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    Pesquisa mostra que 61% dos executivos consideram marca pessoal mais importante que currículo

    O estrategista em comunicação organizacional e relações-públicas, Rodrigo Almeida, explica por que comportamentos, relações e coerência entre discurso e prática devem ser trabalhados antes de uma situação de exposição negativa.
    JoaoBy Joao22 de setembro de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    A reputação profissional não é definida apenas pelo currículo ou pela experiência acumulada. A pesquisa “Branded for Success: How Personal Branding Influences Career Trajectories” realizada em 2025 para a Aurora University com mil profissionais norte-americanos mostrou que 50% consideram uma marca pessoal forte mais importante do que um currículo forte, enquanto entre executivos o percentual chega a 61%.

    O resultado chama atenção para a importância que a percepção construída em torno de um profissional pode assumir ao longo da carreira, especialmente em um mercado no qual diferentes públicos têm acesso a informações que vão além da trajetória formal apresentada em um currículo. Essa percepção, no entanto, não é formada a partir de uma única situação ou de uma ação isolada, mas pela combinação de experiências que se acumulam nas relações profissionais. A maneira como uma pessoa se comunica, lida com divergências, assume responsabilidades e mantém seus compromissos vai criando referências para quem convive com ela.

    Da mesma forma, posicionamentos públicos e comportamentos nas plataformas digitais podem reforçar ou entrar em contradição com a imagem construída no ambiente de trabalho. De acordo com o relações-públicas e estrategista em comunicação organizacional, Rodrigo Almeida, é justamente essa repetição de comportamentos que faz com que a reputação seja construída antes de qualquer situação de crise.

    “A reputação é resultado de uma sequência de experiências que as pessoas têm com aquele profissional. Ninguém forma uma opinião apenas porque viu uma publicação ou acompanhou uma determinada entrega; existe um conjunto de situações que vai dando consistência a essa percepção. A forma como alguém reage quando é contrariado, como assume um erro, como trata as pessoas em diferentes posições e como se comporta quando existe pressão também comunica. Quando esses elementos se repetem ao longo do tempo, eles passam a formar uma referência sobre aquele profissional”, explica.

    Por esse motivo, cuidar da reputação está mais relacionado à coerência entre aquilo que se pretende representar profissionalmente e aquilo que as pessoas efetivamente encontram na convivência cotidiana, já que uma comunicação bem planejada perde força quando não encontra correspondência nas atitudes e nas entregas.

    “Existe uma diferença importante entre construir uma reputação e tentar produzir uma imagem. A imagem pode ser apresentada por meio da comunicação, mas a reputação é confirmada ou desmentida pela experiência. O posicionamento profissional precisa estar apoiado em comportamentos que possam sustentar aquilo que está sendo comunicado”, afirma o especialista.

    Essa construção também se estende à presença digital, que passou a integrar a forma como profissionais são conhecidos e avaliados por diferentes públicos. Redes sociais, plataformas profissionais, sites e mecanismos de busca podem apresentar informações sobre uma pessoa antes mesmo de um primeiro contato, fazendo com que publicações, comentários e posicionamentos também componham o conjunto de referências utilizado para interpretar sua trajetória.

    Quando uma crise ou uma exposição negativa acontece, entretanto, o tempo para construir essa percepção deixa de existir da mesma maneira, porque a atenção passa a estar concentrada no episódio e as interpretações começam a ser formadas com maior velocidade. É nesse momento que o histórico anterior ganha importância: um profissional que já possui uma trajetória reconhecida consegue oferecer mais elementos para contextualizar o que aconteceu, enquanto quem nunca trabalhou de forma consistente precisa atribuir credibilidade justamente quando está sendo questionado.

    Rodrigo Almeida – Divulgação

    De acordo com Rodrigo, essa é a principal razão para que a reputação seja tratada como um processo contínuo, e não como uma resposta emergencial a uma crise.

    “Quando o problema aparece, você não consegue decidir de uma hora para outra qual será a percepção das pessoas sobre você, porque elas já têm referências construídas a partir da sua trajetória. Por isso, o trabalho mais estratégico acontece antes: nas entregas, nas relações, na forma de se comunicar e na coerência entre discurso e prática. Uma reputação bem construída não impede uma crise e também não significa que o profissional estará sempre protegido de críticas, mas pode oferecer contexto para que ele seja compreendido pelo conjunto da sua atuação, e não reduzido ao episódio que ganhou exposição”, conclui.

    artigos carreira comunicação Marca Pessoal Reputação Profissional
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