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    Home»Notícias»Após a IA generativa, empresas entram na era da autonomia operacional. O Brasil está preparado?
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    Após a IA generativa, empresas entram na era da autonomia operacional. O Brasil está preparado?

    Especialista da EPI-USE Brasil explica por que a nova fase da inteligência artificial exige mais do que investimentos em tecnologia
    JoaoBy Joao22 de julho de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    A inteligência artificial está entrando em uma nova etapa no ambiente corporativo. Depois de impulsionar ganhos de produtividade e automatizar tarefas, a tecnologia passa a assumir um papel mais estratégico, com agentes inteligentes capazes de executar processos, apoiar decisões e atuar de forma integrada aos sistemas de gestão.

    Essa evolução foi um dos principais temas do SAP Sapphire, evento global da SAP, que apresentou o conceito de Empresa Autônoma (Autonomous Enterprise). A proposta prevê organizações em que inteligência artificial, automação e dados trabalham de forma integrada para ampliar a eficiência operacional e apoiar decisões em tempo real.

    O movimento acompanha o avanço acelerado da IA nas empresas. Segundo a Gartner, mais de 80% das organizações devem utilizar aplicações ou APIs de inteligência artificial generativa até o fim de 2026. A discussão, portanto, deixa de se concentrar apenas na adoção da tecnologia e passa a considerar como transformá-la em resultados concretos para o negócio.

    Para Marcelo Moreira, ERP Service Line Director da EPI-USE Brasil, consultoria especializada em soluções SAP e transformação digital, esse é o principal desafio das organizações brasileiras.

    “Embora já possamos perceber o avanço da adoção da inteligência artificial, a maturidade das empresas ainda é limitada. Estudos indicam que apenas cerca de 30% a 35% das organizações conseguiram escalar iniciativas de IA para a operação em larga escala. A maioria ainda está na fase de pilotos ou projetos isolados, buscando transformar investimentos em ganhos consistentes de eficiência operacional. Entre nossos clientes SAP de ERP, cerca de 80% já avaliam casos de uso de IA para ganho operacional, enquanto apenas 20% possuem uma arquitetura de dados considerada preparada para uma operação autônoma”, explica.

    Segundo o executivo, esse cenário reflete uma mudança importante na forma como as empresas enxergam a tecnologia.

    “Nos últimos anos, a discussão esteve concentrada na adoção da inteligência artificial e em seus ganhos de produtividade. Agora, ela passa a fazer parte da operação das empresas. Isso exige uma base sólida de informações, processos integrados e governança.”

    Apesar dos avanços na digitalização, muitas organizações ainda convivem com sistemas pouco integrados e informações dispersas, o que dificulta a adoção de agentes inteligentes em larga escala.

    “A autonomia operacional depende de dados confiáveis e plataformas conectadas. Antes de ampliar o uso da inteligência artificial, é preciso garantir que a empresa tenha uma estrutura preparada para sustentar esse novo modelo.”

    Além dos desafios tecnológicos, as empresas também precisarão desenvolver novas competências. A utilização crescente de sistemas inteligentes exigirá que gestores de diferentes áreas compreendam como incorporar essas ferramentas às decisões de negócio e às rotinas operacionais.

    Nesse contexto, os sistemas de gestão empresarial assumem um papel ainda mais relevante. Tradicionalmente responsáveis por integrar as informações da organização, os ERPs passam a concentrar os dados que alimentam agentes inteligentes e sustentam processos automatizados.

    “O ERP deixa de ser apenas um sistema de gestão para se tornar a base sobre a qual a inteligência artificial opera. Quanto maior a integração entre dados e processos, maior será a capacidade da empresa de utilizar IA com segurança, escala e consistência”, explica Moreira.

    Embora desafios relacionados à integração de sistemas, à qualidade das informações e à governança ainda façam parte da realidade de muitas organizações, setores como indústria, agronegócio, energia, varejo e serviços financeiros já começam a incorporar agentes inteligentes em processos estratégicos.
    Para Marcelo, a inteligência artificial deixa de ser uma iniciativa isolada para ocupar uma posição cada vez mais estratégica dentro das organizações.

    “Até pouco tempo, a principal pergunta era como começar a utilizar inteligência artificial. Agora, o desafio é preparar a organização para que essa tecnologia faça parte da operação de forma consistente, segura e alinhada aos objetivos do negócio”, conclui o executivo.

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