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    Como transformar a inteligência artificial em alavanca para o negócio

    Além de adotar novas ferramentas, é preciso criar uma cultura de experimentação e transformar processos
    JoaoBy Joao19 de outubro de 2026Nenhum comentário7 Mins Read
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    Eduardo Garcia, fundador e diretor de Novos Negócios da Net Turbo Telecom Divulgação
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    Por Eduardo Garcia, fundador e diretor de Novos Negócios da Net Turbo Telecom

    A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa e já transforma a maneira como as empresas trabalham, desenvolvem produtos, atendem clientes e tomam decisões.

    Na Net Turbo, vivemos essa transformação. Uma das principais conclusões que tiramos até aqui é que o maior potencial da inteligência artificial está em mudar a forma como a empresa trabalha.

    Nossa experiência mostra que não é necessário esperar um grande projeto, orçamento milionário ou estrutura complexa para começar. É possível iniciar com problemas concretos, testar soluções, aprender rapidamente e ampliar aquilo que funciona.

    Começar pela prática

    Na Net Turbo, começamos incentivando as equipes a utilizar os modelos de linguagem (LLMs) como copilotos no trabalho cotidiano. A ideia inicial era simples: ter a inteligência artificial como uma espécie de assistente, ajudando em tarefas básicas e aumentando a capacidade de cada profissional.

    A partir daí, a utilização evoluiu para iniciativas de automação e desenvolvimento de produtos. Um movimento que considero especialmente importante foi descentralizar a criação de soluções de IA nas próprias squads.

    Identificamos, em cada equipe, profissionais que tinham maior familiaridade com essas ferramentas e demos espaço para que desenvolvessem soluções para os problemas do dia a dia. Algumas delas passaram a ser utilizadas também por outras áreas.

    Esse processo trouxe uma lição importante: a inovação não precisa nascer necessariamente de uma área central de tecnologia. Quem está próximo do problema muitas vezes é quem melhor consegue identificar uma oportunidade de aplicação da IA.

    Alavanca de eficiência

    Quando falamos de inteligência artificial nas empresas, é comum que a discussão rapidamente chegue ao impacto sobre empregos. Minha visão é diferente.

    Não estamos falando de substituir pessoas. Estamos falando de deixar para trás uma quantidade enorme de tarefas que ainda são realizadas manualmente e permitir que os profissionais utilizem seu tempo e suas habilidades de maneira mais produtiva.

    Na Net Turbo, enxergamos a IA como uma alavanca para escalar, padronizar e automatizar processos, além de aumentar a eficiência operacional.

    Isso muda a pergunta que uma empresa deveria fazer. No lugar de perguntar apenas “onde colocar a IA?”, é mais produtivo perguntar: quais processos ainda dependem de trabalho manual, repetitivo ou pouco escalável e poderiam funcionar melhor com o apoio da inteligência artificial?

    Segurança como parte da equação

    Existe, porém, uma condição fundamental para que essa transformação aconteça: as empresas precisam proteger seus próprios dados.

    Esse é um dos desafios que encontramos na prática. Ao ampliar o uso de ferramentas de inteligência artificial, surge uma preocupação natural: como permitir que as pessoas utilizem a tecnologia sem fazer com que informações estratégicas da companhia deixem o ambiente corporativo?

    Na Net Turbo, desenvolvemos uma solução própria para controlar esse fluxo de informações. O objetivo é impedir que bases de clientes, planilhas e outros dados do negócio sejam expostos de maneira inadequada.

    Essa experiência reforçou a convicção de que não existe transformação digital sustentável sem segurança. A tecnologia pode aumentar enormemente a capacidade de uma organização, mas precisa estar acompanhada de processos, controles e governança.

    Essa visão é coerente com o que temos defendido também em segurança da informação: tecnologia, processos e pessoas precisam caminhar juntos. A proteção não pode ser um complemento colocado depois. Deve fazer parte da arquitetura e da estratégia desde o início.

    Protagonismo na empresa

    Outro aprendizado importante é o papel da área de tecnologia.

