O Brasil está entre os cinco principais mercados globais do Airbnb, segundo o CEO da plataforma, Brian Chesky. O crescimento do aluguel por temporada no país reforça a percepção de muitos investidores de que esse modelo pode gerar renda e valorização patrimonial ao longo do tempo.
Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em 2025 com base em dados do ano anterior, a atividade do Airbnb movimentou quase R$ 100 bilhões na economia brasileira em apenas um ano. O levantamento informa que o setor sustentou 627,6 mil postos de trabalho, adicionou R$ 55,8 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) e gerou R$ 8 bilhões em tributos diretos.
Nesse movimento, os investidores passaram a buscar imóveis em cidades turísticas ou regiões com grande circulação de visitantes. A popularização dos leilões on-line tem sido uma possibilidade para quem mora fora dessas localidades adquirirem propriedades à distância.
Quem mora na capital carioca, por exemplo, e está procurando por leilão de imóveis no estado do Rio de Janeiro (RJ) para investir pode encontrar oportunidades em cidades como Petrópolis. Segundo a Ademi-RJ, a cidade aparece entre os destinos promissores para investidores interessados em locação de temporada, impulsionada pela demanda de finais de semana e feriados prolongados.
Ao mesmo tempo, investir à distância ainda gera dúvidas comuns entre novos anfitriões. Questões relacionadas à limpeza, entrega das chaves, comunicação com hóspedes e manutenção do imóvel costumam surgir logo no início da operação.
Para o turismólogo e sócio fundador da Escola de Anfitriões e professor de turismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), Rodrigo Galvão, um dos primeiros pontos que precisam de atenção é justamente o processo de check-in e check-out.
Segundo ele, que é “superhost” no Airbnb há nove anos, o ideal é que a entrada e a saída dos hóspedes aconteçam de forma automatizada, trabalhando com o “self check-in” e o “self check-out”, na qual o hóspede faz isso de maneira autônoma.
Galvão recomenda a instalação de fechaduras eletrônicas com gerenciamento remoto. Alguns modelos permitem criar senhas individuais para cada reserva e limitar o acesso apenas ao período contratado pelo hóspede, além de notificar quando alguém abre a porta da acomodação. “Então, com essa fechadura eletrônica, você tem controle de acesso e o seu hóspede tem autonomia”, destaca.
Para monitorar entradas e saídas, mesmo estando em outra cidade, ele também indica a instalação de câmeras de segurança voltadas para a parte externa da acomodação, desde que o condomínio permita esse tipo de equipamento.
Atenção às regras do condomínio
A discussão sobre regras condominiais, inclusive, ganhou ainda mais destaque recentemente. No último dia 8 de maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que condomínios residenciais não poderão mais ser utilizados livremente para hospedagens de curta temporada por plataformas como o Airbnb sem autorização formal dos moradores.
O entendimento do tribunal estabelece que proprietários só poderão oferecer imóveis para estadias curtas quando a convenção condominial permitir expressamente esse tipo de uso ou houver aprovação em assembleia com quórum qualificado de dois terços dos moradores.
A movimentação ocorreu em meio a casos recentes envolvendo locações irregulares. Em São Paulo (SP), apartamentos populares foram alvo de denúncias após serem anunciados ilegalmente para aluguel de curta temporada. O caso acabou motivando discussões na Câmara Municipal da cidade sobre possíveis fraudes relacionadas à venda e locação desses imóveis.
Por isso, quem pretende comprar imóveis em leilão em SP ou adquirir propriedades diretamente com imobiliárias e proprietários com a finalidade de locação para temporada deve verificar previamente se o condomínio aceita.
Essas informações costumam aparecer nos editais e documentos do imóvel, especialmente em modalidades digitais de grandes bancos, como leilão de imóveis pelo Bradesco, Itaú e outras instituições que atuam com leilões extrajudiciais.
Comunicação com hóspedes exige rapidez e organização
Segundo Galvão, depois da automatização do check-in e do check-out, outro ponto importante para quem administra um Airbnb à distância é a comunicação com os hóspedes. O anfitrião precisa se manter presente mesmo estando longe fisicamente da acomodação. Para isso, o acesso à internet e o acompanhamento frequente das mensagens se tornam indispensáveis.
Ele aponta que, em vez do WhatsApp tradicional, o uso da versão profissional do aplicativo, o WhatsApp Business, pode facilitar bastante a rotina. Nela, é possível organizar contatos por etiquetas, separar conversas por reservas e programar mensagens de atendimento.
“Se você quiser mandar uma mensagem automática quando o hóspede enviar alguma coisa, você também pode. Ou seja, uma infinidade de recursos que muitos anfitriões não utilizam”, acrescenta.
A comunicação rápida também ajuda a reduzir problemas durante a estadia e é recomendada pelo próprio Airbnb. Informações sobre entrada no imóvel, regras da acomodação, funcionamento de eletrodomésticos e horários de check-out podem ser enviadas previamente, evitando dúvidas de última hora.
Limpeza e lavanderia precisam de processos bem definidos
Além da comunicação, a gestão da limpeza e da lavanderia costuma ser um dos maiores desafios para quem administra um imóvel remotamente. Entre as principais recomendações feitas pela plataforma para garantir avaliações positivas estão higienizar as áreas mais utilizadas, verificar ralos e pias e garantir a reposição de itens essenciais, como frascos de sabão.
Segundo Galvão, o ideal é contar com profissionais previamente treinados para executar a preparação da acomodação entre uma reserva e outra. Para quem administra à distância, ele recomenda criar checklists detalhados, gravar vídeos explicando os procedimentos e padronizar o processo de limpeza. Assim, caso seja necessário encontrar outra pessoa para limpar, ela consegue ser treinada remotamente.
O especialista também destaca que existem empresas especializadas na terceirização desse tipo de serviço. Em vez de depender exclusivamente de uma diarista fixa, há anfitriões que contratam plataformas que intermediam equipes de limpeza sob demanda.
A lavanderia também pode funcionar de forma terceirizada. Segundo ele, algumas empresas fazem a coleta das roupas utilizadas e entregam novos enxovais logo após a saída dos hóspedes.
Galvão ressalta ainda que, para investidores que não desejam participar diretamente da operação, existem empresas especializadas em gestão remota de hospedagens. Elas assumem etapas como atendimento ao hóspede, limpeza, manutenção e organização da agenda de reservas, facilitando todo o processo.
