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    Home»Tech»Por que as câmeras corporais da polícia serão a nova aposta da segurança privada
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    Por que as câmeras corporais da polícia serão a nova aposta da segurança privada

    Utilizadas por forças de segurança e penitenciárias, as bodycams avançam para bancos, hospitais, indústrias, condomínios e até varejo
    JoaoBy Joao12 de agosto de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    As câmeras corporais se tornaram um dos principais símbolos da modernização da segurança pública brasileira nos últimos anos. Amplamente associadas ao trabalho policial, essas tecnologias começam agora a trilhar um novo caminho: o setor privado. As câmeras já são usadas em bancos, hospitais, condomínios, logística, varejo e até operações industriais de missão crítica.

    É nessa aposta que a Oakmont Group, principal parceira da americana Axon no Brasil, concentra parte de sua estratégia de crescimento para os próximos anos.

    “O mercado privado ainda está descobrindo o potencial dessas tecnologias. Muitas empresas enxergam as câmeras apenas como um equipamento de gravação, quando, na prática, elas funcionam como uma plataforma de gestão de evidências, proteção jurídica e mitigação de riscos”, afirma Rafael Souza, diretor executivo da Oakmont Group.

    Da polícia para as empresas

    A expansão do uso dessa tecnologia ocorre após anos de amadurecimento do mercado público. Atualmente, câmeras corporais da Axon são utilizadas por diversas forças de segurança estaduais e municipais no Brasil, além de sistemas penitenciários e guardas municipais.

    Segundo Rafael, o diferencial da tecnologia não está apenas na captura de imagens, mas na capacidade de garantir a integridade das evidências produzidas.

    “Uma gravação só tem valor se puder ser comprovadamente preservada. A cadeia de custódia é um dos principais diferenciais. Não basta gravar. É preciso garantir que aquele conteúdo não foi alterado, manipulado ou comprometido”, explica.

    As câmeras corporais mais avançadas disponíveis hoje no mercado oferecem criptografia, transmissão em tempo real, armazenamento seguro em nuvem e integração com plataformas de gestão de evidências digitais. Além disso, as novas gerações de câmeras corporais incorporam recursos de inteligência artificial capazes de traduzir idiomas em tempo real, transcrever conversas automaticamente e auxiliar agentes durante operações. A tecnologia também permite transformar gravações em relatórios preliminares, reduzindo tarefas administrativas e aumentando a produtividade das equipes em campo.

     

    O problema que as empresas ainda não enxergam

    Para a Oakmont Group, um dos maiores desafios está em ampliar a conscientização do mercado sobre fatores que nem sempre recebem a devida atenção na adoção de tecnologias de segurança.

    “O cliente normalmente só percebe a diferença quando acontece um incidente. Em muitos casos, as decisões de compra são guiadas apenas pelo custo inicial, mas ao longo do uso podem surgir lacunas importantes que precisam ser levadas em consideração. É parecido com o seguro. Você espera nunca precisar usar, mas quando precisa, descobre se fez uma boa escolha ou não”, ressalta Rafael.

    Entre os riscos apontados estão perda de evidências, gravações sem validade jurídica, falhas de armazenamento e dificuldade para comprovar procedimentos adotados em situações de conflito, acidentes ou investigações.

    Casos que vão além da segurança

    A aplicação da tecnologia já começa a extrapolar o universo tradicional da vigilância. Um dos exemplos citados pela empresa envolve o setor financeiro. Uma instituição financeira está implementando projetos em que vigilantes terceirizados utilizam câmeras corporais durante o atendimento ao público, contribuindo para registrar ocorrências e reduzir conflitos em agências.

    No setor industrial, empresas utilizam as câmeras para registrar procedimentos em ambientes de risco, garantindo conformidade operacional e proteção em casos de acidentes.

    Já no varejo, a tecnologia vem sendo aplicada para reduzir perdas, controlar estoques e registrar abordagens de segurança. Um dos maiores exemplos é o Carrefour, que utiliza milhares de câmeras corporais em suas operações.

    Há ainda aplicações em parques aquáticos, resorts, concessionárias de energia, refinarias e condomínios residenciais de alto padrão.

    Se a primeira onda das bodycams foi marcada pela gravação de imagens, a próxima deverá ser impulsionada pela inteligência artificial.

    Nos Estados Unidos, a Axon já disponibiliza ferramentas capazes de gerar automaticamente rascunhos de boletins de ocorrência a partir das gravações realizadas em campo. A tecnologia também permite transcrever vídeos, localizar trechos específicos por palavras-chave e traduzir conversas em tempo real entre diferentes idiomas.

    A expectativa da companhia é que essas funcionalidades avancem gradualmente para novos mercados e ampliem o retorno sobre o investimento das soluções. “A câmera deixa de ser apenas um equipamento de registro e passa a funcionar como uma plataforma inteligente de apoio à tomada de decisão”, afirma Rafael.

    Embora o setor público continue sendo o principal comprador, a Oakmont acredita que o crescimento mais acelerado dos próximos anos virá justamente do segmento corporativo.

    A estratégia passa pela criação de modelos mais acessíveis, com diferentes níveis de serviço e funcionalidades, permitindo que empresas de portes variados adotem tecnologias que, até pouco tempo atrás, estavam restritas às forças de segurança.

    Para Rafael, o movimento segue uma tendência inevitável. “Assim como aconteceu com videomonitoramento, controle de acesso e inteligência de dados, as câmeras corporais estão deixando de ser uma ferramenta exclusiva da segurança pública para se tornar uma tecnologia de gestão de risco e proteção operacional para empresas de diversos setores”.

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