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    Home»Negócios»Varejo brasileiro enfrenta crise de crédito e o fim do fôlego das empresas
    Negócios

    Varejo brasileiro enfrenta crise de crédito e o fim do fôlego das empresas

    Setor passa por uma escalada sem precedentes de recuperações judiciais impulsionada por juros elevados, endividamento das famílias e pela incapacidade de repasse de custos; Charles Mendlowicz analisa o cenário
    JoaoBy Joao20 de julho de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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    O varejo brasileiro passa por um momento de exaustão financeira sem paralelos nas últimas décadas, que compromete a sobrevivência de operações de diferentes portes e segmentos. Segundo o economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, a crise atingiu uma fase crítica em que a própria estrutura dos negócios deixou de sustentar a viabilidade operacional das empresas.

    Mendlowicz é enfático ao classificar a conjuntura atual como um cenário inédito, marcado por um ciclo de quebras que, diferentemente de crises passadas, apresenta dificuldades severas de recuperação.

    “A combinação de fatores macroeconômicos forma uma ‘tempestade perfeita’ que sufoca a rentabilidade. O endividamento das famílias, que atinge 81,6% da população brasileira segundo a CNC, retira o fôlego de consumo do mercado, enquanto as companhias permanecem presas a uma alavancagem cara, contraída em momentos de juros menores e que hoje se tornou impagável em um ambiente de Selic elevada”, explica.

    O economista avalia que o custo do crédito no Brasil destrói qualquer plano de expansão ou sustentabilidade de longo prazo, e afirma que a conta “não fecha” em nenhum país do mundo com juros de 15% a 20%.

    “Essa pressão sobre o fluxo de caixa é agravada pela necessidade de repasse de custos produtivos num ambiente em que o consumidor não possui renda disponível para absorver novos preços. Com o aumento contínuo da inflação estimada para os próximos anos, as empresas veem seus custos operacionais subirem enquanto as vendas no varejo registram quedas acentuadas, configurando um quadro no qual o lucro se torna uma meta cada vez mais distante”, adverte Mendlowicz.

    Economista aponta necessidade de ajuste fiscal

    A trajetória de alavancagem, vista como uma necessidade de sobrevivência durante o período da pandemia, transformou-se em um fardo insustentável com a mudança brusca da realidade monetária.

    “O varejo adquiriu essa dívida durante a pandemia com 2%, 3% de juros, só que agora os juros têm dois dígitos. O setor está alavancado com juros altos”, explica Mendlowicz, citando o relato de Caito Maia, fundador da Chilli Beans, como um exemplo real das dores sentidas por grandes players do varejo nacional que hoje precisam refazer suas estratégias de preços para manter alguma relevância.

    Para o Economista Sincero, o cenário de recuperação judicial recorrente, que cresceu 13% em 2025 segundo dados da Serasa Experian, é a prova de que o modelo atual de operação varejista precisa de uma mudança de rumo urgente e estrutural. A saída defendida por Charles passa pelo controle do dispêndio público para permitir a descompressão das taxas de juros.

    “O governo precisa gastar menos. Assim, com a redução da pressão inflacionária, será possível baixar a taxa de juros. Nesse momento, baixar os juros significa colocar uma máscara de oxigênio nos empresários de novo”, argumenta Mendlowicz, reforçando que a carga tributária crescente, somada à má gestão dos gastos governamentais, cria um desestímulo contínuo ao setor produtivo.

    Por fim, o economista reforça que o cenário é de alerta máximo para quem opera no varejo, com poucas perspectivas de melhora no curto prazo diante do atual quadro de desequilíbrio fiscal. “Eu não vejo solução agora porque as empresas estão quebrando, as pessoas estão sem dinheiro e o juro está elevado. É um problema gravíssimo, e o varejo brasileiro está diante de uma encruzilhada que exigirá sacrifícios profundos e mudanças na condução econômica do país para evitar um colapso ainda maior”, conclui.

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