Os avanços tecnológicos e as mudanças nos processos produtivos ampliaram as possibilidades de ganho de produtividade na cafeicultura e trouxeram novos desafios para a gestão das propriedades. Esses desafios estiveram no centro da live “Desafios da Gestão na Cafeicultura: Pessoas, Custos e Inovação”, realizada em 4 de novembro pelo Clube illy do Café. Com mediação de Cesar Candiano, engenheiro agrônomo da Experimental Agrícola do Brasil/illycaffè, o encontro reuniu perspectivas da pesquisa acadêmica, da consultoria e da produção rural.
A dificuldade de atrair e manter mão de obra qualificada no campo foi um dos principais desafios apontados no encontro. Segundo Raquel Soares Menezes, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Viçosa (UFV), especialista em gestão de pessoas, o aumento da produtividade e a modernização das atividades agrícolas também elevaram a demanda por profissionais com novas habilidades.
Para enfrentar esse cenário, ela destacou a liderança, a cultura organizacional e a participação dos colaboradores como três pilares para uma gestão de pessoas mais eficiente. Segundo a especialista, construir um ambiente em que as pessoas queiram trabalhar exige remuneração adequada, reconhecimento, oportunidades de desenvolvimento e clareza sobre responsabilidades. Reuniões breves para alinhar prioridades e ouvir as equipes estão entre as práticas que podem contribuir para esse processo.
Na gestão econômica, Flávio Bambini, engenheiro agrônomo e consultor técnico e gerencial do Projeto Educampo Café, do Sebrae, ressaltou a importância de acompanhar o custo operacional efetivo, o custo operacional total e o custo total.
Esses indicadores permitem considerar os desembolsos da propriedade, as depreciações e o custo de oportunidade do capital. O consultor também recomendou avaliar os resultados em ciclos de duas safras, considerando a alternância da produção, e comparar o retorno dos investimentos, já que o maior rendimento produtivo pode exigir gastos que comprometam a rentabilidade.
Na perspectiva de quem acompanha os desafios diariamente na propriedade rural, o produtor Daniel Bruxel, da Fazenda São João, em Varjão de Minas (MG), compartilhou experiências sobre as mudanças na administração da fazenda e a importância de combinar tecnologia, conhecimento técnico e participação das equipes.
Bruxel relatou o uso de ferramentas de monitoramento, softwares de irrigação e imagens de satélite para apoiar o planejamento e o manejo das lavouras. O produtor ressaltou que os resultados dependem da organização dos registros, da interpretação das informações e, principalmente, da transformação dos dados em decisões e ações práticas.
O produtor também destacou a importância de ouvir os profissionais diretamente envolvidos nas atividades de campo. São eles que, muitas vezes, identificam primeiro problemas nas lavouras e podem contribuir com informações valiosas para o diagnóstico e a tomada de decisões.
Bruxel compartilhou ainda a experiência de envolver os colaboradores na compreensão da qualidade do café produzido pela fazenda, mostrando como o trabalho de cada um influencia o resultado. Para ele, reconhecer a contribuição das equipes é parte importante da construção de uma cultura organizacional mais participativa.
A iniciativa foi promovida pelo Clube illy do Café, programa de relacionamento que reúne mais de 600 fornecedores brasileiros da illycaffè e incentiva o intercâmbio de conhecimentos e a produção de cafés de excelência. A illycaffè, líder global em café sustentável de alta qualidade e certificada como B Corp, se destaca pelo compromisso com a sustentabilidade em toda a sua cadeia produtiva, da planta ao exclusivo blend illy 100% Arábica.
Acesse o YouTube do Clube illy do Café e assista à live completa:
