De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem, aproximadamente, 1,25 bilhão de fumantes no mundo. O tabagismo é um problema de saúde pública, sendo responsável pela morte de oito milhões de pessoas por ano, incluindo um milhão de indivíduos por fumo passivo. Cientistas da Washington State University, nos Estados Unidos, descobriram que o canabidiol (CBD), um componente não psicoativo da cannabis, impede o metabolismo da nicotina. Publicada no ano passado, na revista científica Chemical Research in Toxicology, a pesquisa mostrou que o composto pode ajudar fumantes a reduzir o anseio pelo cigarro. No entanto, o professor de ciências farmacêuticas Philip Lazarus, docente da universidade, em comunicado enviado à imprensa, ressaltou a importância da descoberta, mas lembrou que a continuação dos estudos são necessários para ratificar esses efeitos em humanos e determinar os níveis de dosagem.

Segundo José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, esses resultados sugerem que o CBD e o 7-OH-CBD (metabólito ativo do CBD) podem inibir o metabolismo da nicotina, potencialmente, levando-a em níveis plasmáticos aumentados por cigarro e a uma redução no número de cigarros fumados. O médico diz que isso ocorre porque o CBD inibe as enzimas CYP2A6 e CYP2B6, as responsáveis pelo processo no fígado. Os fitocanabinoides também modulam o mecanismo de recompensa no sistema nervoso central, evitando excesso de neurotransmissores que dão prazer ao paciente durante o uso de tabaco. José Wilson explica que o efeito ansiolítico do CBD tem papel importante neste processo. “A ansiedade é um dos principais gatilhos apontados pelo tabagista ao acender o próximo cigarro. A combinação destes efeitos coloca o CBD como forte candidato para o tratamento do abuso de substâncias, em especial, o tabagismo”, destaca.
