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    Tecnologia aproxima, mas é o atendimento que constrói confiança

    **Por Igor Sigiani, fundador e diretor-presidente da Coopercompany
    JoaoBy Joao6 de outubro de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Igor Sigiani, Diretor-Presidente da Coopercompany Maria Eduarda Freitas
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    Uma pessoa consegue abrir uma conta pelo celular em poucos minutos, acompanhar uma entrega em tempo real e resolver uma série de demandas sem precisar falar com ninguém. A tecnologia reduziu distâncias e tornou o relacionamento entre empresas e consumidores muito mais ágil. Mas existe um ponto de alerta nessa evolução: quanto mais fácil ficou iniciar uma relação, mais evidente se tornou a diferença entre simplesmente atender e, de fato, construir confiança.

    Hoje, a expectativa do consumidor não se resume à velocidade. Ele quer autonomia quando a situação é simples, mas espera encontrar uma empresa preparada para ajudá-lo quando o problema foge do roteiro.

    Um chatbot pode resolver rapidamente uma solicitação de segunda via, por exemplo. Mas, se o usuário precisa explicar o mesmo problema várias vezes ao ser transferido para diferentes canais, toda a eficiência conquistada anteriormente perde valor. Da mesma forma, um aplicativo pode oferecer uma experiência excelente na contratação de um serviço, mas deixar uma impressão negativa se não houver suporte adequado quando algo dá errado.

    É nesse ponto que a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de eficiência e passa a ser parte de uma estratégia de relacionamento.

    O desafio das empresas não é escolher entre atendimento humano ou digital, mas entender onde cada um deles gera mais valor. A automação faz sentido quando elimina burocracias e dá autonomia ao usuário. Já situações que envolvem dúvidas complexas, negociação ou algum grau de frustração exigem capacidade de escuta, empatia e decisão.

    Essa combinação tem impacto direto na percepção sobre uma marca. Nas cooperativas, por exemplo, a busca por uma experiência mais próxima do cooperado faz parte de uma estratégia que coloca o relacionamento no centro da operação.

    Mais do que um número, os indicadores de NPS ajudam a mostrar que satisfação não é consequência de uma tecnologia específica. Ela é resultado de uma jornada coerente: processos que funcionam, canais acessíveis, respostas rápidas e pessoas preparadas para resolver o que a tecnologia não consegue solucionar sozinha.

    Esse debate ganha uma nova dimensão com a popularização da inteligência artificial. Ferramentas capazes de interpretar dados, antecipar demandas e personalizar interações devem tornar o atendimento cada vez mais preditivo. Em vez de esperar que o usuário reclame de um problema, empresas poderão identificar sinais de insatisfação e agir antes que a experiência se deteriore.

    Imagine, por exemplo, uma instituição que identifica uma falha recorrente em determinado serviço e entra em contato com os usuários potencialmente afetados antes mesmo que eles precisem procurar o SAC. A tecnologia, nesse caso, não substitui o relacionamento. Ela permite que a empresa demonstre que conhece seu usuário e está disposta a agir.

    Esse é um ponto importante para as lideranças: inovação não deve ser medida apenas pela quantidade de processos automatizados. É preciso avaliar se ela efetivamente reduziu atritos e melhorou a experiência.

    Existe uma diferença significativa entre responder uma solicitação em dez segundos e resolver uma demanda em dez segundos. A primeira é uma métrica de velocidade. A segunda é uma percepção de valor.

    Por isso, o futuro do atendimento tende a ser menos sobre a disputa entre humanos e máquinas e mais sobre a combinação inteligente entre os dois. A inteligência artificial pode cuidar de tarefas repetitivas, organizar informações e apoiar decisões. As pessoas podem assumir um papel mais estratégico nas situações que exigem contexto, sensibilidade e capacidade de resolver problemas.

    Essa transformação também exige uma mudança dentro das empresas. O atendimento não pode ser responsabilidade exclusiva do SAC. Produto, tecnologia, operações, marketing e liderança precisam entender que cada ponto de contato contribui para a experiência final.

    No fim, é isso que transforma atendimento em vantagem competitiva. Produtos podem ser copiados, funcionalidades podem ser reproduzidas e tecnologias podem se tornar acessíveis a concorrentes. A confiança construída ao longo de centenas de interações, porém, é muito mais difícil de replicar.

    A tecnologia continuará aproximando empresas e pessoas. A diferença estará no que acontece depois dessa aproximação.

    Porque uma boa experiência pode fazer a pessoa concluir uma compra. Um bom atendimento pode fazer com que ela escolha permanecer.

    Igor Sigiani é diretor presidente da Coopercompany. Com mais de 20 anos de experiência no mercado de cooperativas, o executivo é hoje um dos nomes mais respeitados do setor. Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Varginha (MG), o executivo iniciou sua trajetória assessorando a diretoria de um parceiro da Telemig Celular, onde obteve grande destaque, tornando-se, posteriormente, Gerente de Vendas diretamente da operadora.

    Em 2014, deu início à sua jornada empreendedora, desenvolvendo e operando produtos e serviços de Telecom e Tecnologia voltados para Cooperativas Financeiras. Atualmente é Presidente da Coopercompany, a primeira cooperativa de plataforma do ramo de infraestrutura focada em telecom, tecnologia e energia.

    Atendimento Coopercompany gestão Igor Sigiani notícias relacionamento tecnologia
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