatização do cuidado mental são cruciais para reverter esse cenário. Ele lembra sobre a resistência de muitas pessoas na procura de profissionais da saúde mental — tanto psiquiatras quanto psicólogos — e como é importante quebrar esses preconceitos que limitam a busca de ajuda.

Já o cuidado com a higiene íntima é essencial para prevenir infecções e promover o conforto da mulher. O médico conta que incentiva práticas saudáveis, como o uso de roupas íntimas adequadas; troca constante ao longo do dia da peça íntima, especialmente no verão; o cuidado para não fazer uso de produtos não específicos para a região genital e, claro, reforçar sempre a importância da consulta regular com profissionais de saúde para garantir orientações e avaliação médica adequada para prevenir potenciais problemas de saúde. “Como profissional de saúde, minha abordagem visa proporcionar um atendimento integrado, considerando não apenas a dimensão física, mas também a mental e emocional. A empatia, a escuta ativa, afetiva e o fornecimento de informações detalhadas, são parte fundamental do meu acolhimento às pacientes”, destaca.
