Características como otimização de custos, adaptação às mudanças e às novas exigências do mercado pressionam, progressivamente, o desenvolvimento de estratégias de inovação nas empresas para que se mantenham competitivas. Neste processo, a mensuração do impacto de iniciativas inovadoras em projetos financiados por políticas públicas é uma prática tão importante quanto o investimento para esse propósito em si.
Considerando a Lei do Bem como referência, as mais de quatro mil companhias que utilizaram essa ferramenta em 2024 realizaram investimentos que totalizaram mais de R$ 51 bilhões em fomento a pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). No entanto, a realidade hoje é de que muitas empresas ainda encontram dificuldades para compreender quais retornos estão sendo efetivamente gerados por seus investimentos em PD&I.
A correta mensuração do impacto possibilita às empresas que a inovação saia do campo conceitual e se torne um ativo gerenciável. Isso se aplica mesmo quando as atividades envolvidas no processo não proporcionam resultados financeiros imediatos, pois, ainda assim, elas também terão produzido conhecimentos para futuros projetos.

Medindo o impacto da inovação nas empresas
Atualmente, a principal dificuldade para mensurar esses benefícios está justamente em compreender que o impacto da inovação não pode ser avaliado por uma única métrica. Dependendo da natureza do projeto, é importante considerar indicadores econômicos (tangíveis e intangíveis), tecnológicos, operacionais, ambientais e até organizacionais.
A inovação nas empresas pode gerar ganhos financeiros de diferentes maneiras. A mais evidente é o desenvolvimento de novos produtos e serviços, capazes de aumentar receitas e ampliar participação de mercado. Somam-se a isso aspectos como redução de custos operacionais e desperdícios, aumento de produtividade, melhora na qualidade, otimização de processos e mitigação de riscos.
Além dos ganhos diretos, existem benefícios indiretos relacionados ao fortalecimento da marca, como a fidelização de clientes e aumento da capacidade competitiva da organização. Por conta disso, destacam-se como indicadores econômicos da inovação o crescimento de receita, redução de custos, aumento de margem, retorno sobre investimento e geração de novos mercados.
Já sob a ótica tecnológica, podem ser avaliados fatores como evolução da maturidade tecnológica, geração de propriedade intelectual, desenvolvimento de competências internas e aquisição de novos conhecimentos. Em relação aos ganhos operacionais, entram nesta equação elementos como produtividade, redução de desperdícios, melhoria da qualidade e aumento da eficiência dos processos. Por fim, projetos também vêm sendo avaliados por seus impactos ambientais e sociais, especialmente em setores que possuem compromissos relacionados à agenda ESG.
É importante destacar, entretanto, que não é possível determinar qual dimensão deve possuir maior peso neste processo, considerando que essa é uma análise particular de cada projeto e contexto empresarial e do portfólio de iniciativas da organização. O que existe é a necessidade de alinhamento entre os objetivos estratégicos da companhia e os indicadores utilizados, além da compreensão de que eles não competem entre si, mas podem ser complementares. Uma inovação pode reduzir custos, diminuir impactos ambientais e aumentar a produtividade simultaneamente.
Desafios para dimensionar os benefícios
Neste cenário, grande parcela das empresas brasileiras ainda possui uma visão de curto prazo sobre os investimentos em inovação. Em muitos casos, há a expectativa de que os resultados se manifestem imediatamente após a conclusão do projeto, quando, na prática, diversos benefícios são percebidos apenas ao longo dos anos.
Outro desafio relevante está relacionado à dificuldade de isolar o efeito da inovação dos demais fatores que influenciam o desempenho da organização. Mudanças econômicas, oscilações de mercado, estratégias comerciais e elementos externos podem impactar indicadores financeiros ao mesmo tempo que projetos inovadores.
Além disso, também há uma lacuna no estabelecimento de processos estruturados de gestão da inovação dentro das organizações, o que dificulta a criação de métricas, linhas de base e mecanismos de acompanhamento consistentes. Um fator que contribui para isso é de que, frequentemente, ações de PD&I são executadas por áreas técnicas, enquanto os indicadores são acompanhados por áreas financeiras ou estratégicas, gerando desconexão entre o que é desenvolvido e o que efetivamente é medido.
Estratégias para conclusões concretas
Para minimizar estes obstáculos, o primeiro passo que uma empresa deve seguir é definir indicadores antes mesmo do início do projeto inovador e segmentá-los em diferentes categorias, como entrada, processo, saída e impacto. Essa abordagem permite acompanhar a evolução da ação ao longo de todo o ciclo de inovação.
Uma alternativa complementar é a adoção de avaliações regulares ao longo do ciclo de desenvolvimento, e não apenas medições pontuais. A inovação é um processo contínuo e seus resultados frequentemente aparecem em horizontes temporais distintos. A criação de uma governança estruturada de PD&I, ainda, contribui significativamente para a consolidação de métricas consistentes e alinhadas aos objetivos e estratégias da organização.
Em adição aos indicadores tradicionais de prazo, custo e escopo, também é fundamental acompanhar métricas relacionadas ao aprendizado gerado pelos projetos de inovação, para os quais a geração de conhecimento é tão relevante quanto a entrega final.
Importância das políticas públicas
Instrumentos de incentivo à inovação nas empresas, como a Lei do Bem, são importantes não apenas pelo benefício financeiro proporcionado, mas também por estimular as organizações a estruturarem seus processos de PD&I, criando uma cultura de acompanhamento, governança e geração contínua de valor.
As políticas públicas, inclusive, podem ser utilizadas de maneira combinada, ou seja, um mesmo projeto pode ser elegível para a obtenção de um financiamento, ter seus gastos incentivados pela Lei do Bem e ainda ser Ativado no Intangível, por exemplo. Com isso, pelo menos sob o aspecto econômico, uma companhia consegue reduzir consideravelmente os riscos associados ao investimento e maximizar os resultados desde o momento inicial do projeto.
À medida que a competitividade do mercado aumenta, a capacidade de medir resultados torna-se tão importante quanto a própria capacidade de inovar. Empresas que conseguem estabelecer essa conexão tendem a tomar decisões mais assertivas, direcionar melhor seus investimentos e capturar de forma mais consistente os benefícios proporcionados pela inovação.
Quando as atividades de P&D e iniciativas inovadoras passam a ser tratada como um ativo estratégico mensurável, as empresas conseguem estabelecer prioridades, acompanhar resultados, direcionar investimentos e construir um portfólio equilibrado. Dessa maneira, medir os resultados destas ações possibilita o aprendizado contínuo sobre os processos de inovação, a redução de incertezas futuras e a melhora na qualidade das decisões relacionadas à alocação de recursos.