    O profissional de tecnologia da informação (TI) não pode mais se limitar a operar a infraestrutura, administrar links, firewalls e sistemas. Ele precisa participar da transformação do negócio.

    Isso significa entender como a IA pode aumentar vendas, melhorar processos, multiplicar recursos, gerar eficiência e criar produtos e serviços.

    Por isso, acredito que a área de TI precisa ser protagonista da construção de uma cultura de inteligência artificial dentro das empresas. A tecnologia precisa deixar de ser algo utilizado por poucos especialistas e passar a fazer parte da rotina das equipes, assim como hoje utilizamos ferramentas como Excel, Word e internet.

    Esse movimento também exige capacitação. Não basta disponibilizar uma ferramenta e esperar que a transformação aconteça sozinha. As pessoas precisam aprender a utilizá-la, experimentar, errar, corrigir e descobrir aplicações que façam sentido para o negócio.

    Resolução de problemas reais

    Existe hoje uma grande onda de criação de aplicativos e soluções baseadas em IA. É natural que isso aconteça. A tecnologia tornou muito mais rápido e barato desenvolver determinadas soluções.

    Mas existe uma diferença importante entre criar algo com IA e criar algo que realmente gere valor para uma empresa.

    Na minha visão, o diferencial estará cada vez menos no código e cada vez mais na capacidade de entender um problema de negócio e construir uma solução para ele.

    É justamente por isso que a experiência da Net Turbo pode servir de referência para outras empresas. Não porque tenhamos encontrado uma fórmula pronta, mas porque aprendemos que o melhor caminho é experimentar, identificar o que funciona e transformar os experimentos em processos e produtos.

    A própria dinâmica das squads mostrou isso. Uma solução desenvolvida para resolver uma necessidade específica pode ser adaptada, compartilhada e transformada em algo maior dentro da organização.

    Infraestrutura no ritmo da adoção

    Há também muita discussão sobre o impacto da inteligência artificial sobre a infraestrutura de telecomunicações e os data centers.

    Aplicações de IA que exigem processamento local e modelos hospedados nas empresas demandam outro nível de capacidade computacional. Mas ainda não observamos, na operação cotidiana dos clientes corporativos e provedores atendidos pela Net Turbo, uma explosão de consumo de banda provocada simplesmente pelo uso de aplicações de IA.

    Hoje, grande parte da utilização ocorre por meio de aplicações de consulta e chat. O cenário tende a mudar conforme as empresas passem a incorporar modelos de IA diretamente às suas operações e estruturas de dados.

    Por isso, mais importante do que tentar prever exatamente qual será a infraestrutura necessária daqui a alguns anos é acompanhar a evolução da tecnologia e estar preparado para os diferentes cenários.

    Experiência que fica

    Se eu tivesse que resumir o que aprendemos na Net Turbo em uma recomendação para outras empresas, seria esta: comece agora a aplicar a IA aos problemas do seu negócio.

    Escolha processos que possam ser melhorados. Envolva as equipes. Dê autonomia para quem está próximo desses processos. Teste soluções. Crie mecanismos de segurança. Meça os resultados. E, principalmente, transforme os experimentos que funcionarem em parte da operação.

    A inteligência artificial não deve ser tratada como um projeto isolado do departamento de tecnologia. Ela é uma ferramenta de transformação empresarial.

    Ainda estamos no começo dessa jornada. O mercado passa por uma fase de experimentação intensa, que naturalmente deverá ser seguida por uma etapa de consolidação e maior adoção da tecnologia.

    Mas, para mim, está claro que empresas que aprenderem a utilizar a inteligência artificial para multiplicar a capacidade das suas pessoas estarão em uma posição muito melhor para crescer, ganhar eficiência e competir nos próximos anos.

    Na Net Turbo, estamos fazendo isso na prática. E o mais importante dessa experiência talvez seja justamente perceber que a transformação não começa quando a tecnologia está pronta. Ela começa quando a empresa decide experimentar.

    Eduardo Garcia é fundador e diretor de Novos Negócios da Net Turbo Telecom, ecossistema de soluções de tecnologia em B2B.

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