A disponibilidade limitada de armazéns refrigerados no Brasil tem ampliado os desafios para empresas que dependem de infraestrutura especializada para armazenar mercadorias sensíveis às variações de temperatura. Com uma oferta restrita de espaços e custos elevados por metro quadrado, encontrar instalações adequadas tornou-se um fator importante no planejamento logístico, especialmente para operações que exigem controle térmico rigoroso.
O cenário impacta setores como o farmacêutico e o alimentício, nos quais as condições de conservação são determinantes para preservar a qualidade e a integridade dos produtos. Além dos custos de ocupação, a localização dos armazéns, a capacidade disponível e a adequação técnica das instalações influenciam a eficiência das operações e a organização da cadeia de abastecimento.
Marcos Landiosi, gerente de projetos do Grupo IBL – que atua em projetos voltados para o transporte e armazenagem especializada de cargas dos setores farmacêutico, eletrônico e alimentício, destaca que a baixa oferta de espaços especializados e o alto custo do metro quadrado representam desafios para empresas que precisam estruturar ou ampliar operações que dependem de infraestrutura refrigerada.
“Entendo que meu principal papel nessa função vai muito além de apoiar no melhor desenho para uma determinada operação logística, mas sim de conectar pessoas, processos e recursos para fazer com que a logística aconteça, e claro, buscando sempre melhores resultados para todos”, afirma.
Infraestrutura e planejamento como diferenciais logísticos — A busca por eficiência nesse cenário exige que as empresas avaliem não apenas a disponibilidade de espaço, mas também as condições técnicas das instalações e sua compatibilidade com as necessidades de cada operação. No caso de medicamentos e outros produtos sensíveis, a manutenção das faixas de temperatura exigidas é fundamental para preservar a integridade das cargas durante as etapas de armazenagem e transporte.
Diante desse cenário, em julho, na unidade de Guarulhos (SP), a IBL Logística ampliou sua capacidade de armazenagem refrigerada com a implantação de uma nova câmara fria para produtos que exigem temperatura controlada entre 2°C e 8°C. Com investimento aproximado de R$ 2 milhões, a empresa dobrou sua capacidade de armazenagem, passando de 1.500 para 3.000 posições-palete. Segundo a companhia, o investimento foi motivado pela expectativa de crescimento da cadeia fria e pela ampliação da demanda por operações especializadas.
O espaço foi projetado para atender às Boas Práticas de Armazenagem e Distribuição (BPAD) e conta com monitoramento contínuo das condições ambientais, com foco na rastreabilidade e na preservação da integridade dos produtos durante toda a permanência no centro de distribuição.
A integração entre infraestrutura, monitoramento e planejamento logístico também ganha relevância. A escolha de parceiros especializados, capazes de atender às exigências de conservação e rastreabilidade, contribui para reduzir riscos operacionais e garantir maior controle sobre as mercadorias ao longo da cadeia de abastecimento.
“Ou seja, o sucesso de um projeto que tem como foco esse tipo de segmento, busca acima de tudo, integrar infraestrutura, tecnologia, planejamento e um parceiro estratégico. E claro, essa sinergia irá permitir antecipar riscos, otimizar recursos, maior eficiência, rastreabilidade e confiabilidade em toda cadeia gerando valor sustentável para o negócio”, conclui.
