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    Com perdas de R$ 36,5 bilhões, varejistas adotam reconhecimento facial para conter quadrilhas

    Criminosos circulam entre estados explorando falta de integração entre lojas; empresas investem em IA e bases colaborativas de dados para identificar reincidentes antes de novos furtos.
    JoaoBy Joao16 de setembro de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Varejo brasileiro registrou R$ 36,5 bilhões em perdas operacionais em 2025 | Foto ilustrativa
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    O combate às perdas no varejo brasileiro não é mais uma questão de controle interno. Com o avanço do crime organizado e a crescente circulação de criminosos entre diferentes redes e regiões do País, empresas do setor passaram a investir em inteligência artificial, compartilhamento de dados e tecnologias capazes de identificar reincidentes antes que novos furtos ocorram.

    Nos últimos meses essa discussão ganhou força nas redes sociais após viralizar um vídeo em que um empresário mostrou o sistema de monitoramento implantado no açougue de seu supermercado para reduzir desvios de carnes. A ideia foi combinar câmeras instaladas sobre as mesas de corte com um software capaz de identificar automaticamente o tipo de produto e o peso registrado na balança, reforçando o controle do estoque.

    “O melhor jeito de não ser roubado é mostrando que não dá pra roubar. Tem que usar tecnologia a favor do controle de perdas da sua loja”, comentou o comerciante.

    A estratégia do empresário pode parecer boa, mas tem dividido opiniões nas redes e entre especialistas, já que esse tipo de monitoramento isolado, já não é suficiente para enfrentar o novo perfil das perdas no varejo.

    “O controle dos processos internos continua sendo importante, mas hoje o varejo enfrenta um desafio maior: quadrilhas organizadas que exploram a falta de integração entre operações. Muitas vezes, quando uma rede consegue coibir a ação de um criminoso, ele já migrou para outra cidade ou estado”, afirma Rodrigo Tessari, CEO da Deconve, empresa especializada em prevenção de perdas para o varejo físico e integrante do Grupo OSTEC.

    Segundo o executivo, muitas vezes, quando uma rede consegue identificar um criminoso reincidente, ele já está atuando em outra cidade ou até em outro estado. “O furto não é mais um problema local e sim, uma questão de segurança nacional”.

    Além da atuação desses criminosos, o setor também enfrenta desafios como desvios de mercadorias nos centros de distribuição, falhas na gestão de estoques, erros operacionais durante o recebimento de produtos e dificuldades para consolidar informações entre centenas de lojas espalhadas pelo país.

    A necessidade de novas estratégias ocorre em um momento de crescimento das perdas no setor. Dados apresentados no Fórum ABRAPPE 2026 mostram que o varejo brasileiro registrou R$ 36,5 bilhões em perdas operacionais em 2025, alta de 15,3% em relação ao ano anterior — percentual superior ao crescimento de 6,4% no faturamento do setor, que alcançou R$ 2,55 trilhões. No mesmo período, o índice médio de perdas passou de 1,51% para 1,65%.

    Da vigilância à inteligência preditiva

    Neste momento do setor, o varejo parou de concentrar esforços apenas na vigilância ou na investigação após o crime, e cresceu a adoção de soluções baseadas em IA, análise de dados e compartilhamento de informações para prever riscos e reduzir prejuízos.

    “O varejo precisa evoluir para um modelo baseado em inteligência compartilhada, da mesma forma que aconteceu na cibersegurança, em que a troca de informações passou a ser essencial para antecipar ameaças e reduzir riscos. Hoje, muitas vezes, quando uma loja identifica um criminoso reincidente, ele já está atuando em outra cidade ou até em outro estado”, explica Tessari.

    Entre as iniciativas adotadas está a Deconve ID, plataforma de prevenção de perdas desenvolvida para conectar diferentes operações varejistas por meio de uma base colaborativa de inteligência. A solução utiliza reconhecimento facial e inteligência artificial para identificar reincidentes logo na entrada das lojas, permitindo que as equipes de prevenção sejam alertadas antes da ocorrência do furto.

    Atualmente, a plataforma reúne mais de 17 mil cadastros e está presente em mais de 500 operações varejistas em todo o País, registrando um valor médio de R$ 489 por furto inibido. Apenas no início de 2026, foram contabilizados 15.143 alertas, evitando um prejuízo estimado superior a R$ 7 milhões para as lojas participantes.

    A solução também processa mais de 5 mil alertas por mês e evita, em média, 21 tentativas de furto por loja mensalmente. Em uma grande rede da Região Sul, a adoção da tecnologia contribuiu para uma redução de 17% nas perdas totais, gerando uma economia estimada em R$ 25 milhões.

    Para Tessari, o avanço da inteligência artificial representa uma mudança de paradigma na prevenção de perdas.

    “As empresas já não procuram tecnologia apenas pela inovação. Elas querem ferramentas capazes de entregar inteligência em tempo real e apoiar decisões rápidas”.

    Segundo o executivo, a prevenção de perdas moderna precisa ser preditiva, orientada por dados e integrada entre operações.

    “Quem conseguir transformar informação em ação terá mais capacidade para proteger a rentabilidade e aumentar a eficiência operacional”, conclui.

    Inteligência Artificial negocios notícias Prevenção de Perdas segurança tecnologia varejo
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