Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os cigarros matam 8,3 milhões de pessoas por ano (desses números, aproximadamente um milhão são fumantes passivos — aqueles que estão expostos à fumaça)
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que o tabagismo tem relação com vários tipos de tumores e é responsável por cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão. O Ministério da Saúde diz que a dependência do cigarro obriga os fumantes a inalarem mais de 4.700 substâncias tóxicas, como o monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína, além de possuírem 43 substâncias cancerígenas, como o arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, resíduos de agrotóxicos e substâncias radioativas.
A oncologista Maria Cristina Figueroa Magalhães diz que o fumo do tabaco contém uma mistura de substâncias químicas tóxicas que podem causar danos ao DNA das células, levando ao crescimento descontrolado e à formação de tumores. Ela afirma que o tabagismo está associado ao desenvolvimento de vários tipos de cânceres, incluindo os de pulmão, boca, garganta, esôfago, bexiga, rim, pâncreas, colo do útero, entre outros.
A médica conta que a doença pode ser assintomática em seus estágios iniciais, o que torna o diagnóstico precoce desafiador. “À medida que o câncer progride, podem surgir sintomas como tosse persistente, falta de ar, dor no peito, perda de peso inexplicada e escarro com sangue. No entanto, é importante ressaltar que a tosse persistente pode ter diversas causas, não apenas o câncer de pulmão. Além disso, os sintomas de câncer de pulmão podem ser comuns aos de uma doença obstrutiva crônica relacionada ao tabagismo”, esclarece.
Tipo de câncer mais mortal
Maria Cristina comenta que é a principal causa de morte relacionada ao câncer no mundo, especialmente devido à sua detecção muitas vezes tardia, quando já está em estádios avançados, além da condição clínica do paciente tabagista. A taxa de sobrevida varia dependendo do estágio no momento do diagnóstico e de outros fatores individuais.
O diagnóstico pode ser feito por meio de exames de imagem, como tomografia computadorizada (TC) e PET/TC, biópsias para confirmar e determinar o tipo de câncer.
Tratamento
A oncologista lembra que nem todo câncer de pulmão é tratado cirurgicamente. “Depende do estágio do câncer, do tipo de células envolvidas e de outros fatores individuais. Além da cirurgia, outras opções incluem quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo e imunoterapia, pontua.
Maria Cristina chama a atenção que, dependendo do estágio da doença e da saúde geral do paciente, é possível viver com apenas um pulmão. Contudo, isso pode afetar a capacidade respiratória e exigir ajustes no estilo de vida e atividades físicas.
Pare de fumar
A orientação é para as pessoas deixarem de fumar. Sabemos que a nicotina é uma droga poderosa e viciante. Aos indivíduos que fumam há anos, a oncologista avisa que é fundamental abandonar o cigarro para reduzir o risco de desenvolver câncer de pulmão e outras doenças relacionadas ao tabagismo. “É importante participar de programas de rastreamento, especialmente se houver outros fatores de risco, como histórico familiar ou exposição a agentes carcinogênicos. Esses programas incluem exames de imagem periódicos, como tomografia computadorizada de baixa dose para detectar precocemente qualquer sinal (especialmente nódulos) de câncer de pulmão”, orienta.
Maria Cristina também ressalta que recentemente, nos Estados Unidos, aconteceu o Congresso Americano de Oncologia Clínica — o maior evento mundial da área. A especialista destaca que o câncer de pulmão teve grande palco com dois importantes estudos apresentados (LAURA e ADRIATIC) demonstrando benefício em sobrevida. “Outro dado interessante é que pela primeira vez foi descrito que o câncer de pulmão está acometendo mais mulheres jovens que homens”, informa.
Esperança
O remédio da Pfizer contra o câncer de pulmão apresentou bons resultados em testes, com redução de 81% no risco de progressão ou morte pela doença. Os dados foram divulgados no Congresso Americano de Oncologia Clínica, nos Estados Unidos, há poucos dias.

A oncologista enfatiza que após cinco anos de acompanhamento, a sobrevida livre de progressão mediana ainda não foi alcançada no grupo do lorlatinib, correspondendo à SLP mais longa já notificada com qualquer tratamento molecular direcionado com agente único para CPNPC avançado e em todos os tumores sólidos metastáticos. “Estes resultados, juntamente com a eficácia intracraniana prolongada e a ausência de novos sinais de segurança, representam um resultado sem precedentes para pacientes com CPNPC avançado positivo para ALK e estabelecem uma nova referência para terapias direcionadas ao câncer. O dado foi surpreendente para aqueles pacientes que apresentam câncer de pulmão, mutação do gene ALK — corresponde a cerca de 5% dos tumores de pulmão não pequenas células”, avalia.
