O atual cenário de instabilidade das cadeias globais também tem trazido novos desafios para fornecedores de matérias-primas e produtos da indústria e reforçado o protagonismo do atendimento nas operações industriais. Esse movimento tem transformado o foco, antes sintetizado nos pilares prazo, preço e produto, com outras atribuições como capacidade de adaptação, prontidão, informação e solução de problemas, diante de riscos de desabastecimento. E por que essa mudança é importante?
Com os níveis de estoque da indústria nacional oscilando na linha dos 50 pontos — segundo o levantamento Sondagem Industrial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em agosto, o índice aumentou 1,7 ponto, alcançando 51 pontos, de junho para julho — e o aumento do preço de insumos, impactados por maior exposição a tarifas internacionais, questões geopolíticas, fretes e mudanças de mercado, o atendimento se torna pilar estratégico, principalmente no que se refere à previsibilidade da cadeia e à capacidade de respostas de fornecedores.
A indústria automotiva é uma das que têm enfrentado desafios com a dependência estrutural de insumos vindos do exterior, por exemplo. Informações da CNI mostram que o setor atua com um déficit projetado em US$ 67,7 bilhões para o período 2024-2025. Já na construção civil, a instabilidade das cadeias globais tem impactado a aquisição de insumos e a alta de preços. Dados da instituição, em parceria com Confederação Brasileira da Industria da Construção (CBIC), mostram que o valor médio dos insumos atingiu índice de 68,4 pontos, no primeiro trimestre, e 66,2 pontos no segundo, o que significa alta percepção de aumento por parte do mercado.
“Apesar da oferta de preço e prazo serem diferenciais importantes, já não são suficientes na relação fornecedor-cliente no atual cenário. Isso porque o risco de abastecimento passou a fazer parte da decisão de compra, colocando o atendimento no protagonismo da cadeia. Com isso, além de valor, é importante o cliente considerar a relevância de contar com um parceiro capaz de oferecer respostas rápidas a diversas situações como, por exemplo, a substituição de componentes adquiridos, algo não viável em operações de importação, o que impacta em tempo de espera, parada de produção, compras emergenciais e maior custo”, afirma Claudio da Luz Ferreira, gerente comercial da Ecoalumi, empresa especializada em refusão e extrusão de alumínio para mercados industriais e de construção civil.
O executivo ainda acrescenta, “atualmente, é importante que os fornecedores nacionais atuem próximos dos seus clientes, buscando entender as necessidades e também tendo a flexibilidade de adaptação para apoiá-los na jornada de compra. O diferencial do serviço não está em apenas cumprir o planejado, mas na capacidade de responder a imprevistos”.
Ferreira informa que, de fevereiro a agosto deste ano, a empresa fez 166 visitas a clientes, em 18 estados e mais de 90 cidades, proximidade que, segundo ele, fortalece o relacionamento, a parceria, a confiança e o entendimento do momento de cada um deles.
“Muitas empresas não conseguem se organizar para isso, porque envolve fatores como ajuste de agenda, disponibilidade de equipe e custos com passagens e hospedagens, algo que não está em seus orçamentos mensais. E o atendimento é um diferencial em que não existe mágica, é fazer o básico bem feito: a visita, a conversa, o olho no olho, a parceria de fato. É fundamental estar onde o cliente está. É claro que também contamos com os trabalhos de marketing, com as ferramentas digitais, mas não abrimos mão dessa relação próxima e humana e isso tem dado muito certo, já que contribui para maior segurança dos clientes, manutenção de seus planejamentos e previsibilidade de mercado”, finaliza o gestor.
Recentemente, a Ecoalumi anunciou nova fábrica em Maringá (PR) e aquisição de novo maquinário, o que deve ampliar o volume de alumínio extrusado das atuais 1.000 toneladas mensais para 1.500 toneladas no próximo ano, e possibilitar a projeção de crescimento nas vendas em 25%.
