Estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta o diagnóstico de quase oito mil novos casos de câncer infantojuvenil no Brasil para o triênio 2023 a 2025. Embora seja considerado raro, para a oncologista pediátrica Mariana Dórea, hoje é a doença que mais mata crianças e adolescentes até 19 anos. Por isso, a importância do conhecimento, além do diagnóstico precoce. “Diferente dos adultos, não é prevenível. Todos precisam ficar atentos aos sinais e sintomas que podem estar relacionados ao câncer infantil”, alerta.
A idade prevalente depende do tipo de tumor. Por exemplo, a leucemia linfoide aguda tem pico de incidência entre um a quatro anos. Já os tumores ósseos são mais comuns nos adolescentes.
Tipos de cânceres e sintomas
Segundo a médica, a leucemia linfoide aguda, seguida dos tumores do sistema nervoso central são os tipos de cânceres mais comuns. Logo após aparecem os linfomas. No caso da leucemia, os sintomas são febre prolongada, anemia, dores em membros. Pode ter também sangramentos, presença de equimoses (manchas arroxeadas) no corpo, e doenças infecciosas também podem dar febre prolongada. Nos tumores cerebrais podem ter queixas de cefaleia, vômitos persistentes. É possível que haja alteração na marcha — chamamos de ataxia (a forma do andar é diferente e pode apresentar quedas) —. As crianças também podem ter estrabismo. Nos linfomas aparecerão aumento dos linfonodos, febre e perda de peso. Nos tumores abdominais, o volume do abdômen vai aumentar, podendo ter ou não dor. Vai depender do tipo de tumor. Mariana lembra que se diagnosticado precocemente, o índice de cura pode chegar a 80%. “É muito importante, pois ele afeta o prognóstico do paciente. Não é fácil, visto que muitas doenças benignas podem dar os mesmos sintomas”, comenta.
Tratamento, internação e diálogo
A oncologista conta que o tratamento do câncer infantil é mais agressivo que nos adultos, mas, em contrapartida, a resposta ao tratamento costuma ser melhor. Os pacientes que passam mais tempo internados estão no início de tratamento de leucemia. “Chamamos de fase de indução. A grande maioria dos tumores podem ser tratados ambulatorialmente. Como a quimioterapia agride todas as células do corpo, existe a chance de eles ficarem neutropênicos (defesa do corpo baixa). Por esse motivo, além das inúmeras faltas que o paciente teria, as aulas presenciais são suspensas”, explica. Devido ao risco de infecções, é recomendado que fiquem um pouco mais isolados, evitando locais com muitas pessoas.

De acordo com Mariana, na conversa com a família, em geral, a criança é retirada do consultório. Alguns pais preferem não contar, mas a maioria conta. “As crianças sabem que estão doentes, mas não imaginam a dimensão da doença”, finaliza.
