O “Março Amarelo” é o mês da conscientização da endometriose no país. O objetivo da campanha é conscientizar sobre os sinais, sintomas, formas de prevenção e importância do diagnóstico precoce para o tratamento da doença. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o problema atinge, aproximadamente, 180 milhões de mulheres no mundo e sete milhões no Brasil. Uma em cada dez brasileiras, em idade reprodutiva, apresenta a síndrome.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica, caracterizada pela implantação e crescimento de tecido endometrial fora do útero. O pico de incidência é entre 25 e 30 anos, ou seja, a idade fértil. Dor crônica e problemas de fertilidade são sintomas comuns nas pacientes. A causa da endometriose é multifatorial e baseada em fatores genéticos; fator imunológico (há alterações na imunidade humoral e celular); fator hormonal (maior produção/exposição ao estrógeno); fatores ambientais (o mais notado é a dioxina, substância presente em indústrias químicas, metalurgia, siderurgia e combustão de veículos. Isso quer dizer que leva à redução de andrógenos, aumentando a secreção de FSH e LH). É uma doença com característica crônica, indolente, progressiva e ainda sem cura. O tratamento consiste em terapias hormonais, medicação analgésica e cirurgia.
Cannabis Medicinal e a endometriose
De acordo com José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, o aparelho reprodutor feminino contém uma das maiores concentrações de receptores canabinoides do organismo e uma quantidade de endocanabinoides maior que os encontrados no cérebro. “Logo, é de se esperar que exista espaço para o tratamento da endometriose com fitocanabinoides”, aponta o médico.

Para José Wilson, o potencial anti-inflamatório e analgésico são as principais vantagens terapêuticas do CBD (canabidiol) e do THC (tetrahidrocanabinol). Ele destaca que o tratamento com a Cannabis nas pacientes pode diminuir a vascularização dos implantes endometriais, além de melhorar o padrão de sono e os distúrbios ansiosos. “Vale lembrar que a maioria das mulheres diagnosticadas com endometriose encontra-se na fase fértil da vida. Fitocanabinoides são contraindicados em gestantes e lactantes”, finaliza.
