Oncologista diz que quanto mais cedo diagnosticado, maior é a chance de cura
De acordo com dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar, em 2023, 7.840 casos de câncer de endométrio. O número mostra um crescimento de quase 20% se compararmos com a estimativa feita para o ano passado. O risco da doença aumenta em mulheres com mais de 50 anos, mas existem outros fatores como predisposição genética, excesso de gordura corporal, reposição hormonal e algumas síndromes, como a do ovário policístico e de Lynch. O sangramento vaginal fora do período menstrual é o sinal mais comum de câncer de endométrio. Sintomas como dor pélvica, presença de uma massa palpável na região abdominal e a diminuição do apetite, cansaço e palidez podem surgir mesmo na fase em que a doença ainda está localizada.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, não existem exames de rastreamento específicos para o diagnóstico precoce do câncer de endométrio. No entanto, quando há suspeita da doença, o especialista realiza exames físicos, com o objetivo de verificar a presença de outros sinais sugestivos, como dor e/ou massa pélvica palpável. O profissional faz uma anamnese detalhada, com perguntas sobre o histórico pessoal e familiar, para investigar a presença de fatores de risco. Em relação aos exames de sangue, costuma-se solicitar um hemograma completo, pois mulheres com sangramentos uterinos têm redução na contagem dos glóbulos vermelhos. Também são avaliados os níveis de CA-125, uma substância liberada na corrente sanguínea por diversos tipos de tumores de ovário e de endométrio. Outro exame bastante realizado é a ultrassonografia. Nesse caso, o objetivo é visualizar se o endométrio está mais grosso do que o normal, e se há pólipos endometriais, entre outras alterações. Para determinar o diagnóstico, o médico solicita uma biópsia. As amostras de tecidos podem ser obtidas através de biópsia endometrial (empregada, principalmente, em mulheres na menopausa), histeroscopia ou dilatação e curetagem.
Uma vez extraídas, as amostras seguem para a análise laboratorial. A partir de então, é preciso aguardar o laudo que indicará o tipo de tumor e o estágio da doença.

Conforme a oncologista Lucíola Pontes, o tratamento geralmente envolve uma combinação de cirurgia, quimioterapia e terapia-alvo (subtipo de tratamento que ataca especificamente as células cancerígenas, evitando danos às células sadias). “As chances de cura estão intimamente relacionadas ao estágio em que a doença foi diagnosticada. Quanto mais cedo, maior a chance”, alerta a médica.
