Tratamento deve ser sempre feito e orientado por um profissional especializado
A testosterona é o principal hormônio masculino e está ligada à saúde e ao bem-estar. Entretanto, quantidades insuficientes no organismo podem levar a anormalidades e diferentes desequilíbrios. Conforme a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), a testosterona baixa afeta de forma leve ou moderada cerca de 25% dos homens.
O médico Matheus Lisboa explica que a reposição hormonal é indicada em situações onde há uma deficiência comprovada de testosterona, por exames específicos, que está causando sintomas significativos e impactando a qualidade de vida do paciente. De acordo com ele, desânimo, sensação de fadiga constante, irritabilidade, humor depressivo, dificuldade de concentração, redução de força, dificuldade de ganhar massa muscular e facilidade em ganhar peso (gordura). Diminuição do apetite sexual, da libido e redução das ereções ao acordar são sintomas comuns de que a testosterona está baixa.
O médico esclarece que, a partir dos 30 anos, os níveis de testosterona caem 1% ao ano, porém essa queda depende principalmente de hábitos de vida. “Sedentarismo, consumo de álcool e tabaco, obesidade e sobrepeso, estresse e fatores biológicos próprios do processo de envelhecimento natural. Homens com hábitos de vida saudáveis, que são ativos fisicamente e possuem uma boa composição corporal, costumam ter bons níveis de testosterona ao longo da vida”, aponta.
Formas de reposição
Géis transdérmicos: são aplicados diariamente sobre a pele.
Via intramuscular: por meio de injeções periódicas a cada 15 ou 21 dias, em média.
Implantes subcutâneos: um dispositivo é introduzido na pele, no tecido subcutâneo (gordura), que deve ser reintroduzido a cada seis meses.
A forma de reposição mais recomendada
Segundo o médico, não há uma forma “mais recomendada” universalmente, pois a escolha depende das necessidades individuais do paciente e da resposta ao tratamento. No entanto, Matheus comenta que as injeções são populares pela baixa frequência de administração. Já os géis transdérmicos são frequentemente utilizados pela conveniência e pela manutenção de níveis hormonais mais estáveis, enquanto os implantes subcutâneos são bem convenientes, mas têm um alto custo, o que não os torna popularmente utilizados. “A decisão final deve ser tomada em conjunto com o médico-assistente, considerando todos os fatores individuais”, pontua.
Segurança e contraindicações
O especialista afirma que a reposição hormonal é segura desde que haja indicação formal comprovada por sintomas clínicos, exames laboratoriais e após triagem médica para avaliar se o paciente está apto a realizar o tratamento.

Ele destaca que as principais contraindicações são insuficiência cardíaca mal controlada e quando o paciente sofreu infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) nos últimos seis meses, câncer de mama masculino e câncer de próstata não tratado. Outras situações, como apneia obstrutiva do sono, devem ser avaliadas individualmente.
A importância de desmistificar a reposição hormonal para o público masculino
Matheus lembra que os sintomas de deficiência de testosterona são comuns a outras patologias, então é normal confundi-los com doenças psiquiátricas, como depressão, por exemplo, e assim o tratamento adequado demora para ser iniciado. “Hoje, com o aumento exponencial de doenças crônicas, como a obesidade, que traz como consequência a redução nos níveis de testosterona, muitos homens vivem com esses sintomas que reduzem a qualidade de vida e sofrem com o impacto social e emocional. Campanhas educativas em mídias sociais deveriam ser mais frequentes, e diálogos abertos entre médico e paciente são importantes para desmistificar o assunto”, conclui.
