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    Resiliência é a nova linha de frente dos negócios

    JoaoBy Joao8 de setembro de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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    Ricardo Ferreira
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    Por muito tempo, o sucesso da cibersegurança foi medido pela altura e pela espessura das muralhas digitais de uma empresa. Construíram-se firewalls robustos e sistemas complexos com um único objetivo: impedir invasões. No entanto, no cenário atual, diante de ataques cibernéticos hipersofisticados, impulsionados pela própria Inteligência Artificial, a antiga ilusão da blindagem total desmoronou. Hoje, a questão central que os líderes precisam responder não é mais “se” a organização será alvo de um incidente, mas o “quão preparada” ela está para absorver o impacto e continuar operando.

    Se a cibersegurança tradicional focava na prevenção, a resiliência trabalha com a premissa realista da inevitabilidade do ataque. É a evolução da proteção estática para a capacidade dinâmica de antecipar, resistir, recuperar-se e adaptar-se.

    O primeiro ponto a se destacar é que a Inteligência Artificial mudou o jogo de forma definitiva. Do lado dos atacantes, ela automatiza a descoberta de vulnerabilidades, cria e-mails de phishing perfeitamente convincentes em segundos e desenvolve malwares capazes de mutação. Porém, combater esse arsenal exigindo que as defesas técnicas bloqueiem 100% das ameaças é uma estratégia fadada ao fracasso. A resposta, portanto, não está em erguer muros mais altos, mas em colocar a mesma IA a serviço da defesa: centros de operações de segurança potencializados por agentes autônomos já reduzem o tempo entre a detecção e a contenção de uma ameaça de horas para minutos, transformando velocidade em resiliência.

    Além disso, o impacto financeiro e reputacional de uma empresa parada por dias após um ataque de ransomware pode ser fatal. Segundo o relatório mensal de inteligência de ameaças da Check Point Research (CPR), o Brasil ultrapassou 4 mil ciberataques semanais por empresa e registrou um aumento de 44% de ataques hackers em junho deste ano. Diante disso, tratar a resiliência como estratégia de negócios significa proteger uma organização integrando planos de resposta a incidentes ao Plano de Continuidade de Negócios.

    Esse plano significa saber, de antemão, quais processos geradores de receita não podem parar e como mantê-los operando em modo de contingência (mesmo que em papel ou sistemas isolados) enquanto os engenheiros limpam os servidores. Significa também mapear os riscos da cadeia de suprimentos e treinar desde o estagiário até o CEO para reagirem sob pressão.

    Nesse novo paradigma, resiliência passa a ocupar a mesa do conselho. Ela se torna um diferencial competitivo tão relevante quanto inovação ou eficiência operacional, afinal, de pouco adianta uma empresa inovadora ou lucrativa se um único incidente é capaz de paralisá-la por semanas e destruir a confiança construída ao longo de anos.

    Admitir a própria vulnerabilidade não é um sinal de fraqueza, mas o primeiro passo para a verdadeira força. As empresas tendem a prosperar ao serem ágeis o suficiente para cair, levantar e continuar o trabalho sem que o cliente sinta o tombo.

    Ricardo Ferreira é VP & General Manager Latam da DXC Technology: https://www.linkedin.com/in/ricardo-ferreira-42836a/

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