Doenças cardíacas são uma das principais causas de morte no Brasil
O apresentador de televisão Fausto Silva pegou o público de surpresa ao divulgar, no começo de agosto, que sofria de insuficiência cardíaca. No último domingo, 27, ele foi submetido a um transplante cardíaco (realizado com sucesso). De acordo com dados do Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são uma das principais causas de morte no país, o que em números acarreta 30% dos óbitos ou 400 mil pessoas que morrem por ano. Os dados ainda apontam que aproximadamente 14 milhões de brasileiros têm alguma patologia no coração. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 80% das mortes por doenças cardíacas poderiam ser evitadas com mudanças no estilo de vida. Conforme o médico e nutrólogo Roberto Navarro, a insuficiência cardíaca pode ser acarretada por fatores como dislipidemia (aumento do colesterol e triglicérides), hipertensão arterial, tabagismo, diabetes tipo 2, obesidade, sendo todos eles condições modificáveis pelo estilo de vida. Segundo ele, é primordial reduzir a ingestão de sal (dieta hipossódica). A retenção líquida e o aumento da pressão arterial, desencadeados pelo consumo excessivo, podem piorar a insuficiência cardíaca. Também é importante controlar o peso dos pacientes obesos, além da alimentação balanceada, atividade física específica e direcionada com a orientação do cardiologista. Em casos graves, alguns exercícios físicos são contraindicados. Navarro diz que é essencial conter o estresse, pois ele aumenta a produção de hormônios como cortisol e adrenalina, podendo piorar o quadro clínico do paciente. “Para isso, a psicoterapia de apoio, a melhora da qualidade do sono e até meditação são interessantes, como coadjuvantes, na qualidade de vida dos pacientes”, alerta.

O médico fala que a genética pode, sim, contribuir para o risco de doenças cardiovasculares. “Isso tem sido bastante estudado pela ciência (genômica). Sempre deve ser levado em consideração, mas jamais ser avaliado isoladamente. Os hábitos de vida (epigenética) são mais impactantes nos riscos do desenvolvimento da maioria das doenças. A genética não conseguimos mudar. Hábitos, sim. Quando adequados podem fazer que a genética não se manifeste”, comenta.
Estado nutricional e qualidade de vida dos pacientes com insuficiência cardíaca
Navarro conta que os pacientes com insuficiência cardíaca mais grave têm perda de massa muscular. Isso é chamado sarcopenia, gerando ainda mais a perda de qualidade de vida do indivíduo, que pode ter sua capacidade de locomoção comprometida. O médico destaca que em alguns casos de insuficiência cardíaca grave, existe a diminuição de nutrientes pelo intestino do paciente. “Pode haver edema (inchaço) nas alças intestinais, comprometendo a absorção de proteínas, minerais e vitaminas. Muitos pacientes com insuficiência cardíaca podem ter seu balanço nutricional bem comprometido” ressalta.
Equilíbrio alimentar: aliados e vilões do coração
O coração bombeia o sangue incessantemente. O músculo cardíaco precisa estar bem nutrido para produzir moléculas de ATP (gerar energia), sem as quais o coração não funciona. Navarro aponta que vários nutrientes são fundamentais para a geração de ATP no coração: vitaminas do complexo B como vitamina B1 (tiamina); vitamina B2 (riboflavina), vitamina B3 (niacina); magnésio; carnitina; coenzima Q10 e ferro. Antioxidantes também são nutrientes importantes para a saúde cardiovascular como selênio, vitamina C e vitamina E. As fibras são benéficas. As boas fontes estão espalhadas em vários alimentos como agrião, rúcula, brócolis, couve-flor, aveia, feijão, lentilha, grão de bico, castanhas, nozes, amêndoas, linhaça, chia, maçã, abacate, mirtilos, peixes, azeite de oliva.
Não são bem-vindos para o coração alimentos como açúcar, sal de cozinha em excesso, gorduras hidrogenada e trans presentes em vários alimentos como margarina, biscoitos, bolachas recheadas, chantilly, sorvetes, massas instantâneas, salgadinhos de pacote, pipoca de micro-ondas, entre outros. A gordura saturada excessiva pode aumentar a produção de citocinas pró- inflamatórias. Isso traz riscos para aquele paciente com insuficiência cardíaca, pois metabolicamente estão com certo grau de inflamação. “Deve haver moderação com a ingestão de carnes gordurosas, leite integral, queijos amarelos, manteiga e embutidos. É fundamental uma adequação alimentar orientada pelo médico nutrólogo e nutricionista”, orienta Navarro.
