Segundo informações do site do Ministério da Saúde, a Síndrome de Burnout — traduzido do inglês, burn quer dizer queima e out exterior — é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. Essa síndrome é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes, como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas, dentre outros.
De acordo com o médico José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a classificar a Síndrome de Burnout como doença ocupacional. “Está diretamente correlacionada com o ambiente de trabalho. Caracteriza-se por tensão emocional e estresse crônicos, normalmente levando a quadros de depressão e ansiedade. Distúrbios do sono, dores de cabeça, cansaço e pressão alta, também podem ocorrer como sintomas associados”, aponta.
José Wilson comenta que o Burnout é uma síndrome multissintomática, e a Cannabis Medicinal pode ajudar o paciente no tratamento. De acordo com ele, a grande vantagem é o fato de ser um medicamento que pode mitigar a maioria dos sintomas apresentados. O potencial de modular a produção e ação de vários neurotransmissores no cérebro é que possibilita o amplo espectro terapêutico. “Sabemos que o estresse crônico está correlacionado com inflamação, e os fitocanabinoides podem modular o processo inflamatório. Sua ação em receptores de serotonina, noradrenalina e dopamina conferem uma ação ansiolítica e antidepressiva. Fitocanabinoides podem ser usados como indutores do sono. Modulação do apetite também é observada”, destaca.
Como qualquer medicamento, a Cannabis também apresenta efeitos colaterais. Os mais observados são sonolência, distúrbios gastrointestinais e alteração do apetite. Crianças, gestantes e lactantes não devem usar fitocanabinoides, pois seu sistema endocanabinoide não está maduro. O médico diz que existem exceções, mas cabe ao profissional avaliar se o benefício para o paciente é maior que o risco. José Wilson alerta que pacientes com histórico de psicose ou cardiopatia descompensada devem evitar THC (tetrahidrocanabinol). Disfunção hepática também pode impedir a utilização de cannabis medicinal, sendo essencial que se avalie a interação medicamentosa com outros fármacos em uso.

O médico salienta que o potencial de modular a neurotransmissão coloca a Cannabis como candidata ao tratamento de várias patologias que afetam a saúde mental. “É de suma importância ressaltar a segurança terapêutica. Não existe overdose de cannabis. Se observarmos os efeitos colaterais de ansiolíticos, antidepressivos e indutores do sono, além do potencial de tolerância e dependência dessas drogas, não há por que não optarmos por fitocanabinoides”, pontua.
Perguntado se o Canabidiol (CBD) pode ser usado para auxiliar os sintomas associados ao estresse, sem causar a desaceleração da atividade psicomotora ou alteração do humor, José Wilson fala que o CBD é psicoativo, age no sistema nervoso central (SNC) e tem ação ansiolítica marcante. “Não é psicotomimético. Não intoxica o SNC. Portanto, não causa impacto psicomotor. É possível desempenhar todas atividades diárias na vigência do uso de CBD. Já o THC é psicotomimético. Logo, seu uso é mais delicado. É necessário tomarmos os mesmos cuidados que dispensamos de benzodiazepínicos e sedativos”, explica.
