O quartzito brasileiro já ocupa uma posição de destaque no mercado internacional. No primeiro semestre de 2026, a pedra respondeu por 60,3% do faturamento das exportações brasileiras de rochas naturais. A resistência, a durabilidade e, principalmente, a variedade de cores e padrões fizeram com que o material deixasse de ser apenas uma opção entre tantas outras e passasse a ocupar projetos de arquitetura e interiores de alto padrão em diferentes partes do mundo.
Os Estados Unidos seguiram como nosso principal mercado, concentrando 51,2% das vendas externas do setor. Há outro número que merece atenção: os quartzitos representam 66% de tudo o que o Brasil exporta para a América do Norte.
A participação ganha ainda mais relevância diante do cenário de mudanças nas tarifas americanas. Enquanto mármores, granitos e ardósias enfrentam uma sobretaxa adicional de 25%, o quartzito está sujeito, desde julho, a uma tarifa adicional de 12,5%.
Na prática, isso preserva uma relação que interessa aos dois lados. Os Estados Unidos continuam comprando a pedra que mais procuram, e o Brasil mantém um mercado relevante para um produto em que somos competitivos. É uma vantagem importante, mas que não deve ser interpretada como motivo para acomodação.
Os Estados Unidos são responsáveis por cerca de metade das exportações brasileiras de rochas naturais. Diversificar é importante não apenas para enfrentar mudanças tarifárias, mas para dar mais estabilidade ao setor.
Esse movimento já acontece. Os Emirados Árabes Unidos ganharam espaço, a Europa e a Austrália apresentam boas oportunidades e a Ásia continua sendo uma parceira importante, embora ainda concentrada na compra de blocos sem beneficiamento.
Vejo aí uma oportunidade que vai além de simplesmente vender para mais países. Precisamos aproveitar a qualidade da pedra brasileira para entregar mais valor. Beneficiamento, design, tecnologia e rastreabilidade são caminhos para transformar uma matéria-prima competitiva em produtos capazes de alcançar mercados ainda mais sofisticados.
O Brasil tem uma matéria-prima reconhecida no mundo. O desafio é transformar esse reconhecimento em negócios mais diversificados, produtos de maior valor agregado e uma indústria ainda mais forte. O quartzito pode ser uma das principais portas de entrada para essa nova fase das rochas naturais brasileiras, com mais mercados, mais tecnologia e mais valor gerado dentro do país
