No entanto, especialista alerta que doenças cardiovasculares descompensadas, histórico familiar de psicose, gestantes e lactantes são casos em que o uso de THC é contraindicado
De acordo com o médico José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, já foram identificados mais de 700 constituintes químicos na Cannabis. Os que possuem importância medicinal são os fitocanabinoides (THC, CBD, CBN), terpenos (beta cariofileno, limoneno) e flavonoides, como a canaflavina, por exemplo. “Cada substância tem um efeito terapêutico particular. Todas agem em conjunto, promovendo um resultado sinérgico conhecido como Efeito Entourage ou Comitiva. Os estudos clínicos apontam melhores resultados quando usamos extratos integrais da planta que contém todos os princípios ativos (full spectrum)”, esclarece.
José Wilson explica que o tetrahidrocanabinol (THC) pode interagir com diversos receptores no corpo humano, porém, tem grande afinidade com o receptor canabinoide tipo 1 (CB1), encontrado em maior quantidade no sistema nervoso central e periférico. Quando o THC se liga a esse receptor, vários efeitos fisiológicos são desencadeados. Estes receptores são responsáveis pela regulação de várias funções vitais, como humor, apetite, sono e dor.
Benefícios do THC
Conforme o médico, para alívio da dor, a substância tem propriedades analgésicas, especialmente na dor crônica, neuropática e nociplástica (associada a condições como câncer, esclerose múltipla e artrite). O THC demonstrou ter propriedades anti-inflamatórias, podendo ser benéfico na artrite reumatoide e doenças inflamatórias do intestino. Conhecido por estimular o apetite, ele pode trazer benefícios às pessoas com distúrbios alimentares, pacientes submetidos a tratamentos de câncer ou HIV e aqueles que sofrem de perda de apetite devido a outras patologias.

O especialista reforça que o THC tem propriedades antieméticas e pode ser eficaz no tratamento da náusea e vômito, principalmente em pacientes submetidos à quimioterapia. José Wilson destaca que mais pesquisas são necessárias, contudo, alguns estudos sugeriram que o THC, em baixas doses, pode ter propriedades anticonvulsivantes e ser útil no controle de convulsões em condições como epilepsia. “Em doses moderadas pode ajudar a reduzir a ansiedade e o estresse. Em doses elevadas, o THC pode ter efeito oposto e desencadear ou aumentar a ansiedade em algumas pessoas. Também pode ajudar a induzir o sono e melhorar a qualidade, embora o uso em longo prazo possa afetar os padrões”, ressalta.
Formas de administração
O médico diz que algumas das formas mais comuns de administração incluem os óleos e tinturas de uso sublingual, cápsulas e comprimidos para uso via oral, cremes para aplicação tópica, sprays para pulverização oral ou nasal, comestíveis, como os gummies, a vaporização de extratos ou a flor in natura.
Maneira legal de utilizar o THC no país
Segundo José Wilson, os pacientes, mediante prescrição médica, têm acesso a quase todas as formas de administração de THC. Apenas a vaporização não é regulamentada, apesar de apresentar, em alguns casos, resultados excelentes. “A Anvisa deve revisar a Resolução da Diretoria Colegiada e as regras que definem o uso dos canabinoides ainda em 2024”, conclui.
