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    Home»Negócios»Lúpus é uma grave doença autoimune
    Negócios

    Lúpus é uma grave doença autoimune

    Meio & NegócioBy Meio & Negócio8 de dezembro de 2023Nenhum comentário3 Mins Read
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    Em 2012, a apresentadora Astrid Fontenelle foi diagnosticada com lúpus. Desde esse tempo, ela usa o seu poderio de comunicação, através das redes sociais, para falar sobre o assunto com o público. Segundo a médica Flávia Cohen, o lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica. O sistema imunológico do corpo ataca seus próprios tecidos e órgãos — articulações, pele, rins, coração, pulmões, cérebro, vasos sanguíneos e outros órgãos. “É uma doença considerada autoimune, mas a causa exata não é totalmente compreendida. Acredita-se que seja uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais. O organismo passa a não reconhecer suas próprias células e produz anticorpos contra elas (autoanticorpos), causando diversas anormalidades clínicas e laboratoriais”, explica.

    Os sintomas podem variar, significativamente, de uma pessoa para outra, ao longo do tempo, afetando a qualidade de vida. Os mais comuns são fadiga, dores articulares, febre, erupções cutâneas em forma de borboleta no rosto (o surgimento de lesões de pele ocorrem em até 80% dos casos), sensibilidade à luz solar, inflamações das articulações, dos rins (nefrite lúpica pode levar a danos renais progressivos), riscos cardiovasculares — como doença cardíaca coronária e acidente vascular cerebral (AVC) — e complicações no sistema nervoso podem causar dores de cabeça, confusão, convulsões e problemas de memória. Flávia diz que  o  tratamento é realizado com medicamentos imunossupressores e anti-inflamatórios. A médica destaca também a mudança no estilo de vida, reposição de vitamina D, minerais, gerenciamento do estresse, a importância de melhorar a qualidade do sono e alimentação anti-inflamatória. Esse conjunto faz parte do tratamento como um todo.

    Conforme a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), estima-se que cerca de 65 mil brasileiros, entre 20 e 45 anos, são afetados pelo lúpus, sendo a maioria mulheres. Cohen aponta que a causa da predominância não é completamente conhecida, mas a ação do hormônio feminino, o estrógeno, ajuda a desencadear ou agravar a doença.

    O diagnóstico é feito através do quadro clínico e exames de sangue — FAN e alguns anticorpos específicos como o anti-Sm, anti-DNA, além de proteínas inflamatórias como VHS e PCR — e urina. De acordo com Flávia, a evolução da doença pode variar de uma pessoa para outra. Certos indivíduos apresentam o diagnóstico leve, com sintomas que se manifestam esporadicamente, sendo controlados com tratamento. Outras pessoas podem ter uma forma mais grave, com complicações significativas. Ela conta que o lúpus pode ser caracterizado por períodos de atividade da doença (exacerbações), intercalados com períodos de remissão, em que os sintomas diminuem ou desaparecem.

    Dra. Flavia Cohen – Foto divulgação

    Cohen faz uma ressalva fundamental às gestantes que têm a doença. “É considerada de alto risco. Há maior risco de abortamento espontâneo, restrição de crescimento intrauterino e fetal, eclâmpsia, morte fetal e parto prematuro. Portanto, deve-se fazer um acompanhamento multidisciplinar, com obstetra, reumatologista e nutricionista assitente”, alerta.

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