De um lado, a divulgação de dados fracos da economia dos Estados Unidos — com o Produto Interno Bruto crescendo apenas 1,5% no segundo trimestre, abaixo das projeções de 2,1%, e um índice de inflação PCE mais moderado — reduziu a pressão sobre o Federal Reserve para novos aumentos de juros. Do outro lado, esse movimento de desvalorização ganhou ainda mais força com as suspeitas de intervenção do governo japonês no mercado de câmbio. A provável venda maciça de dólares pelo Japão para conter a queda do iene pressionou fortemente para baixo o índice DXY, que mede a força da moeda americana contra uma cesta de moedas fortes, gerando um efeito cascata de liquidez que beneficia diretamente as divisas de países emergentes.
No âmbito doméstico e de commodities, o movimento favorável ao real ganha tração extra com o alívio nas cotações do petróleo, que passam por uma correção após a disparada recente motivada pelas tensões no Oriente Médio, amenizando os receios sobre a inflação global. Somado a isso, o mercado local reflete um bom humor sustentado pela recente queda no desemprego no Brasil e pela forte expectativa em torno da temporada de balanços, com destaque para os resultados da Vale no fim do dia. Essa melhora generalizada no sentimento de risco internacional, combinada à fraqueza global do dólar, atrai capital estrangeiro para a Bolsa brasileira, empurrando a taxa de câmbio para baixo e ajudando a sustentar uma forte alta do Ibovespa ao longo da sessão.
