A renovação, por mais 12 meses, da alíquota de 20% sobre a importação de seis tipos de resinas de polietileno (PE) e polipropileno (PP), aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), volta a colocar no centro das discussões da indústria do plástico os efeitos das políticas de comércio exterior sobre os custos e a competitividade da cadeia. A medida foi aprovada em 27 de agosto e contempla matérias-primas utilizadas em diferentes aplicações industriais.
Para empresas transformadoras, como a Maximu’s Embalagens Especiais, sediada em Ribeirão Pires, no ABC Paulista, e com filial em Varginha (MG), a decisão da Camex ganha relevância por seus possíveis reflexos sobre a cadeia de transformação. A empresa, que desenvolve embalagens técnicas e personalizadas para proteção, acolchoamento e movimentação de produtos, utiliza materiais como polietileno e polipropileno em diferentes soluções e acompanha de perto as condições de mercado que influenciam a disponibilidade e os custos dessas matérias-primas.
Nesse cenário, a renovação da alíquota pode trazer novos desafios para o planejamento das empresas, especialmente em relação à formação de preços e à gestão de custos. Para a indústria de transformação, o debate envolve encontrar um equilíbrio entre o fortalecimento da produção nacional de resinas e a manutenção de condições que permitam às empresas brasileiras preservar sua competitividade.
“A indústria de transformação precisa de previsibilidade para planejar produção, investimentos e formação de preços. Qualquer alteração relevante nas condições de acesso às matérias-primas pode gerar reflexos ao longo da cadeia, principalmente em um cenário em que as empresas já trabalham constantemente para equilibrar custos e competitividade.”, afirma o diretor da Maximu’s Embalagens Especiais, Erick Souza.
A renovação da tarifa acontece em meio a um cenário de pressão sobre a indústria petroquímica. Entre os argumentos utilizados para a manutenção da medida estão o aumento das importações, a expansão da capacidade produtiva internacional, especialmente na China, e a ociosidade da indústria nacional. Do outro lado, representantes da indústria de transformação apontam preocupação com o possível aumento dos custos dos insumos e seus efeitos sobre as empresas que utilizam essas matérias-primas.
Para Erick, a discussão deve considerar os diferentes elos que compõem a cadeia do plástico.
“Políticas voltadas ao setor precisam levar em conta não apenas a produção de resinas, mas também os impactos sobre transformadores, fabricantes de produtos, soluções plásticas e os demais segmentos que dependem desses materiais”, fala.
Nesse contexto, a ampliação do uso de materiais reciclados também ganha relevância como uma alternativa para a indústria, não apenas diante de um possível encarecimento de matéria-prima virgem, mas como parte de uma estratégia voltada à sustentabilidade dos processos produtivos. A logística reversa e a reciclagem para reinserir materiais no ciclo produtivo, reduzindo a dependência exclusiva de recursos virgens e fortalecendo práticas voltadas para a economia circular.
O tema ganha ainda importância diante do Decreto nº 12.688/2025, que instituiu o sistema de logística reversa de embalagens de plástico no Brasil e estabeleceu metas para a recuperação de materiais e a incorporação de conteúdo reciclado nas embalagens. A medida reforça a necessidade de integração entre os diferentes elos da cadeia, envolvendo fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, cooperativas e recicladores, além de estimular o retorno dos materiais ao ciclo produtivo.
Sustentabilidade na prática
Na prática, empresas da indústria de transformação já vêm adotando iniciativas para ampliar a circularidade dos materiais e reduzir a dependência de matéria-prima virgem. Desde a implantação de uma extrusora recicladora, há cinco anos, a Maximu’s já enviou para o processo de reutilização 952,5 toneladas das sobras geradas na fábrica. Com isso, 100% desses resíduos voltaram como matéria-prima para a fabricação de plástico bolha. A estratégia reduz a geração de resíduos, diminui a dependência de insumos virgens e contribui para ganhos operacionais, ambientais e econômicos.
“Iniciamos um projeto de reciclagem avançada com equipamentos de ponta que transformam resíduos plásticos em matéria-prima circular para novos produtos. Isso significa menos resíduos no meio ambiente, menor dependência de matéria-prima virgem e ganhos econômicos que fortalecem nossa autonomia produtiva”, explica.
O diretor completa que é importante que as decisões relacionadas ao comércio exterior considerem a cadeia como um todo. “O fortalecimento da indústria nacional é importante, mas também precisamos garantir condições para que as empresas transformadoras mantenham sua competitividade”.
