Abrir uma indústria envolve decisões que vão muito além da produção. Antes mesmo de conquistar novos clientes ou ampliar a capacidade fabril, o empreendedor precisa responder a uma questão capaz de determinar o futuro do negócio: quanto cobrar por seus produtos?
A definição do preço de venda está entre os primeiros desafios enfrentados por pequenas indústrias. Quando o cálculo não considera todos os custos envolvidos na operação, o resultado pode ser a redução das margens de lucro e o comprometimento da rentabilidade, mesmo em períodos de crescimento das vendas.
Segundo dados do IBGE, a produção industrial brasileira cresceu 3,1% em 2024, indicando um cenário mais aquecido em diversos segmentos da economia. Em um contexto de expansão, estruturar processos de gestão e controle financeiro torna-se ainda mais importante para empresas que desejam crescer de forma sustentável e organizada.
Preço de venda e custo de produção
Muitos empreendedores iniciam a formação de preços considerando apenas os custos diretos dos produtos, como matérias-primas e mão de obra. No entanto, despesas administrativas, tributos, perdas operacionais e a margem necessária para garantir a sustentabilidade do negócio também devem ser incluídos no cálculo.
Nesse contexto, o uso de uma planilha para formação de preço de venda costuma ser um dos primeiros recursos adotados para avaliar a viabilidade financeira de um produto. “A planilha é um excelente ponto de partida para estruturar esse cálculo e entender a viabilidade da operação, trazendo uma visão completa dos custos”, explica Thiago Leão, engenheiro e sócio da Nomus.
Quando utilizada de forma adequada, a ferramenta permite que o empreendedor tenha uma visão mais precisa dos gastos envolvidos na produção e comercialização de cada item, contribuindo para decisões de precificação mais assertivas e alinhadas à realidade do negócio.
Sistema integrado de gestão
Se, no início, as planilhas costumam atender às necessidades da empresa, esse cenário tende a mudar à medida que os pedidos, os clientes e a complexidade da produção aumentam. Controle de estoque, compras, ordens de produção, prazos e informações financeiras passam a exigir um acompanhamento mais frequente e estruturado.
Nesse contexto, a transição para sistemas integrados de gestão costuma ocorrer quando o volume de informações passa a dificultar a rotina operacional. O conceito de start industrial está ligado justamente a essa fase de amadurecimento, na qual a empresa substitui controles isolados por uma plataforma capaz de integrar diferentes áreas da operação.
Para Thiago Leão, o principal sinal de que chegou o momento de fazer essa mudança está no tempo dedicado à organização das informações. “Quando as planilhas passam a consumir mais tempo do que gerar controle, criando retrabalho, riscos de erro e dificuldades para tomar decisões, é hora de buscar um sistema de gestão. Nessa fase, a adoção de um sistema integrado deixa de ser apenas uma questão de organização e passa a ser um passo fundamental para escalar o negócio com segurança e eficiência”, afirma.
Além de centralizar informações em um único ambiente, os sistemas de gestão permitem acompanhar indicadores, automatizar processos e reduzir tarefas operacionais repetitivas. Para muitas pequenas indústrias, a migração de controles manuais para uma gestão integrada representa um dos passos mais importantes para transformar um bom produto em um negócio eficiente, sustentável e preparado para crescer.
