A inteligência artificial começa a ocupar um espaço mais amplo na jornada de compra dos consumidores brasileiros, deixando de ser utilizada apenas para pesquisas e comparações e passando a participar de etapas mais próximas da decisão de compra. Segundo o Global Digital Shopping Index 2026, da Visa Acceptance Solutions, 53% dos consumidores brasileiros que fizeram compras online utilizaram inteligência artificial em sua jornada de compra mais recente. O levantamento também mostra uma mudança na preferência pelas ferramentas usadas para pesquisar produtos: entre 2024 e 2026, a participação do ChatGPT passou de 2% para 32%, enquanto o Google, embora ainda seja a principal ferramenta de pesquisa, caiu de 79% para 63% no mesmo período.
O movimento indica uma alteração na forma como as pessoas encontram informações antes da compra, com parte da pesquisa que tradicionalmente acontecia em buscadores, marketplaces e sites de marcas passando a ser realizada diretamente em interfaces conversacionais. O consumidor pode concentrar em uma única ferramenta etapas como a busca por opções, a comparação de características e preços e a identificação de produtos ou serviços que atendam a uma necessidade específica.

Para Johanna Goulart, CEO e fundadora da First Answer, startup brasileira especializada em AI Visibility e GEO (Generative Engine Optimization), a transformação amplia a importância da presença digital das empresas, já que os sistemas de IA passam a funcionar como uma nova camada de descoberta para consumidores.
“Quando o consumidor começa a delegar à inteligência artificial etapas da pesquisa, comparação e escolha, a marca precisa considerar também como ela é encontrada e apresentada nesses ambientes. Não se trata apenas de estar disponível na internet, mas de construir uma presença que permita que os sistemas compreendam, reconheçam e recomendem aquela empresa ou produto”, afirma.
À medida que consumidores recorrem a sistemas de inteligência artificial para pesquisar produtos e serviços, dados como avaliações, conteúdos publicados, menções e informações institucionais podem passar a integrar as referências utilizadas na elaboração das respostas. Com isso, a forma como uma empresa é apresentada e identificada nesses ambientes ganha relevância em etapas cada vez mais próximas da decisão de compra.
Na avaliação da especialista, a mudança exige que as empresas acompanhem não apenas métricas tradicionais de tráfego e posicionamento em buscadores, mas também a forma como são representadas por sistemas de inteligência artificial.
“O comportamento de consumo mudou e as marcas precisam acompanhar essa transformação. Se uma parcela cada vez maior da jornada passa pela IA, deixar de olhar para esse ambiente também significa deixar de acompanhar oportunidades de venda, receita e construção de reputação”, destaca Johanna.
A expansão do uso de agentes de inteligência artificial também pode alterar a dinâmica do comércio eletrônico, já que ferramentas capazes de pesquisar produtos, comparar alternativas e verificar condições de compra permitem que parte das etapas que hoje dependem da navegação por sites, buscadores e aplicativos seja realizada diretamente em interfaces conversacionais. A presença das marcas em sistemas de IA passa a representar mais um ponto de contato com o consumidor ao longo da jornada de compra.
Para Johanna, esse movimento mostra uma mudança estrutural na relação entre consumidores e empresas.
“Mais do que acompanhar o crescimento da inteligência artificial como ferramenta, as marcas precisam compreender como esses sistemas estão interferindo na descoberta de produtos e na tomada de decisão. A tendência é que a capacidade de ser encontrada, compreendida e considerada relevante por agentes inteligentes se torne mais um componente da estratégia digital e comercial das empresas”, conclui.
