O Brasil nunca teve tantos empreendedores. Em 2025, o país registrou a abertura de 5,1 milhões de novas empresas, o maior volume da série histórica, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal. Desse total, mais de 96% são pequenos negócios, reforçando a força do empreendedorismo como motor da economia nacional. Mas abrir uma empresa nunca significou, necessariamente, construir um negócio saudável.
Em um cenário marcado por crédito mais caro, margens pressionadas, aumento da concorrência e transformações tecnológicas aceleradas, muitos empresários ainda concentram seus esforços em vender mais, conquistar clientes e expandir a operação, enquanto deixam em segundo plano justamente aquilo que sustenta qualquer crescimento: a organização financeira.
Segundo Wilson Sanches, diretor-geral da Domínio Financeiro, essa inversão de prioridades explica por que tantas empresas enfrentam dificuldades mesmo apresentando crescimento no faturamento.
“O maior erro do empresário brasileiro é acreditar que organização financeira serve apenas para controlar despesas. Na prática, ela é o que sustenta todas as decisões estratégicas do negócio. Contratar pessoas, abrir uma filial, investir em tecnologia, captar recursos ou até comprar outra empresa depende diretamente da qualidade das informações financeiras. Sem isso, qualquer decisão deixa de ser estratégica e passa a ser um palpite.”
Na avaliação do executivo, prosperar em um ambiente econômico cada vez mais competitivo exige disciplina, informação e capacidade de tomar decisões baseadas em dados. Para ele, existem cinco pilares que se tornaram indispensáveis para qualquer empresa que deseja crescer de forma sustentável.
Parar de administrar olhando apenas o saldo da conta
Ter dinheiro disponível não significa que a empresa seja lucrativa. É comum que empresários utilizem o saldo bancário como principal indicador da saúde financeira do negócio. O problema é que essa visão mostra apenas uma fotografia do momento, sem considerar compromissos futuros, sazonalidades, custos ocultos e fluxo de caixa projetado.
“O caixa mostra o presente. A gestão financeira mostra o futuro. Empresas que administram apenas olhando o extrato bancário normalmente descobrem seus problemas quando já é tarde”, afirma Sanches.
Entender que fluxo de caixa vale mais do que faturamento
Empresas podem vender cada vez mais e, ainda assim, perder dinheiro. Segundo o especialista, crescimento sem controle financeiro costuma gerar uma falsa sensação de prosperidade. O aumento das vendas traz mais estoque, mais impostos, mais folha de pagamento e maior necessidade de capital de giro. Sem previsibilidade financeira, a expansão pode se transformar rapidamente em um problema.
Conhecer a margem real de cada venda
Outro erro recorrente é precificar produtos e serviços sem conhecer todos os custos envolvidos na operação. Frete, impostos, despesas financeiras, comissões e custos indiretos muitas vezes ficam fora da conta, reduzindo silenciosamente a rentabilidade do negócio. “Boa parte dos empresários sabe quanto vende, mas poucos sabem exatamente quanto ganham em cada operação. Essa diferença faz toda a diferença no resultado da empresa.”
Substituir o “feeling” por indicadores
A transformação digital também mudou a forma de administrar empresas. Hoje existem ferramentas capazes de consolidar informações financeiras, integrar dados bancários, automatizar processos e oferecer indicadores em tempo real. Mesmo assim, muitas decisões continuam sendo tomadas apenas pela experiência do empreendedor.
“Experiência continua sendo importante, mas ela precisa caminhar junto com informação. Empresas competitivas utilizam indicadores para decidir. Quem administra apenas pela intuição corre um risco muito maior de errar.”
Transformar o financeiro em área estratégica
Durante muitos anos, o departamento financeiro foi visto apenas como responsável por pagar contas, emitir boletos e controlar despesas. Esse papel mudou. Na visão da Domínio Financeiro, o financeiro passou a ocupar posição central nas decisões de crescimento, eficiência operacional e geração de valor.
“O empresário precisa deixar de enxergar o financeiro como uma área operacional. Hoje ele é um
instrumento estratégico. É dali que saem as informações que permitem reduzir desperdícios, melhorar
margens, antecipar riscos e identificar oportunidades de crescimento.”
Segundo Sanches, empresas que estruturam processos, indicadores e governança conseguem reagir mais rapidamente às mudanças do mercado e tornam-se naturalmente mais atrativas para investidores, instituições financeiras e potenciais parceiros de negócio.
“Nos últimos anos vimos milhares de empresas nascerem no Brasil. O próximo desafio será fazer com que elas cresçam de forma sustentável. E isso não depende apenas de vender mais. Depende de conhecer profundamente os números do próprio negócio e transformar informação financeira em vantagem competitiva.”
