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    Home»Notícias Corporativas»Ranúnculo italiano ganha espaço no mercado brasileiro
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    Ranúnculo italiano ganha espaço no mercado brasileiro

    DinoBy Dino2 de junho de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Em maio, o mercado brasileiro de flores inicia o abastecimento de uma das espécies mais sazonais do calendário nacional: o ranúnculo. Conhecida pelo volume de pétalas sobrepostas e pela estética singular, a flor retorna ao circuito comercial em uma janela limitada de oferta.

    No Brasil, a genética das linhagens pertence à italiana Biancheri Creazioni, considerada a maior breeder de ranúnculos, enquanto a produção é realizada em solo mineiro, sob exclusividade contratual da Cooperflora, cooperativa localizada em Jaguariúna (SP), desde 2018. O cultivo se concentra no sul de Minas Gerais, em regiões de elevada altitude.

    Segundo Maurício Torres, representante da Biancheri Creazioni no Brasil, a Lei de Proteção de Cultivares tornou o país mais atrativo para breeders internacionais. “Com a lei, breeders de vários países encontraram a possibilidade de trazer ao Brasil materiais genéticos de alto valor agregado, abrindo espaço para novas espécies e cultivares”, afirma.

    A parceria entre breeder e cooperativa foi estruturada para proteger o desenvolvimento comercial do ranúnculo no país. “A estratégia foi inserir a flor na Cooperflora para proteger o mercado e trabalhar um posicionamento de valor que beneficie também o produtor”, acrescenta.

    Com ciclo produtivo concentrado entre maio e setembro, o ranúnculo depende da combinação entre biotecnologia europeia e manejo em microclimas de altitude.

    A engenharia genética por trás do desenvolvimento dos cormos

    A estruturação da cadeia começa anos antes da comercialização. Na Europa, a Biancheri Creazioni desenvolve o melhoramento genético das variedades, buscando flores com maior durabilidade pós-colheita, hastes mais firmes, diâmetros ampliados e uma paleta de cores alinhada às tendências globais.

    Os insumos chegam ao Brasil na forma de cormos, estruturas subterrâneas de reserva responsáveis pela propagação da planta. Por serem materiais biológicos vivos e protegidos por patente internacional, a importação exige controle alfandegário e fitossanitário conforme as normas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

    Segundo Edson Ribeiro, gestor do Núcleo de Produtos da Cooperflora, área que acompanha tecnicamente o portfólio dos cooperados, o processo exige atenção desde a origem do material.

    “A importação de cormos de ranúnculo é enquadrada pelo Mapa como material propagativo de Categoria 4, Classe 2, o que representa alto risco fitossanitário. Por isso, é fundamental trabalhar com um fornecedor habilitado e com domínio técnico sobre a cultura. A Biancheri Creazioni reúne essa experiência, garantindo que o material chegue ao Brasil dentro dos protocolos exigidos”, enfatiza.

    Após a liberação, os cormos passam por reidratação e quebra de dormência em câmaras frias, com temperatura e umidade controladas. O procedimento simula o inverno europeu e prepara o material para o plantio. A partir daí, os produtores conduzem um ciclo de cerca de 14 semanas até a primeira colheita.

    Manejo agrícola e o fator geográfico do sul de Minas Gerais

    O desenvolvimento em campo depende diretamente da geografia. As produções estão concentradas em Andradas e Munhoz, no sul de Minas Gerais, em regiões de topografia acidentada e altitudes entre 1.200 e 1.600 metros. A combinação de dias amenos e noites frias gera a amplitude térmica necessária para favorecer pétalas mais densas, cores intensas e maturação equilibrada da haste.

    Produtor de ranúnculos, Tomonori Takaha, do Sítio Planalto Flores, explica que a cultura ainda exige dedicação constante. “O ranúnculo ainda é uma cultura de muito aprendizado. Por isso, continuamos adaptando técnicas e estudando a fundo o manejo. Viajamos para a Itália e trouxemos uma bagagem importante, principalmente sobre a parte nutricional, que hoje aplicamos nas estufas durante as madrugadas frias para garantir a evolução correta do botão”, pontua.

    No Brasil, a produção é conduzida por sete famílias de agricultores especializados do sul de Minas Gerais, distribuídas entre Sítio Alto da Serra, Sítio Flora-Viva, Sítio Hachiban Flores, Sítio Meraki, Planalto das Flores, Sítio São Benedito e O Vale das Flores, todos cooperados da Cooperflora.

    Para Tomonori, a troca entre os produtores foi essencial para consolidar a cultura no país. “Quando abraçamos o projeto, eu e o Silvio [do Sítio Meraki] trocávamos informações quase todos os dias. Hoje somos sete produtores e continuamos a compartilhar experiências do dia a dia no campo”, relembra.

    A atuação sob um mesmo protocolo produtivo permite alinhar dados técnicos, padronizar o ponto de colheita e garantir que flores de diferentes propriedades cheguem ao atacado com padrão estético, durabilidade e rastreabilidade de origem.

    Segundo o gestor do Núcleo de Produtos da Cooperflora, a padronização é construída de forma contínua, com acompanhamento técnico desde o início do projeto, apoio do representante da breeder e integração de novos produtores.

    Já a qualidade é orientada por uma ficha técnica definida pela cooperativa, que estabelece os parâmetros mínimos de comercialização. “Por ser um produto de alta percepção de valor, o mercado espera haste, estrutura floral e apresentação com padrão elevado”, complementa Edson.

    Contexto de mercado e posicionamento econômico do produto

    Sob a ótica comercial, o ranúnculo integra um segmento de flores de alta percepção de valor. Sua atratividade está ligada à curta janela de disponibilidade e à presença crescente em projetos de decoração, arte floral e ambientações de estética refinada.

    A produção brasileira reduz a dependência da importação da flor de corte finalizada, diminui custos logísticos internacionais e entrega ao consumidor um produto com maior frescor e vida útil em vaso.

    A exclusividade genética também contribui para proteger o valor da cultura, evitando a saturação do mercado e favorecendo a sustentabilidade dos produtores envolvidos.

    Para Maurício Torres, esse movimento abre caminho para uma expansão gradual do ranúnculo no Brasil. “A ideia é que o ranúnculo chegue a todos os cantos do Brasil, mas de forma sustentável, com um negócio lucrativo para produtores, cooperativa e Biancheri”, sustenta.

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