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    Home»Eventos»Climate Week 2026: Semil destaca economia circular como eixo estratégico das políticas públicas
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    Climate Week 2026: Semil destaca economia circular como eixo estratégico das políticas públicas

    Segunda edição do Fórum de Economia Circular reuniu lideranças e especialistas para discutir a implementação de soluções circulares e fortalecer a articulação entre diferentes setores
    JoaoBy Joao5 de agosto de 2026Nenhum comentário7 Mins Read
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    A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) sediou, nesta terça-feira (4), a segunda edição do Fórum de Economia Circular, realizado pelo Movimento Circular como Hub Oficial de Economia Circular da São Paulo Climate Week. A programação trouxe debates sobre mobilidade circular, logística reversa, educação ambiental, inovação em materiais e embalagens e a importância de políticas públicas para a transição rumo à economia circular.

    Na abertura do evento, o subsecretário de Saneamento e Recursos Hídricos da Semil, Cristiano Kenji Iwai, reforçou que a economia circular é tratada como um eixo transversal e prioritário nas políticas públicas do Estado de São Paulo.

    “Nas nossas políticas públicas, atuamos para integrar esse conceito de forma sistêmica em diferentes setores, conectando o desenvolvimento econômico, a infraestrutura e a preservação ambiental. Um exemplo é o Plano Estadual de Combate ao Lixo no Mar, que tem um eixo estratégico voltado à prevenção e circularidade, buscando fechar o ciclo dos materiais e impedir que resíduos cheguem aos oceanos”, explicou.

    O subsecretário também destacou a economia circular como um dos pilares centrais em outros planos estaduais.

    “No Plano Estadual de Resíduos Sólidos, gerido pela Semil, a estratégia estadual foca em transformar o modelo linear tradicional — extrair, produzir e descartar — em um ciclo fechado, no qual o resíduo passa a ser visto como matéria-prima e recurso econômico. Já o Programa Integra Resíduos atua justamente como uma estratégia para viabilizar a regionalização, a gestão compartilhada e a inserção dos municípios na economia circular”, afirmou.

    A abertura também contou com a participação do diretor-executivo do Movimento Circular, Vinicius Saraceni, que destacou a importância de projetos dedicados à educação e à conscientização para o reaproveitamento de resíduos como forma de contribuir para a reversão da crise ambiental. “Sabemos que a discussão sobre economia circular já superou a fase do diagnóstico e entrou definitivamente na agenda da implementação presente nas discussões climáticas de governos e das grandes corporações”, afirmou.

    De acordo com Saraceni, propostas para ampliar a reciclagem e acelerar a transição para uma economia circular serão levadas às discussões da COP31, conferência climática da Organização das Nações Unidas (ONU) marcada para ocorrer entre 9 e 20 de novembro, em Antalya, na Turquia.

    “Ao reunir lideranças de diversos setores que já estão implementando essas soluções na prática, o Fórum cria um espaço para antecipar discussões, compartilhar experiências e fortalecer metas e propostas que podem contribuir para os debates internacionais que antecedem a COP31”, comentou.

    Trilhas temáticas

    Os conteúdos do evento foram organizados em cinco trilhas temáticas: Políticas Públicas, Mobilidade Circular, Consumo Circular, Elas na Circularidade e Moda Circular. No painel dedicado à Mobilidade Circular, foram abordados os desafios, a inovação e as possibilidades de novos modelos de negócios.

    Adriano Barros, diretor de Assuntos Governamentais e Regulatórios da Stellantis na América do Sul, falou sobre a consolidação da Circular Autopeças, o primeiro Centro de Desmontagem Veicular da Stellantis, localizado em Osasco, na Grande São Paulo, que é o primeiro hub industrial focado na destinação correta de resíduos e na economia circular. “Na planta, realizamos o desmanche ecológico e legalizado de veículos em fim de vida útil ou sinistrados, garantindo a destinação correta de 100% de seus resíduos e materiais. Em um ano, já desmontamos cerca de mil veículos”, explicou o executivo da Stellantis.

