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    Home»Saúde»Arritmia cardíaca atinge mais de 20 milhões de brasileiros
    Saúde

    Arritmia cardíaca atinge mais de 20 milhões de brasileiros

    Meio & NegócioBy Meio & Negócio8 de dezembro de 2023Updated:9 de dezembro de 2023Nenhum comentário4 Mins Read
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    Dados apresentados pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac) indicaram que a doença atinge mais de 20 milhões de pessoas no país. Ela é responsável por mais de 320 mil mortes súbitas anualmente no Brasil. Segundo o arritmologista Frederico Scuotto, são anormalidades na formação ou condução do impulso elétrico pelo coração que gera os batimentos cardíacos. As manifestações clínicas variam desde quadros benignos até aqueles que ameaçam a vida. As arritmias podem estar presentes desde a vida intrauterina até a adulta, tendo maior prevalência em idades mais avançadas. Como exemplo, o apresentador Raul Gil. Aos 81 anos, ele descobriu a doença em exames de rotina.

    O médico diz que a arritmia é provocada pela união de fatores de risco não modificáveis (idade, alterações genéticas), com fatores de risco modificáveis — tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, histórico de infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca, sedentarismo, obesidade, síndrome da apnéia obstrutiva do sono. “No caso das arritmias, os gatilhos também são importantes, como o estresse emocional, consumo excessivo de bebidas à base de cafeína, libação alcoólica, privação de sono”, comenta.

    De acordo com Scuotto, estima-se que até 50% dos casos de arritmia cardíaca são assintomáticos, sendo um motivo para o acompanhamento regular com o cardiologista. A realização de exames preventivos está indicada especialmente aos pacientes acima de 35 anos de idade. “Quando os sintomas estão presentes, o principal representante é a palpitação. Pode se manifestar como uma sensação de aceleração no coração ou como sensação de falha de batimento cardíaco. No entanto, dor no peito, falta de ar, tontura, sensação de desmaio e o desmaio também são sintomas das arritmias cardíacas”, explica.

    Os principais exames que ajudam a diagnosticar as arritmias cardíacas são os que permitem registrar o ritmo cardíaco e fazer sua avaliação. “O eletrocardiograma é de suma importância. É um exame simples, barato e que fornece ricas informações sobre a formação e condução do impulso elétrico pelo coração”, aponta. O cardiologista destaca a existência de outros exames que permitem monitorar o ritmo por mais tempo, como o Holter 24h e o Loop Recorder externo que permite a monitorização do ritmo cardíaco por até 28 dias; o teste ergométrico auxilia bastante na avaliação das arritmias cardíacas, pois mostra o registro eletrocardiográfico em situação de esforço, em que muitas das arritmias podem ser originadas. Ainda, a avaliação estrutural e morfológica do coração é importante e pode ser realizada através do ecocardiograma bem como da ressonância magnética cardíaca, quando maiores detalhes são necessários.

    Frederico ressalta que os tratamentos disponíveis variam conforme a gravidade do quadro, os sintomas do paciente e a recorrência das arritmias. “Quando muito leves e assintomáticas, as arritmias podem ser apenas acompanhadas clinicamente. Pode haver a necessidade do uso de fármacos — os chamados antiarrítmicos. Em casos selecionados, pode ser realizado um procedimento invasivo semelhante ao cateterismo cardíaco, chamado estudo eletrofisiológico com ablação. Nele, é feita a avaliação por cateter da parte elétrica do coração. Se constatada alguma anormalidade passível de tratamento, pode ser realizada a cauterização do foco da arritmia”, explana. Outras arritmias necessitam da utilização de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis como marcapassos, indicado quando o coração bate muito lentamente (bradicardia) ou cardioversores-desfibriladores implantáveis (CDI), quando é detectada alguma arritmia com potencial risco de vida. Arritmias graves em pacientes com graus avançados de insuficiência cardíaca (coração muito fraco) podem precisar de transplante cardíaco.

    Dr. Frederico Scuotto – Foto divulgação

    Existem ainda arritmias muito relacionadas a alterações genéticas, explica o especialista, podendo variar desde quadros leves até a risco de morte súbita cardíaca, como ocorrem com as chamadas canalopatias. São alterações nos canais iônicos relacionados ao surgimento dos batimentos cardíacos e podem se manifestar na infância através de desmaios e morte súbita. “Seus principais representantes são a Síndrome do QT Longo, a Síndrome de Brugada e a Taquicardia Ventricular Polimórfica Catecolaminérgica. Devido ao risco que essas condições impõem ao paciente, os indivíduos portadores devem ser estratificados precocemente quanto a necessidade de implante de cardioversor-desfibrilador”, finaliza.

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