O mercado de crédito brasileiro vive uma mudança estrutural: mais do que produto, vence quem distribui melhor. Em um cenário de avanço tecnológico, digitalização e aumento da concorrência entre instituições financeiras, a capacidade de chegar ao cliente com eficiência e escala passou a ser o principal diferencial competitivo do setor.
O CEO da Associação Nacional de Correspondentes Bancários (Anec), Lourival Rocha, em entrevista, confirma que: "Nós temos quase 200 mil correspondentes bancários espalhados pelo Brasil. Considerando o universo de certificados, nós temos 400 mil pessoas aptas a fazer esse trabalho". Esses profissionais atuam como ponte entre instituições e clientes, especialmente em regiões fora dos grandes centros e em públicos que ainda demandam atendimento próximo e consultivo.
Com taxas, prazos e condições cada vez mais similares, especialmente em linhas como o crédito consignado, o foco competitivo deixou de estar concentrado na oferta e migrou para a distribuição.
A transformação do setor está diretamente ligada à padronização dos produtos financeiros
O crédito consignado mantém relevância no mercado financeiro brasileiro e movimentou mais de R$ 82,1 bilhões em operações ao longo de 2025, alcançando cerca de 7,1 milhões de trabalhadores por meio do programa Crédito do Trabalhador, segundo dados recentes do setor. Nesse contexto, a eficiência na originação e na capilaridade das operações ganha ainda mais relevância. Para Anderson Ramos, diretor comercial da Pegcard, com mais de duas décadas de atuação no segmento, o setor já passou por uma virada silenciosa.
"O mercado nivelou produto e funding. Hoje, o diferencial competitivo real está na capacidade de chegar até o cliente, e isso passa diretamente pelo correspondente", afirma.
Correspondente como eixo estratégico
Apesar de movimentos pontuais de verticalização por parte de algumas instituições, Anderson Ramos, especialista no mercado de crédito brasileiro e Diretor Comercial da Pegcard, aponta que o modelo baseado em parcerias com correspondentes segue sendo determinante para o crescimento sustentável do crédito no Brasil. Na prática, esses profissionais são responsáveis por grande parte da originação de operações, atuando não apenas na intermediação, mas na construção de relacionamento, entendimento de perfil e orientação ao cliente.
"É na ponta que o crédito acontece. O correspondente constrói confiança, entende a necessidade do cliente e viabiliza a operação. Quando esse parceiro cresce, toda a operação cresce junto", destaca Ramos.
Esse papel se torna ainda mais relevante em um país com dimensões continentais e níveis variados de acesso digital. Embora a tecnologia tenha ampliado a eficiência operacional, ela ainda não substitui completamente o contato humano em decisões financeiras mais sensíveis.
Distribuição como motor de crescimento
O fortalecimento dos canais de distribuição tem impacto direto no desempenho das instituições financeiras. Estruturas que investem em relacionamento com correspondentes tendem a apresentar maior alcance, consistência na originação e qualidade nas operações. Além disso, a distribuição eficiente contribui para a inclusão financeira, levando crédito a regiões e perfis que, muitas vezes, não são plenamente atendidos pelos canais digitais tradicionais.
Para o cliente final, isso se traduz em maior clareza nas condições de contratação, suporte durante o processo e acesso facilitado ao crédito. Para o mercado, representa expansão com sustentabilidade.
Tendência é de integração entre tecnologia e relacionamento
A perspectiva do setor é de continuidade na integração entre tecnologia e canais físicos, combinando dados, automação e proximidade no atendimento. Nesse modelo híbrido, o correspondente tende a se consolidar como peça-chave da estratégia. "Quem não respeitar o canal de distribuição vai perder mercado. No crédito, não basta ter um bom produto, vence quem consegue chegar melhor, mais rápido e com consistência até o cliente", conclui Ramos.
Com o mercado cada vez mais competitivo e produtos cada vez mais similares, a distribuição deixa de ser suporte e assume papel central. No Brasil, essa engrenagem continua girando, sobretudo, pelas mãos dos correspondentes.
Para mais informações, basta acessar: linkedin.com/company/somospegcard
