O tricampeão mundial de longboard Phil Rajzman conquistou o segundo lugar na Pacifico Longboard Classic, uma das principais categorias da 25ª edição do Duke’s OceanFest, tradicional festival esportivo e cultural do Havaí, realizado de 15 a 24 de agosto, na icônica Waikīkī Beach, em Honolulu.
Em condições difíceis, com baterias marcadas pela escassez de ondas e séries demoradas, Phil conseguiu uma nota 9,1 na semifinal — a maior de todo o evento — e garantiu mais um pódio em sua carreira. Avançou para a final mas terminou na segunda colocação, após enfrentar uma forte presença de surfistas locais.
“Muito feliz com mais um pódio aqui em Waikīkī.” conta Phil, que destaca uma diferença de oceanos. “Aqui no Oceano Pacífico é diferente do Atlântico. No Pacífico demora mais para as ondas virem em séries. O Atlântico é bem mais constante. A competição foi fogo, estava cheio de surfistas locais e tinham ondas muito ruins, mas tirei leite de pedra.”
O resultado teve um significado ainda mais especial para o brasileiro. Após dois anos de tratamento de um linfoma não Hodgkin, ele encerrou a última seção há cerca de uma semana e voltou a competir em alto nível.
“Esse pódio veio numa semana especialmente feliz: competir depois de finalmente ter finalizado todas as etapas do meu tratamento do câncer. Isso para mim é o que mais importa”, afirma.
Ainda em recuperação, o atleta conta que segue sentindo os efeitos do tratamento. “Estou ainda me sentindo muito fraco, começando a melhorar agora. Com muita dor na junta, dor muscular, dor em tudo que é lugar. Agora é seguir fazendo o que amo, competindo em alto nível e me divertindo no caminho… não tem preço.”
Green Monkey, a “prancha dos sonhos”
Para a competição em Waikīkī, Phil Rajzman – que tem sua empresa de produção de pranchas @philrajzman.surfboards – apostou em um equipamento, recentemente lançado, a Green Monkey, que combina características clássicas e progressivas em um único modelo, independentemente do tamanho das ondas. “Muita remada e fluidez, fazendo diferença justamente num dia em que cada pedacinho de onda precisava ser aproveitado”, explica.
“Eu vim ao longo dos anos tentando encontrar um caminho de ter uma prancha que funcionasse tão bem para o lado clássico quanto para o progressivo. Mas encontrava algumas limitações, porque têm coisas que você ajusta no equipamento, melhora para uma coisa e piora para outra.”
A solução encontrada foi uma nova configuração de rabeta, separando o comportamento do fundo e do deck da prancha. O resultado, segundo o campeão mundial, é uma combinação que permite velocidade e manobrabilidade para as manobras progressivas, sem perder a sustentação necessária para o surfe clássico no bico. “Tive essa ideia e pensei: vou fazer um teste. E caraca, absurdo, deu muito certo”, conta entusiasmado.
Phil chama essa prancha de Dual Flow Tail. Ela apresenta um fluxo de água duplo na rabeta, tanto no fundo quanto no deck da prancha. O desenho da rabeta foi inspirado no aerofólio de um carro, que, na parte de cima, é mais pontuda e inclinada para cima, enquanto, na parte de baixo, é mais recuada. “Foi vendo isso que pensei: esse negócio deve funcionar, porque é feito para, quando o carro está em alta velocidade numa curva, manter mais tração na parte de trás, junto ao asfalto, e, ao mesmo tempo — como o aerofólio não se estende até o final — não travar nas curvas. Testei isso na prancha e, realmente, o resultado da invenção foi um absurdo”, completa o atleta.
A Green Monkey já foi testada por Phil em diferentes condições, de ondas grandes a ondas pequenas como as encontradas em Waikīkī. “Realmente é uma prancha dos sonhos. Nossa maior dificuldade sempre para viajar pelo mundo foi: como vai estar o mar na competição? Vai estar pequeno, médio, grande? Vai ser um surfe mais clássico, mais progressivo? Agora esse problema acabou. Tem uma prancha que vai servir para qualquer onda.”
Pai e filha no pódio
Além do segundo lugar no Longboard Classic, Phil teve uma participação especial ao lado da filha Coral, de 6 anos. Os dois conquistaram o primeiro lugar na inédita categoria Tandem Kids, criada nesta edição do Duke’s OceanFest.
Na modalidade, pai e filha dividem a mesma prancha e realizam manobras em que o adulto levanta a criança e executa acrobacias. A dupla disputou duas baterias de 30 minutos cada.
“Coralzinha foi super bem. É estreia dessa categoria no campeonato. No ano passado nós ficamos em terceiro lugar ao disputar a categoria Tandem, igual a essa no quesito de realização de manobras, mas com outras regras específicas. E esse ano criaram a categoria de pai e filha ou adulto e criança.”
“Estou feliz. Essa é a primeira vez que ganho primeiro lugar no surfe. Mas já ganhei primeiro lugar na corrida de remada”, conta Coral, celebrando também o desempenho na competição.
Phil e Coral já surfam juntos há anos, mas os treinos seguem o ritmo e a vontade da menina. “O mais importante é que ela se divirta”, ressalta o pai.

E Coral ainda teve outro motivo para comemorar. Participou sozinha e foi destaque na categoria Keiki, destinada a crianças de 3 a 9 anos. “Amei surfar nessa competição. A prancha Coral Monkey, que meu pai fez, foi legal”, conta a pequena. Essa categoria não teve classificação, todos ganharam medalhas.
Para Phil, Coral arrebentou. “Ela está muito à vontade. Foi o destaque disparado dessa categoria. A única criança que voltava remando sozinha pra pegar as ondas e a única a trocar de base, entre outras coisas. Então, Coral virou o comentário da praia, porque com 6 anos fazendo o que fez é incrível, motivo de admiração mesmo”.
Um festival que celebra Duke Kahanamoku – Realizado tradicionalmente em torno do aniversário de Duke Paoa Kahanamoku, celebrado em 24 de agosto, o Duke’s OceanFest reúne uma programação diversificada de esportes e manifestações da cultura havaiana. Além do longboard, o festival conta com natação em mar aberto, surfe adaptado para atletas com deficiência física, beach volleyball juvenil e adulto, surfboard water polo, competição de surfe com cães e disputas entre salva-vidas locais. A programação também inclui apresentações de hula, música ao vivo e culinária típica. Em parceria com a Outrigger Duke Kahanamoku Foundation (ODKF), os recursos arrecadados pelo evento são destinados a bolsas de estudo e ao apoio a jovens atletas e líderes locais. O festival homenageia a trajetória de Kahanamoku, considerado um dos maiores nomes da história dos esportes aquáticos e responsável por ajudar a difundir o surfe mundialmente.
