
Projeto foi desenvolvido no Cocreation Social Lab Gramado – Mulher
Quando se fala em startup, é comum que o imaginário nos leve para uma empresa criada por pessoas jovens, geralmente ligadas à tecnologia. A dona Sônia Feier não se deixou intimidar pelo senso comum. Aos 70 anos participou de uma pré-incubadora de ideias e desenvolveu seu próprio projeto, que soluciona um problema comum enfrentado pelos artesãos de Gramado: falta de espaço para expor e vender seus produtos.
O termo startup se refere a uma empresa que está em fase inicial de desenvolvimento, mas que tem muito potencial de escalar. De modo geral, resolve algum problema, ou “dor”, do mercado. Como professora de artes e artesã, dona Sônia vê no dia a dia colegas talentosos que deixam de concluir vendas por não ter onde expor seu trabalho.
“Hoje no PGA (Programa Gaúcho de Artesãos) temos 842 profissionais cadastrados aqui em Gramado – 725 deles mulheres. A minha intenção é criar um espaço físico, com revezamento de lojas para organizar o tempo entre produzir e vender.” Além disso, a empreendedora ainda sonha em qualificar mais pessoas. “Gostaria também que houvesse salas onde poderíamos oferecer oficinas e trocar experiências e conhecimentos”, destaca a professora.
O projeto foi desenvolvido no Cocreation Social Lab Mulher Gramado, uma iniciativa do Sebrae Delas e Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Gramado, operado pela TXM Methods. O programa de pré-incubação recebeu mulheres que desenvolveram suas ideias durante cinco meses, com mentorias, workshops, palestras e acesso à metodologia TXM Business, que já ajudou a criar mais de 700 startups no Brasil.
“A primeira edição do programa em Gramado mostrou a força da mulher gaúcha. Tivemos muitas participantes que não estavam empreendendo apenas pelo retorno financeiro, mas para contribuir com a comunidade. Outro fator que nos chamou a atenção foi a faixa etária: muitas com mais de 40 anos, muito diferente do usual em incubadoras tradicionais”, conta Renata Santos, coordenadora geral do Cocreation Social Lab.
Com a conclusão das atividades no Cocreation Social Lab, a Casa da Artesã de Gramado está com o plano de negócio pronto. O próximo passo é captação de recursos para fazer com que a startup saia do papel. “Estou na fase de buscar editais públicos, ou apoio de empresas privadas, para fazer o sonho virar realidade. Quero um espaço justo, com artesãos certificados, com o selo ‘Feito em Gramado’ sendo levado a sério, com certificação e valorização das peças criadas na nossa terra”, diz Sônia.