    Para ele, entre os desafios da economia circular no Brasil está a baixa destinação formal de veículos. “O Brasil descarta cerca de dois milhões de veículos por ano, mas apenas 1,5% passam por desmontagem e destinação ambientalmente correta. O restante da frota fora de uso vai para desmanches ilegais, pátios de órgãos de trânsito ou fica abandonado nas ruas do país”, afirmou Adriano Barros.

    Arthur Rufino, fundador e CEO da Octa, uma startup pioneira focada em economia circular automotiva que conecta proprietários de grandes frotas corporativas a centros de reciclagem e desmontagem veicular autorizados, explicou que transformar o descarte de veículos em um processo industrial que, além de sustentável e rastreável, é altamente rentável.

    “Resolvemos um grande gargalo ambiental e financeiro de indústrias, seguradoras e frotistas. Em vez de tratar veículos sinistrados ou obsoletos como passivos ambientais ou sucata de baixo valor, o nosso modelo de negócios maximiza o retorno financeiro de grandes empresas ao reinserir peças e materiais de alta qualidade na cadeia produtiva, operando em um mercado brasileiro estimado em R$ 40 bilhões por ano”, afirmou Rufino.

    A programação contou com representantes do setor público, empresas, academia, entidades internacionais e sociedade civil participando de painéis, experiências práticas e agendas de articulação voltadas à implementação de soluções circulares. Entre os destaques das palestras estiveram temas como competitividade, inovação, financiamento climático e o papel da circularidade na descarbonização da economia.

    A Semil também participou de painéis com representantes da diretoria de Educação Ambiental e de Gestão Corporativa e Sustentabilidade da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), em debates sobre educação ambiental, inovação e políticas públicas para a transição rumo à economia circular.

    Por fim, o evento contou com painéis sobre a circularidade guiada por dados e pelo uso de inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) e análise de dados em tempo real para transformar resíduos em recursos, otimizar ciclos de materiais e guiar a transição ecológica de empresas e governos.

    A programação abriu espaço para debates sobre a economia circular na moda, que substitui o modelo linear de extração e descarte por um ciclo regenerativo focado em durabilidade, reutilização e reciclagem, redefinindo a forma como vestimos e produzimos para zerar o desperdício.

    O cronograma do evento inclui ainda visitas técnicas a iniciativas que já colocam a economia circular em prática, como a Usina de Bioenergia da USP, a Unidade de Valorização Sustentável (UVS) Caieiras, operada pela Solví, e outras experiências voltadas à recuperação de materiais, gestão de resíduos e inovação circular. O objetivo é aproximar o debate das soluções que já estão em operação e demonstrar, na prática, como a circularidade gera valor econômico, social e ambiental.

    Mais detalhes no site do evento: https://forum.movimentocircular.com.br/

    Fundação Florestal promove debates sobre conservação e bioeconomia

    A programação principal de debates e conteúdos centrais do fórum está concentrada em um percurso de três dias, de 3 a 5 de agosto, estruturando uma jornada que vai do diagnóstico do cenário atual até a entrega de soluções práticas. Nos dias 5 e 6 de agosto, a Fundação Florestal, vinculada à Semil, realiza uma programação especial no Auditório Augusto Ruschi, na sede da Semil, reunindo especialistas para discutir conservação da biodiversidade, bioeconomia, adaptação costeira, soluções baseadas na natureza, ciência cidadã, pesquisa aplicada às mudanças climáticas e os compromissos do Brasil nas agendas internacionais de clima e biodiversidade. Entre os destaques está o painel “Duas COPs, uma agenda: como integrar clima e biodiversidade”, que reúne especialistas da Semil, Cetesb, SP Águas e convidados para discutir a integração entre as agendas da biodiversidade e das mudanças climáticas.

    São Paulo Climate Week

    Reconhecida como um dos principais encontros sobre clima do país, a São Paulo Climate Week reúne representantes do setor público, iniciativa privada, academia, organizações da sociedade civil e organismos internacionais para discutir soluções voltadas à transição climática e ao desenvolvimento sustentável. A programação ocorre em diferentes hubs temáticos distribuídos pela cidade de São Paulo, sendo a maioria das atividades gratuita mediante inscrição prévia.

    Mais detalhes no site do evento: https://spclimateweek.com.br/

    COP31 Economia Circular inovação? Meio Ambiente notícias São Paulo São Paulo Climate Week SEMIL sustentabilidade
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